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sexta-feira, 17 de junho de 2011

FIÉIS LEIGOS



A DIGNIDADE DOS FIÉIS LEIGOS NA IGREJAMISTÉRIO
“Eu sou a videira, vós os ramos” (Jo 15, 5)

Christifideles laici (8-17)

Os fiéis leigos não são simplesmente os agricultores que trabalham na vinha, mas são parte dessa mesma vinha... A Igreja é, portanto, a vinha evangélica… Assim, só no interior do mistério da Igreja como mistério de comunhão se revela a « identidade » dos fiéis leigos, a sua original dignidade. E só no interior dessa dignidade se podem definir a sua vocação e a sua missão na Igreja e no mundo.
Ao responder à pergunta “quem são os fiéis leigos”, o Concílio afirma a plena pertença dos fiéis leigos à Igreja e ao seu mistério e a índole peculiar da sua vocação, a qual tem como específico «procurar o Reino de Deus tratando das coisas temporais e ordenando-as segundo Deus». Por leigos — assim os descreve a Constituição Lumen gentium— entendem se aqui todos os cristãos que não são membros da sagrada Ordem, do estado religioso reconhecido pela Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, exercem pela parte que lhes toca, na Igreja e no mundo, a missão de todo o povo cristão”.
Toda a existência do fiel leigo tem por finalidade levá-lo a descobrir a radical novidade que promana do Batismo. Para descobrir a “figura” do fiel leigo, vamos agora considerar… três aspectos fundamentais.
Filhos no Filho: com o santo Batismo tornamo-nos filhos de Deus no Seu Unigênito Filho, Jesus Cristo… tornando-se filhos de adoção e irmãos de Cristo… É o Espírito Santo que constitui os batizados em filhos de Deus e, ao mesmo tempo, membros do corpo de Cristo. Um só corpo em Cristo: Regenerados como “filhos no Filho”, os batizados são inseparavelmente “membros de Cristo e membros do corpo da Igreja”.
Templos vivos e santos do Espírito: O Espírito Santo “unge” o batizado, imprime-lhe a Sua marca indelével e faz dele templo espiritual, isto é, enche-o com a santa presença de Deus, graças à união e à conformação com Jesus Cristo.
Os fiéis leigos participam, por sua vez, no tríplice múnus sacerdotal, profético e real de Jesus Cristo... Participam no múnus sacerdotal, pelo qual Jesus se ofereceu a Si mesmo sobre a Cruz e continuamente Se oferece na celebração da Eucaristia para glória do Pai e pela salvação da humanidade…; no múnus profético de Cristo, que habilita e empenha os fiéis leigos a aceitar, na fé, o Evangelho e a anunciá-lo com a palavra e com as obras, sem medo de denunciar corajosamente o mal…; no Seu múnus real e por Ele são chamados para o serviço do reino de Deus e para a sua difusão na história.
Em virtude da comum dignidade batismal, o fiel leigo é corresponsável, juntamente com os ministros ordenados e com os religiosos e as religiosas, da missão da Igreja.… “A índole secular é própria e peculiar dos leigos”. Eles “são chamados por Deus para que aí, exercendo o seu próprio ofício, inspirados pelo espírito evangélico, concorram para a santificação do mundo a partir de dentro, como o fermento, e deste modo manifestem Cristo aos outros, antes de mais, pelo testemunho da própria vida, pela irradiação da sua fé, esperança e caridade”.
Todos na Igreja, precisamente porque são seus membros, recebem e, por conseguinte, partilham a comum vocação à santidade...
“Todos os fiéis são convidados e têm por obrigação tender à santidade e à perfeição do próprio”… A vocação à santidade mergulha as suas raízes no Batismo.
A vocação dos fiéis leigos à santidade comporta que a vida segundo o Espírito se exprima de forma peculiar na sua inserção nas realidades temporais e na sua participação nas atividades terrenas...
A dignidade cristã, fonte da igualdade de todos os membros da Igreja, garante e promove o espírito de comunhão e de fraternidadee, ao mesmo tempo, torna-se o segredo e a força do dinamismo apostólico e missionário dos fiéis leigos.
Palavra de Deus “Eu sou a verdadeira videira e o meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que não dá fruto em mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. “Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15, 1-5);
“Porque àqueles que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem uma imagem idêntica à do seu Filho, de tal modo que Ele é o primogênito de muitos irmãos. E àqueles que predestinou, também os chamou; e àqueles que chamou, também os justificou; e àqueles que justificou, também os glorificou.”  (Rm8,29-30).
“E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abbá! – Pai!” (Gl 4,6).
“O espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu: enviou-me para levar a boa nova aos que sofrem, para curaros desesperados, para anunciar a libertação aos exilados e a liberdade aos prisioneiros; e para proclamar um ano de graça do Senhor, o dia da vingança da parte do nosso Deus, para consolar os tristes” (Is 61,1-2).
“E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando graças por Ele a Deus Pai” (Cl 3,17).
“Que vos parece? Um homem tinha dos filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha.’ Mas ele respondeu: ‘Não quero. ’ Mais tarde, porém, arrependeu-se e foi.
Dirigindo-se ao segundo, falou-lhe do mesmo modo e ele respondeu: ‘Vou sim, senhor’. Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?” (Mt 21,28-31).

Padre Usera

Deus fez o homem muito superior a tudo o que criou, não em robustez, não em força, não em agilidade, nem na subtileza dos seus sentidos, mas pelo seu nobre e elevado entendimento e pelo livre uso do seu arbítrio.
O Filho de Deus dignou-se descer dos céus e, cheio de amor pelos homens, fez-se homem.
Deus distribuiu o mundo em alegres e férteis campinas; em elevadas colinas... E tanto assombro e tanta perfeição se criavam exclusivamente para o homem; para este ser perfeitíssimo ao qual Deus fez à sua imagem e semelhança, muito superior, por conseguinte, a tudo o que criou.
O Filho de Deus, cheio de um amor infinito, chamou irmãos a todos os homens, fazendo-os igualmente filhos da piedosíssima Virgem Maria. O cristão vê em cada homem um verdadeiro irmão; mas um irmão ao que se sente ligado com vínculos mais sagrados e mais fortes que os do sangue. E as crenças piedosas, as máximas consoladoras, as ternas práticas da sua religião, que o unem com Deus, Pai comum de todos, também o ligam intimamente aos seus semelhantes.


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