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segunda-feira, 20 de junho de 2011

O bem contra o mal

 
Inimigos eternos

O peso dos 80 anos de idade e os sintomas do mal de Parkinson não impediram o papa João Paulo II de enfrentar seu maior inimigo: Satanás, um anjo tão degradado que desafia Deus e tenta desviar a humanidade para o pecado e a infelicidade, segundo a tradição católica. Aconteceu na tarde de 6 de setembro. O pontífice recebeu na Santa Sé uma italiana de 19 anos que apresentava sinais de possessão demoníaca. Ela urrava palavras estranhas e sentia-se agredida por símbolos cristãos, como a cruz. A batalha de orações durou 30 minutos. João Paulo II abraçou-a e rezou para livrá-la da influência maligna. Não chegou a cumprir os longos rituais do exorcismo, que incluem a leitura de textos bíblicos e até um interrogatório ao diabo. Fez o que a Igreja chama de exorcismo menor. Concedeu a bênção, e a garota se acalmou. Horas depois, ela mergulhou em nova crise. Não estava curada.
A identidade da jovem foi mantida em segredo. Sabe-se que ela vive na região da Úmbria, no norte da Itália, e tem surtos desde os 12 anos. Médicos e psiquiatras tentaram, em vão, curá-la. Antes de recorrer ao papa, a garota foi atendida pelo padre Gabriele Amorth, exorcista-chefe de Roma (leia entrevista na pág. 132), mas não reagiu aos rituais. Então, levaram-na à Praça São Pedro, para assistir à audiência semanal de João Paulo II. Surpreendentemente, ele decidiu recebê-la. Foi a terceira vez, em 20 anos de pontificado, que o papa assumiu pessoalmente a missão de exorcizar.
Sabe-se pouco sobre o primeiro ritual, ocorrido no final dos anos 70. O segundo combate contra Satanás foi registrado nas memórias do cardeal francês Jacques Martin, morto há oito anos. No dia 4 de abril de 1982, João Paulo II cumpriu as regras canônicas do exorcismo com uma mulher italiana identificada como Francesca F. O cardeal deixou o seguinte relato: “Ela rolava pelo chão, berrando. O papa começou a rezar, pronunciando em vão vários exorcismos, e disse à mulher: ‘Amanhã rezarei uma missa por ti’. Repentinamente, Francesca voltou ao normal e pediu desculpas ao pontífice. Um ano depois, perfeitamente curada, compareceu com o marido a outra audiência com o papa”.
A participação de um pontífice em rituais de exorcismo é carregada de simbolismo. João Paulo II quis reafirmar que o mal existe e os católicos devem combatê-lo.

O bem contra o mal
O que diz o manual de exorcismo do Vaticano

Sinais que caracterizam a possessão demoníaca:
· Falar línguas estranhas
· Exibir força descomunal, desproporcional ao biotipo do indivíduo Referir-se a coisas e lugares que a pessoa jamais viu
· Repudiar Deus, a Virgem Maria, os santos, a cruz e as imagens sacras
O ritual autorizado pela Santa Sé:
· Começa com a aspersão de água benta sobre o possuído, seguida de orações e leitura de textos bíblicos
·  O exorcista põe as mãos sobre a pessoa e invoca o Espírito Santo para que o demônio saia do corpo
· A cerimônia é encerrada com a apresentação da cruz, símbolo do poder de Cristo sobre o diabo
· Apenas sacerdotes outorgados pelas autoridades eclesiais podem fazer o ritual, e em recinto fechado.



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