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sábado, 18 de junho de 2011

Meditação

Meditação dos mistérios de Cristo, modelo de nossa vida

1- Encanação

A Comunidade entre os homens

Hospitalidade, condivisão,
ministério dos doentes, apostolados

O supremo mistério da Encarnarão será a nossa referência em todas as coisas visíveis e invisíveis.
Queremos reconhecer o Emanuel em cada homem, no pequenino que nos pede um copo d’água. Esta é a razão pela qual daremos comida e hospedagem a quem se apresentar, sobretudo aos pobres que não têm lugar no coração dos homens.
Nada de humano pode nos ser desconhecido. Como o pobre de Assis, a Comunidade deseja pôr seu olhar sobre todas as lepras do mundo, sobre todos os males físicos, morais e psicológicos de uma humanidade sem esperança.
Também a obra de conforto das misérias será vivida não como um dever humanitário, mas como um beijo de amor em nome d’Aquele que tomou sobre si o peso de todos os sofrimentos dos homens.
Abandono à Providência de Deus
Deus abandonou-se nas mãos dos homens na noite de Natal. Queremos igualmente nos abandonar nas mãos de Deus, nosso Pai. Rezaremos com fé para que o Senhor nos ajude nas dificuldades financeiras pela intercessão de São José, chefe da Sagrada Família de Nazaré, tão zeloso em prover todas as necessidades: isto tanto na vida quotidiana quanto nas necessidades que depassem as nossas possibilidades ordinárias.

O trabalho

São Paulo diz: " Quem não trabalha, não coma " (2Ts 3, 10). Estas palavras são uma norma para nós, porque o ócio é inimigo da alma. Vemos no trabalho a continuação da obra do Criador que trabalhou seis dias. Nenhuma ocupação nossa pode ser em contradição com a ética cristã ou com as orientações comunitárias. Escolheremos trabalhos mais criativos que lucrativos, criando, se necessário, as nossas próprias atividades e favorecendo o trabalho manual que Jesus mesmo santificou em Nazaré, pelas suas virtudes particulares, no coração de uma vida contemplativa. O sábado a tarde e o domingo cosagraremos ao estudo, à oração e ao repouso em Deus. Porém levamos em conta a sabedoria de São Bento que dizia: " É melhor trabalhar no domingo que ficar no ócio porque nossa preguiça não honra Deus ".


A Comunidade na Igreja
O Santo Padre

Sendo membros da Igreja de Cristo, submetemo-nos ao Pontífice Romano, sucessor de Pedro, ao qual Cristo confiou a missão de cuidar do seu rebanho e que goza, por instituição divina, de supremo e de universal poder, para o bem das almas. A nossa oração por ele, a atenção às suas palavras, o atento estudo das suas declarações manifestarão o nosso afeto filial.

Os Bispos

Os Bispos, instituídos como sucessores dos Apóstolos e pastores das almas, asseguram nossa união com o Sumo Pontífice e, sob sua autoridade, continuam a obra de Cristo, Pastor Universal.
A Comunidade, onde os dons e os frutos, os carismas e a a caridade fraterna se desenvolvem, reconhecem no Bispo, graças ao dom hierárquico que lhe foi confiado, o seu pastor.
A Comunidade não tomará alguma decisão importante sem submetê-la ao Bispo diocesano, do qual espera discernimento, ensino, autoridade e paterna benevolência.
Cada casa da Comunidade procurará manifestar a sua comunhão com a Igreja local inserindo-se na vida paroquial e dando-lhe a sua contribuição, na medida em que corresponda à sua vocação e às suas possibilidades.

Os sacerdotes

Cristo Sacerdote fez do novo povo um reino de sacerdotes para Deus Pai. Todos os irmãos e irmãs são chamados a realizarem a vocação do Cordeiro Imolado, oferecendo-se como vítimas vivas, santas e agradáveis a Deus, participando assim do único sacerdócio de Cristo.
Esta vocação nos será revelada pela presença dos sacerdotes, verdadeiros dons de Cristo à Comunidade. Isto se realiza sobretudo quando o sacerdote, que goza de um poder sagrado, faz no rol de Cristo o sacrifício eucarístico e oferece-o em nome de todo o povo.
Esta dimensão do sacerdócio ministerial é primordial e toca profundamente a razão de ser da célula da Igreja que formamos. Por isso, encorajaremos as vocações sacerdotais entre nós e no povo de Deus graças à predicação.
Os sacerdotes da Comunidade terão estatutos próprios, aprovados pelas autoridades eclesiásticas. Estes estatutos assegurarão o desenvolvimento humano e espiritual dos sacerdotes, respeitando o caráter específico de sua vocação e de seu empenho comunitário, particularmente a sua dimensão contemplativa.
Como membros da Comunidade, os sacerdotes procurarão viver a sua espiritualidade com toda radicalidade, sendo assim verdadeiros animadores espirituais entre seus irmãos e irmãs. Estes, por sua vez, rezarão pelos sacerdotes e contribuirão à fecundidade espiritual de seu apostolado.

Diáconos e ministérios instituídos

A Comunidade se alegrará que o Bispo chame alguns de seus membros a serem ordenados diáconos permanentes ou a receberem um ministério instituído para servirem a Igreja. Os diáconos serão no coração da diocese e no seio da Comunidade sinal da Igreja que serve.
Os responsáveis eleitos da Comunidade não serão obrigatoriamente ministros ordenados (secerdotes ou diáconos). Exceto no que diz respeito ao ministério pastoral, os ministros ordenados submeter-se-ão em tudo aos responsáveis eleitos durante todo o mandato.

Os celibatários

O consagrado pelo Reino de Deus é o ser escatológico por excelência. Por isso a Comunidade, graças à presença de membros celibatários que entraram neste estado de perfeição, fortifica-se na sua vocação.
Alguns dos celibatários pronunciarão os votos de pobreza, castidade e obediência diante do Bispo da sede principal ou, com sua permissão, diante de um outro Bispo, segundo um ritual próprio aprovado. Outros, por diversos motivos, guardarão o celibato sem pronunciar os votos diante do Bispo.
Os celibatários consagrados constituirão uma força para a Comunidade, consagrando-se mais intensamente à oração, não tendo outra preocupação que a de agradar ao Senhor, e dedicando-se mais intimamente ao serviço divino.

A admissão de casais

Os casais serão aceitos somente se a decisão de entrar na Comunidade for unânime. A integração das famílias far-se-á em clima de paz e com o consentimento dos filhos, se tiverem a idade da razão. Claro, os filhos não são membros da Comunidade.


O responsável da casa

Cada casa estará sob a autoridade de um responsável escolhido pelo moderador geral. O responsável terá conselheiros escolhidos entre os membros da casa pela sua sabedoria e pelo exemplo que dão.
O responsável da casa deve vigiar para que a mesma tenha um bom funcionamento, procurando sempre a unidade dos membros e a fidelidade de todos à vocação da Comunidade e à doutrina da Igreja.
Servidor de todos, ele deve exercer seu ministério com ternura e humildade, ensinando, exortando, encorajando, incitando sempre ao amor de Deus e ao serviço dos irmãos e das irmãs que lhes forem confiados, procurando estar atento à obra que Deus realiza neles, dando-lhes conselhos e intercedendo por eles.

2- Transfiguração

Jesus: a oração
A oração, vocação central da Comunidade

A finalidade da vida cristã é a aquisição do Espírito Santo (S. Serafim de Sarov), numa atitude de espera ativa como as virgens sábias que encheram desse ólio santo as suas lâmpadas para acolher o Esposo no momento de sua vinda.
" E enquanto estava em oração, o seu rosto tomou aspecto diferente ... " (Lc 9, 29). Consideraremos a oração nas suas inumeráveis formas. Ela é o meio por excelência para se aquisitar o ólio do Espírito na relação de amizade com o Pai. É ele que inicia e que finaliza este diálogo. Diálogo que na visão face a face será ininterrupto porque seremos como os anjos e os espíritos beatos que nunca interrompem os seus louvores.
Todos nós queremos ver Deus e nos empenharemos a rezar incessantemente, à imagem de Cristo e segundo a sua palavra. A exortação de S. Paulo é para nós um encorajamento a perseverarmos na ação de graças, no louvor, na intercessão e na oração: " Sede alegres sempre. Não cesseis de orar. Dai graças por todas as coisas, pois isso é o que Deus quer de vós em Cristo Jesus " (1 Ts 5, 16-18).
A Transfiguração é precedida e seguida do anúncio da Paixão. A visão da Glória é dada aos discípulos presentes no Getsêmani para que eles passem pelo escândalo da Cruz, sejam testemunhos da noite de Deus e corram ao sepulcro na manhã de Páscoa.
A Glória e a Cruz marcarão a nossa vida de oração. Os formadores ensinarão o desapego das satisfações sensíveis na oração para que ela seja vivida como ato puro de amor, de apego à pessoa de Cristo e de participação à vida Trinitária.
Encorajaremos a intercessão pelo mundo, lembrando os principais temas de intercessão próprios à Comunidade:

A Parusia (Domingo)

O Senhor que nos ensinou a dizer: " Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu ", ensinou-nos também que a oração pode abreviar o dia da prova para o mundo (Mt 24, 22). Ele nos exorta a responder ao seu convite: " Vigiai, porque não sabeis nem o dia nem a hora " (Mt 25, 13). " Felizes aqueles servos que o Senhor, à sua chegada, encontrar vigilantes! " (Lc 12, 37).

A Unidade (segunda-feira)

O Senhor começou nesses últimos tempos a infundir abundantemente nos cristãos divididos entre eles o espírito de arrependimento e o desejo de união. Rezaremos para que cesse o escândalo no Corpo de Cristo, suplicando ao Pai de suscitar o diálogo onde há dureza, de inspirar os chefes das Igrejas e de dar a todos a paixão pela Unidade (cf. Jo 17, 22-23).

As vocações (terça-feira)

Intercederemos particularmente pelas vocações sacerdotais porque os campos já lourejam para a ceifa (cf. Jo 4, 35) e os operários são poucos (cf. Lc 10, 2). Rezaremos também por todos os que servem a Igreja de Cristo em diferentes ministérios e graus.
A proclamação do Reino de Deus e a conversão das almas (quarta-feira)
Rezaremos por todos os que proclamam a vinda do Reino de Deus, para que Ele ajude as suas predicações com sinais, com prodígios, com milagres (Heb 2, 4) e também com carismas do Espírito Santo distribuídos a seu bom grado (At 4, 30).

Oração pelo povo de Israel, para que o Senhor realize suas promessas (quinta-feira)

O mistério de Israel é conatural ao mistério da Igreja (cf. Rm 11, 25-26). A multidão dos gentis e a totalidade de Israel têm um destino comum. A intercessão pelo povo hebreu terá um lugar importante e privilegiado na nossa oração pela Igreja universal e pela realização dos fins dos tempos.
As cinco primeiras noites da semana são consagradas a estas intenções de oração. A noite, em Comunidade ou a sós, segundo o uso local, consagraremos um momento de oração para depormos o nosso coração e estas intenções diante do Senhor nosso Deus. As noites de sexta-feira ao sábado e do sábado ao domingo serão reservadas à meditação dos mistérios do Sábado Santo e à espera alegre da Ressurreição.


A liturgia

Ficaremos na espera do retorno do Senhor e desde este mundo nos uniremos à liturgia celeste dos anjos que celebram sem cessar o Deus Altíssimo (cf. Sl 34; Is 6, 3). Assim, pregustaremos na liturgia terrestre a liturgia celeste que se celebra na Santa Comunidade de Jerusalém, onde Cristo se senta à direita do Pai como ministro do santuário o do verdadeiro tabernáculo.
Estimulada pelo testemunho da Igreja primitiva (cf. At 2, 42) a Comunidade dará uma particular atenção à Liturgia, culme da vida da Igreja, fonte de graça e de santificação. Os membros da Comunidade vigiarão para que se tornem um só corpo e uma só alma, manifestando assim na liturgia a unidade do povo de Deus. Na liturgia encontraremos forças vivas para o exercício da caridade e estaremos abertos à acolhida dos outros.
Procuraremos testemunhar a beleza do Senhor e do mundo que há de vir, esforçando-nos particularmente na beleza dos cantos e das celebrações litúrgicas. Também adoraremos o Senhor com uma santa e respeitosa conduta nos lugares onde Ele habita. Revestidos do hábito coral, manifestaremos que, batizados, nos revestimos de Cristo (cf. Gal 3, 27).
Como os cristãos da Igreja primitiva (cf. At 2, 46) seremos fiéis ao convite amoroso do Senhor pela celebração da liturgia das horas: Laudes, Vésperas, Completas e pela celebração da Eucaristia, vértice da nossa oração.

O Louvor

A nossa vocação contemplativa não poderia ser vivida plenamente sem dar graças em todo lugar e em todo momento (cf. Sl 34, 1). Cristo faz de cada um de nós uma nova criatura, um ser de louvor à glória do Pai (cf. Ef 1, 12).
Nossa alegria será o seu Nome porque é belo cantar ao nosso Deus, doce é louvá-lO (cf. Sl 147, 1). O louvor se espalhe em toda a terra e liberte os corações dos crentes de todas as suas cadeias.
Confiantes na promessa de que o Senhor habita no louvor do seu povo (cf. Sl 22, 4), através de nosso louvor acolheremos a presença viva de Deus e anteciparemos a nossa vocação no Reino.

A oração

Deus põe nos nossos corações o desejo de vê-lO face a face para que aspiremos sempre mais à união com o Esposo. Assim a oração, que é diálogo de amor, tem lugar essencial na nossa vida porque por meio dela conhecemos Aquele que é todo Amor (cf. 1 Jo 4, 8).
A prática da virtude deve estar sempre ligada ao exercício da oração. Procuraremos particularmente o desapego, a humildade e o amor ao próximo. Esforçar-nos-emos a fazer ao menos uma hora de oração por dia, em espírito de simplicidade e de humildade, combatendo todas as tentações que nos pudessem afastar deste propósito.
Seguiremos a espiritualidade do Carmelo: praticaremos a oração vocal, procurando aceder à oração mental. Passaremos em seguida ao recolhimento ativo e, com a ajuda da graça divina, à passividade da alma que é abandono total às iniciativas amorosas de Deus. A esta altura, a alma não deseja outra coisa que estar com Deus e ela diz com o apóstolo Pedro: " Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos três cabanas... " (Lc 9, 33). Porém estamos conscientes que este caminho que nos destina à união transformante só pode ser feito passando por uma purificação.
A graça principal da Comunidade é a vida de oração. Cremos que a vida contemplativa nos permite aceder à beatitude que é ver Deus, assemelhando-nos a Ele e atualizando as palavras de São João: " Seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal qual é " (1 Jo 3, 2).
Elias: a existência profética.

A pobreza

Só o homem fascinado por Deus é realmente pobre, ele vive uma desapropriação de si mesmo. Assim a pobreza não deve ser procurada por si mesma, nem deve ser a finalidade de um processo estético, mas deve ser fruto da vida no Espírito.
Nós a amaremos como o ornamento da esposa, como a prova de amor e de pertença exclusiva ao Esposo. Beatitude do pobre pelo Espírito, herdeiro do Reino ainda invisível, como preferir a possessão das coisas visíveis, dos dons naturais e também dos dons espirituais passageiros, a Deus Ele mesmo?
A pobreza é também fonte de grande liberdade, luminosa, alegre e bela. Ao contrário do seu oposto diabólico, a miséria e a avareza, que enfeia e diminui a imagem de Deus que é em nós.
Queremos
ser um testemunho vivo para os homens de nossa geração. A nossa felicidade na terra não é a possessão de bens materiais. A nossa felicidade é amar a Deus e saber que Deus nos ama.

O martírio

A verdadeira pobreza, inseparável da condição de discípulo, é sobretudo espiritual e encontra a sua realização perfeita no testemunho por excelência: o martírio, segundo o que é prometido àqueles que deixarão tudo para seguir Jesus (Mc 10, 29-30).



A castidade

Uma outra forma de pobreza profética é a castidade que todo batizado é chamado a viver, cada um segundo o seu estado de vida, alguns praticando a continência perfeita, particularmente aqueles que se sentiram chamados a observar o celibato pelo Reino dos Céus.
Esta pobreza de coração e de corpo deve ser protegida, evitando-se tudo o que poderia perturbar os sentidos: certas leituras, comidas, distrações e conversas. A célula será o reflexo desta castidade: tudo o que aí estiver deve ser para a Glória de Deus.
Os responsáveis dispensarão um ensinamento médico e psicológico necessários aos casais e aos celibatários para um bom equilíbrio humano. Este ensinamento deve ser conforme a tradição da Igreja, não segundo os modelos do mundo que passa.

Moisés: a obediência

A natureza da obediência é a oblação da vontade própria, para unir-se mais fortemente e mais seguramente à Vontade divina de Salvação (Vaticano II, PC 14). Moisés foi escolhido para guiar o povo de Deus da escravidão à Terra Prometida. Ele é o modelo de obediência no Antigo Testamento que assegura a vitória de Israel (cf. Ex 17, 11) graças à sua confiança no Poder Infinito do seu Senhor.
Cada membro da Comunidade é chamado a seguir o caminho de obediência de Cristo, colaborando assim com a obra de salvação. No desejo de obedecer a Deus, os irmãos e irmãs se submeterão em espírito de fé aos seus responsáveis que eles mesmos escolheram.
Os responsáveis devem sempre lembrar-se que o exercício da autoridade é uma das formas, entre muitas outras, de obediência, e que não constitui uma finalidade em si, mas o meio para algo de mais elevado: o crescimento espiritual dos filhos de Deus. Ele deve agir com espírito de serviço pelos seus irmãos, manifestando assim o amor que o Senhor Jesus tem por eles (Vaticano II, PC 14).

3- Paixão e Ressurreição

Quinta-feira santa

A Ceia, a Eucaristia

O encontro e a amizade com Marthe Robin foi sem dúvida determinante para revelar à Comunidade a sua própria vocação no coração da Igreja. Graças a ela, que muito se assemelhou a Jesus, tocamos as chagas redentoras do Salvador. Ela que durante cinquenta anos só se alimentou com a Eucaristia nos ensinou que o Corpo de Jesus é verdadeira comida. Enfim, ela se ofereceu pelos sacerdotes e por meio dela não cessamos de aprofundar a nossa identidade sacerdotal.
Nos é muito querida a exortação que Marthe Robin deixou-nos, lembrando-nos o caráter oblativo da nossa vocação:
"Toda vida cristã é uma ‘missa’, e toda alma neste mundo é uma hóstia."
A hóstia do nosso sacrifício somos nós mesmos, tudo o que somos, o que temos e o que fazemos. Mas nós devemos ser hóstias sem fermento. Este fermento simboliza o que não é puro, o que é mal, o que não é conforme ao espírito cristão.
Mais do que nunca o mundo precisa de almas santas e generosas que, hóstias vivas, se dediquem inteiramente e sem reservas ao sacrifício, à imolação, ao Amor. Sejamos almas " consagradas e inteiramente oferecidas ", unidas a Jesus Crucifixo. Deus só conhecerá a ação sobrenatural, santificante e fecunda que, no segredo da nossa imolação, realizaremos ao nosso redor.
A Santa Missa será celebrada quotidianamente nas nossas casas. Cada um de nós preparar-se-á à Eucaristia com a oração e a prática frequente da confissão. Depois da comunhão tomaremos o tempo suficiente para a ação de graças. A celebração eucarística é o centro e o ápice da vida comunitária.
Sendo o homem um ser litúrgico, encorajaremos a criação artística como expressão profunda e autêntica desta " admirável troca ": " Deus se fez homem para que o homem se tornasse Deus ", dizem os Padres da Igreja. Esforçar-nos-emos também a participar no domingo, em modo consciente e ativo, da Missa paroquial.

Getsêmani
Os celibatários consagrados na Comunidade

No Getsêmani o Cordeiro derramou sangue pela primeira vez, não por mãos de homens, mas pelo suor de sangue, que testemunha a luta espiritual que Jesus afronta. Ele nos pergunta: “Ainda não resististes até ao sangue? " (Heb 12, 4); " Não fostes capazes de vigiar uma hora comigo? " (Mt 26, 40). A Comunidade inteira, por meio da consagração batismal de cada um de seus membros, tem a vocação de ser “amigo do Esposo " e de vigiar com Ele.
Porém, para que ela realize plenamente esta vocação e fique vigilante na espera do Esposo, é necessário que além dos casais, que exprimem este mistério das Núpcias segundo o carisma que lhes é próprio e proclamando com a fidelidade conjugal o amor indissolúvel de Cristo e de sua Igreja, a Comunidade cultivará no seu seio o carisma do celibato consagrado, dom divino que a Igreja recebe do seu Senhor e ao qual dá um lugar eminente. Este celibato permite viver o mesmo mistério das Núpcias do Cordeiro de modo mais imediato e exprime mais intensamente esta realidade, estando só com o Só.
Alguns irmãos e irmãs, impelidos pela caridade ardente que o Espírito difunde nos seus corações, sentem-se interpelados pelo convite de Cristo no Getsêmani: " Ficai aqui e vigiai comigo " (Mt 26, 38), fazem-se " eunucos por amor do Reino dos céus " (Mt 19, 12) e conservam o celibato procurando ser somente e sobretudo os amigos do Esposo (Jo 3, 29) e aqueles que seguem o Cordeiro onde quer que Ele vá (Ap 14, 4).
Renunciando à vida conjugal e familiar, os celibatários poderão seguir mais livremente a Cristo e imitá-lo melhor. Condividindo mais intimamente a sua solidão no Getsêmani, junto à Cruz com a Virgem Maria, sendo os primeiros a correrem ao sepulcro na manhã de Páscoa, os celibatários manifestarão visivelmente as exigências do Reino, a sua supremacia sobre todas as realidades terrestres e anteciparão mais explicitamente a Ressurreição, onde não há mais nem marido nem mulher, e quando então se realizará o mistério das Núpcias do Cordeiro e a promessa de Isaías (54, 5): " O teu Esposo será o teu Criador ".
Os celibatários consagrados empenhar-se-ão com um fervor especial na luta espiritual, consagrando mais tempo à oração e à espera vigilante do seu Senhor; esforçar-se-ão a que o sal da vocação comunitária não se torne insípido; proclamarão a loucura de Deus que é mais sábia que a sabedoria dos homens e tornarão visível a fecundidade da Cruz. Alguns irmãos e irmãs viverão a vida consagrada em casas mistas, outros vivê-la-ão em casas destinadas a uma vocação especial, somente com celibatários.

Sexta-feira Santa
A Cruz

Com São João da Cruz reconhecemos que a cruz é necessária ao nosso crescimento no Amor, à nossa identificação ao Filho. Amá-la-emos e procurá-la-emos sempre mais na medida em que em nós crescerá o conhecimento desta loucura do amor de Deus, que tanto amou o mundo, e na medida em que conheceremos que ela é fonte de bênção.
Amar até ser transpassado
Encorajaremos a devoção aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria para aprendermos uma verdadeira teologia da misericórdia e nos tornarmos verdadeiramente filhos do " Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação " (2 Co 1, 3) e filhos daquela que, com o sacrifício do seu coração, participou de modo específico à revelação da Misericórdia, isto é, à fidelidade de Deus ao seu amor, e que meritou assim o título de

Mãe da Misericórdia.
Não esqueceremos nunca que o mistério da Cruz é um mistério de amor e que o desejo de participar a este mistério só pode vir de um estímulo de amor. Afastaremos tudo o que nas mortificações ou no desejo das cruzes e das penitências é contrário ao amor.
O testamento deixado por Jesus foi dado na Cruz, e cada palavra sua é uma prova de amor. Mostrou-nos o caminho para que o seguíssemos:
" Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem ": Amor pelos inimigos. 
"Tu estarás comigo no paraíso ": Amar e desejar a salvação dos pecadores.
" Senhora, eis o teu filho! Eis a tua mãe! ": Amar e ver todos os homens como membros
de uma só família, filhos de uma só mãe.
" Tenho sede! ": Amar para dessedentar Deus, porque o Amor é tão pouco amado.
" Tudo está consumado! ": Amar até desejar a consumação do sacrifício de nossa vida.
Amar para que o Amor triunfe.
" Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito... Meu Deus, por que me abandonaste? ":
Amar como uma criança pode amar, no total abandono e na mais completa confiança.

Santa Teresa do Menino Jesus nos fará descobrir este caminho da infância espiritual, na oferta de nós mesmos ao Amor Misericordioso.

Sábado Santo
Vocação de oração pelo povo hebreu

Temos uma " grande tristeza e dor incessante no meu coração. Quisera eu próprio ser separado de Cristo, pelos meus irmãos, esses que são os israelitas... " Ousamos fazer nosso este grito de São Paulo nestes tempos em que a Igreja nos convida a pôr um novo olhar sobre Israel.
Impelida pelo Espírito Santo a Igreja abre as portas a uma verdadeira comunicação com Israel, tocando assim as suas raízes profundas e a sua identidade. Eis porquê a Comunidade espera com toda a Igreja, com fé inabalável e com grande desejo, o acesso desse povo à consumação do povo de Deus instaurado por Cristo.
É verdade que Deus por meio de seu Filho, " fez de dois povos um só " (Ef 2, 14). Por isso, nós pedimos ao Deus de nossos pais, vivo e santo, que manifeste esta unidade. Sentimo-nos chamados a sondar o mistério de Israel, dedicando-lhe nossa oração e nosso amor.

4- Pentecostes

Pentecostes (cf. At 2, 1-4), acontecimento fundamental da história da salvação, inaugura os últimos tempos. Pedro atesta-o na sua pregação, citando o profeta Joel: "  ‘Nos últimos dias sucederá’, di-lo Deus, ‘que eu efundirei o meu Espírito sobre toda a carne, e profetizarão os vossos filhos e as vossas filhas, os vossos jovens terão visões e os vossos anciãos terão sonhos. E sobre os meus servos e as minhas servas efundirei, nesses dias, o meu Espírito e eles hão de profetizar’ " (At 2, 17-18).
Esses tempos finais são também os tempos da Igreja que o Espírito em todas as épocas " unifica na comunhão e no ministério, enriquece-a Ele e guia-a com diversos dons hierárquicos e carismáticos " (LG 4).
Os frutos desse Pentecostes foram principalmente o nascimento da primeira comunidade cristã, na qual " a multidão dos crentes tinha um só coração e uma só alma " (At 4, 32), e a pregação do Evangelho acompanhada de sinais e prodígios (cf. At 5, 12).
Obra do Espírito Santo, a Comunidade deverá desenvolver-se em duas dimensões: a Comunhão e a Missão.

A comunhão

Membro do Corpo de Cristo, a Comunidade deverá sempre considerar como sendo absolutamente vital de reforçar e multiplicar os vínculos filiais que a unem à Igreja. Em cada casa este desejo se traduzirá especialmente por um espírito de serviço e de comunhão com o bispo diocesano e para com a Igreja local.
O responsável da casa encorajará cada um a aspirar aos dons mais elevados (cf. 1 Co 12, 31; 14, 1), fazendo atenção a não extinguir o Espírito, mas a examinar tudo, retendo o que é bom (cf. 1 Ts 15, 19-21).
De fato, a Igreja recorda (LG 33) que todo fiel tem o direito e o dever de exercitar esses carismas, dentro e fora da comunidade eclesial, na liberdade do Espírito Santo e na comunhão com os seus pastores. A Comunidade será pois aberta a receber os carismas, utilizando-os em vista do bem comum e da Igreja.
Porém nós nos recordaremos que o caminho por excelência é o da caridade que não terá fim (1 Co 13). Para manter-se e progredir na caridade os irmãos e irmãs farão, quando necessário, gestos de transparência recíproca, simples ações de humildade e de clareza, evitando toda atitude de acusação.
Assim será eliminado todo gérmen de divisão, dando-se espaço à comunhão fraterna que deseja que " se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os outros membros se alegram com ele " (1 Co 12, 26). Mas o Amor vai além, e cada um deverá ter cuidado com os outros, vendo-os como um dom precioso que Deus lhe deu, procurando estar ao serviço de todos.
A missão "
Disse-lhes Jesus: ‘Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura’ " (Mc 16, 16). Hoje mais do que nunca o mundo tem necessidade de ouvir a palavra de Vida. O senhor nos chama a difundi-la de diferentes maneiras. Este apostolado pode dar frutos somente se provém de um transbordamento de nossa vida contemplativa, onde continuamente retorna a tomar novas forças.
Cada um se sentirá convidado a testemunhar o amor de Cristo em todo lugar e em todo tempo, a levar a alegre esperança do Reino em toda circunstância. Especificamente, a Comunidade organizará missões de evangelização, encontros para anunciar a Boa Nova em diversos lugares: escolas, hospitais, prisões, paróquias. Sempre em estreita relação com o bispo do lugar, procurará responder às múltiplas solicitações com um espírito de serviço e de fidelidade à Igreja que, por natureza, é missionária.
Alguns irmãos e irmãs, segundo as suas competências e os seus carismas próprios, participarão à difusão da fé através da redação de artigos, de livros, com a pregação e o ensino, com manifestações artísticas e espetáculos espirituais.
O apostolado autêntico é acompanhado de manifestações visíveis ou tangíveis da potência do Espírito: sinais, prodígios, milagres que Paulo não exista em chamá-los provas do seu apostolado (cf. 2 Co 12, 12). Intercederemos assim particularmente pelos doentes, os desesperados, os agonizantes, pedindo para eles a graça da conversão e da cura.
Não se poderia proclamar a ressurreição de Cristo e a bem-aventurança que há de vir sem procurar, ativamente, sanar os sofrimentos humanos. Daremos um lugar privilegiado a quantos sofrem na alma e no corpo, procurando serví-los, acolhê-los, curá-los, prover às suas necessidades, dar de novo a própria dignidade a cada homem ferido.
Tal missão requer disposições e competências especiais. A Comunidade confiará a algumas de suas casas este apostolado para os doentes, procurando a qualidade dos cuidados que aí forem dispensados. Além disso, faremos quaisquer esforços para aprofundar o nosso conhecimento do homem, tanto no âmbito médico, fisiológico e psicológico, quanto no âmbito filosófico e teológico.




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