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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Desapego e Autoconhecimento

DO DESAPEGO DE SI MESMO
Santo Afonso Maria de Ligório

O desprendimento mais importante e necessário é o de si mesmo, isto é, da própria vontade. Quem sabe vencer-se a si mesmo, facilmente vencerá a todas as outras dificuldades. A vitória sobre si mesmo era o que São Francisco Xavier recomendava mui particularmente a todos os que aspiravam à perfeição. E o divino Salvador a impõe como dever a todos os que desejam segui-lo: “Se alguém quiser seguir-me, abnegue-se a si mesmo” (Mt l6, 24). O compêndio de tudo o que devemos fazer para nos salvar é esta palavra única: Abnegação própria.
Nós devemos amar a Deus da maneira que lhe agrada e não como nos apraz. Deus quer que nossa alma esteja vazia de tudo, para que a possa encher com seu amor e uni-la a si. Santa Tereza diz que a oração da união não é outra coisa que a indiferença a mais completa a respeito das coisas do mundo, junto com o desejo de possuir unicamente a Deus. É certo que Deus tanto mais intimamente nos unirá consigo e nos encherá com sua presença, quanto mais completamente renunciarmos às inclinações naturais, por seu amor. Muitos desejam, sim, chegar à união perfeita com Deus, mas não querem suportar as adversidades que Nosso Senhor lhes envia; não querem sofrer nem pobreza, nem injúrias. Ora, enquanto não se entregarem sem restrição à vontade de Deus, não chegarão à união perfeita.
“Para se chegar à perfeita conjunção com Deus”, diz Santa Catarina de Gênova, “deve-se passar por tribulações. Estas são os meios de que Deus se serve para nos purificar de todas as más inclinações. As injúrias, o desprezo, as doenças, a pobreza, as tentações, as contrariedades nos são enviadas só para que tenhamos ocasiões bastantes de combater e subjugar as nossas paixões, de tal forma que desapareçam por inteiro. Não basta as adversidades nos parecerem menos desagradáveis, é preciso que o amor divino no-las torne doces e desejáveis, para chegarmos à perfeita união com Deus”. Ajunto ainda o que nos recomenda São João da Cruz, para atingirmos essa conjunção íntima e completa com Deus: “Devemos mortificar cuidadosamente os próprios sentidos e desejos. Quanto aos sentidos, devemos renunciar, por amor de Jesus Cristo, a toda a satisfação que não tem por fim a glória de Deus. Se, por exemplo, sentimos o desejo de ouvir ou ver coisas que não são próprias para nos aproximar de Deus, devemos renunciar a elas incontinenti. Quanto aos desejos, devemos procurar sempre o que é mais penoso, mais desagradável, mais pobre, sem aspirar à outra coisa que a padecer e ser desprezado”.
Numa palavra: Quem ama verdadeiramente a Jesus, expele de seu coração todo o apego aos bens terrenos e procura desprender-se de tudo para unir-se mais perfeitamente com seu Salvador. Todos os seus desejos só têm a Jesus por objeto, sempre pensa nele, sempre suspira por ele, em todo o lugar e ocasião só a Jesus deseja agradar Para se chegar, porém, a esse ponto, deve-se tratar de expulsar do coração toda a afeição que não tende para Deus. Que deve mais fazer uma alma para se entregar incondicionalmente a Deus? Primeiro, evitar tudo o que possa desagradar a Nosso Senhor e fazer tudo o que lhe é agradável. Segundo, aceitar, em santo abandono, tudo o que lhe enviar sua santa mão, por mais duro e incômodo que seja. Terceiro, preferir, em todas as coisas, a vontade de Deus à própria. Dessa forma sacrifica-se ela por inteiro e sem reserva a seu Deus e Senhor.


O conhecimento de si próprio

Por Padre Anselmo Longpré
da Fraternidade São Pio X
O Amor próprio – O Amor das Riquezas
Meio para deles se libertar
Sinais que nos permitem reconhecer as nossas afeições e maneira de as combater

I SINAIS DE AFEIÇÃO ÀS RIQUEZAS

01.Solicitude, preocupação, diligência em adquiri-las: “Não vos inquieteis pela vossa vida: que haveis de comer ou que haveis de beber; nem pelo vosso corpo: que haveis de vestir” (Mt 6,25).
02.Medo que falte alguma coisa: “Quando vos enviei sem bolsa, nem alforge, nem sandálias, faltou-vos alguma vez alguma coisa?”(Lc 22,35).
03.Grande preocupação pelo futuro: “Buscai primeiro o Reino de Deus, e tudo mais vos será dado em acréscimo” (Lc 12,31).
04.Busca de luxo nas habitações, na mobília, nos meios de transporte, na mesa, etc.: “Posto que não temos aqui cidade permanente, mas vamos em busca da futura” (Hb 13,14).
05.Não estar nunca contente nem satisfeito com que se tem: “Quando, porém, temos o que comer e o que vestir, com isso nos contentaremos.Mas aqueles que querem enriquecer caem em tentações, em laços e em muitas cobiças insensatas e nocivas, que mergulham os homens na perdição e na ruína.Com efeito, a raiz de todos os males é a cobiça do dinheiro, na qual alguns se desviam da fé, atormentando-se com muitas aflições” (I Tm 6,8-10).
06.Cobiçar as riquezas: “Aos ricos deste século recomenda que não sejam altivos, nem ponham a esperança em riquezas incertas, mas em Deus, que nos dá todas as cosias com abundâncias, para delas usarmos” (I Tm 6,17).
07.Agir com espírito de propriedade e agarrar-se ao que se tem: “Não entesoureis para vós tesouros na terra (…) mas entesourai tesouros no céu” (Mt 6,19-20).
08.Dar esmola recalcitrando: “Mas quando tu deres esmola, não saiba a tua esquerda o que faz a tua direita” (Mt 6,3).
09.Ter estima e consideração pelos ricos e pouca consideração pelos pobres: “Mas ai de vós, ricos!…Ai de vós, que estais agora fartos!”; “Bem aventurados os pobres em espírito” (Lc 6,24-25; Mt 5,3).
10.Apoiar-se nas riquezas ao fazer apostolado: “Não ponham esperança em riquezas incertas, mas em Deus” (I Tm 6,17).
Para Combater a Afeição às Riquezas
01.contentar-se com o necessário e verdadeiramente útil, no alojamento, mobiliário, alimentação, vestuário, etc..
02.Estar contente com o que se tem e agradecer a Deus o que Ele nos dá.
03.aceitar alegremente a falta, por vezes, do útil e mesmo do necessário.
04.nunca se queixar das incomodidades da pobreza.
05.não se agarrar ao que se possui ou ao que se usa: quarto, livros, vestuário, meios de transporte, etc..
06.Não se entristecer com as perdas que acontecem.
07.Dar generosamente conforme os seus meios.
08.Aceitar, por vezes, prestar serviços gratuitamente.
09.Amar e visitar os pobres.
10.Tratar com cuidado e economizar as cosias de nossos uso.
11.Adaptar a maneira de viver da gente do povo, dos trabalhadores normais.
12.Moderação na utilização das comodidades modernas.
13.Não se associar em negócios temporais, investimentos especulativos, pequenas “habilidades” que dão lucro, etc..

IISINAIS DE AFEIÇÃO AOS BENS DO CORPO
A SAÚDE – O REPOUSO – AS SATISFAÇÕES – O CONFORTO

01.O desejo da estima dos homens, a complacência nos louvores.
02.O afeto às suas idéias, à sua maneira de ver e agir.
03.A teimosia, a obstinação na defesa do seu ponto de vista.
04.A independência, que leva a agir a seu modo, a desprezar o conselho dos outros, a subtrair-se à obediência.
05.A impaciência e a cólera perante a oposição.
06.A artimanha para chegar aos seus fins.
07.A presunção e a temeridade.
08.A susceptibilidade, que não pode suportar nenhuma observação.
09.A arrogância, que leva às palavras que ferem.
10.A ostentação, a afetação, que leva a fazer gala do seu saber, das suas relações, da sua influência.
11.A desobediência aos superiores e o pouco casa deles.
12.O hábito de tudo criticar, de tudo julgar, de tudo condenar.
13.A preguiça intelectual; crê-se dispensado de estudar.
14.O amor das novidades, o entusiasmo pelo inédito.”Guarda o depósito, evitando as vaidades profanas de palavras e as contradições de uma pretensa ciência” (I Tm 6,20).
Para Combater As Afeições Ao Amor Próprio
01.Desconfiar de nós mesmos, dos nossos pensamentos, dos nossos julgamentos, das nossas idéias.
02.Pedir conselho com freqüência, e aceitar com alegria aqueles que nos dão.
03.Viver na obediência a um superior.Submeter-se, em espírito e coração, à Igreja e suas autoridades.
04.Combater as afeições assinaladas com atos opostos.

IV SINAIS DE AFEIÇÃO Á VONTADE PRÓPRIA

01.O desgosto, a apatia e a negligência em fazer um trabalho que não seja de sua escolha.
02.A inconstância, o capricho e a moleza no cumprimento do dever.
03.A indecisão, que faz com que se queira e não se queira.
04.A tristeza, o desencorajamento, o abandono da tarefa empreendida, perante dificuldades.
Para Combater as afeições à vontade própria
01.Nada fazer por nós próprios, mas submeter a nossa vontade, em tudo, à dos Superiores.
02.Não procurar fazer o que nos agrada, mas o que agrada a Deus e nos é pedido pelos Superiores.
03.Obedecer sem réplica mesmo nas mais pequenas coisas.
04.Ser fiel ao seu regulamento de vida.

V SINAIS DE AFEIÇÃO DO CORAÇÃO

01.Amar alguém sobretudo por causa das suas qualidades naturais.
02.Procurar a companhia dessa pessoa pelo prazer que nisso se tem.
03.Estar incessantemente inquieto e atormentado a seu respeito.
04.Irritar-se com os que não partilham os mesmos sentimentos.
05.Aceitar e oferecer mutuamente prendas.
06.Dar provas sensíveis de afeição.
07.Guardar a sua simpatia para os amigos e receber friamente os outros.

VI SINAIS DE AFEIÇÃO ESPIRITUAL

1.Orgulho espiritual
a)- Estar satisfeito consigo e não ver o que falta aperfeiçoar.
b)- Colocar-se como mestre e julgar os outros com severidade.
c)- Fazer grandes projetos e negligenciar os deveres do seu estado.
d)- Deleitar-se com a leitura dos autores espirituais sem cuidar de pôr em prática o que eles ensinam.
e)- Não ver a distância que existe entre o conhecimento teórico do Evangelho e a imitação de Jesus Cristo.
f)- Julgar-se avançado no caminho da perfeição e desprezar os outros.
g)- Sentir despeito a seguir às suas faltas e vergonha em declará-las na confissão.
h)- Procurar desculpar as suas faltas e defender-se quando se é acusado.
i)- Precipitação e pressa no estudo das coisas menos importantes para a salvação.
2.Avareza espiritual e inveja
a)- Nunca estar satisfeito com o que Deus dá.
b)- Tristeza, ciúme dos bens espirituais que se descobrem nos outros.
c)- Procurar rebaixar os outros, tentar provar que não são tão santos como se diz.
d)- Afeição a certas formas de piedade, aos seus métodos
3.Luxúria Espiritual
a)- Procurar as amizades sensíveis, com o pretexto de progresso espiritual.Necessidade de se expandir.
b)- Afeiçoar-se ao seu confessor, ao seu diretor, por motivos demasiado humanos.
c)- Simpatias demasiado humanas para com certas pessoas e antipatia para com outras.
4.Avidez espiritual
a)- Afeiçoar-se imoderadamente às consolações sensíveis que Deus às vezes concede, como um meio, mas que não se devem buscar como um fim.
b)- Procura de si próprio no apostolado exterior; necessidade de atrair a si, de ser o centro.Comprazimento nas suas obras.
5.Preguiça espiritual
a)- Arrastar-se na vida espiritual, porque já não se encontra gosto nela.
b)- Desgosto no trabalho da sua santificação, logo que se trate de avançar pela “via estreita”.
c)- abandono dos meios de santificação ao nosso alcance, na espera de meios imaginários.
d)- Tristeza, pusilanimidade, perante os esforços para se santificar.
e)- Deixar para mais tarde o que se devia fazer hoje.
6.Cólera espiritual
a)- Impaciência e amuo com Deus, que não nos dá o que se pede.
b)- Zelo amargo em relação ao próximo, necessidade de admoestar.
c)- Falta de doçura para consigo próprio, á vista dos nossos defeitos e imperfeições.
d)- Rudeza insuficientemente dominada pela paciência.

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