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domingo, 12 de junho de 2011


Cem Anos de Restauração do Carmelo Brasileiro
----------A Vinha do Carmelo, como Israel do Egito. Foi transportada para a Terra Prometida. Como ramo de Jessé brotou bem verde, Nas verdes Terras do Carmelo Brasileiro Se América Espanhola outrora foi Descalça, A América Portuguesa viveu do Antigo Tronco. Aqui chegaram, os Carmelitas e construíram.
----------Capelas, igrejas e monumentos em honra de Maria. Enfraquecidos pelo tempo e desgastados, Perseguidos, desprezados, envelhecidos, Só restaram seis heróis remanescentes, Que agüentaram e defenderam a fé da gente.
----------A Vós todos Carmelitas de ontem, a Glória Aos Antigos Sodalícios, nosso respeito e apreço. A vós restauradores do Carmelo: Espanhóis, Holandeses,Alemães e Malteses, Muchas gracias.
100 Anos de Restauração
--------Com esta missa solene, a Província Carmelitana de Santo Elias encerra as festividades do CENTENÁRIO DA RESTAURAÇÃO DO CARMELO NO BRASIL, disse o Provincial frei Geraldo D´ Abadia.
--------Viva a Família Carmelitana.. E uma salva de palmas demorada, e a música a toda altura, e os 65 padres Carmelitas com quase mil pessoas ali presentes, e o conjunto de frei Atanael, e a Ordem Terceira do Carmo vibraram na Basílica do Carmo da rua Martiniano de Carvalho em São Paulo. Rolou um clima de festa e alegria. Mas para que este final fosse feliz muito trabalho foi realizado.
--------Comecemos com o que aconteceu antes:
--------Já na sexta feira, dia 9, a Ordem Terceira do Estado de São Paulo havia chegado em número reduzido para a preparação do jantar do dia seguinte para oitenta padres da Congregação Geral. Numa casa onde impera a ordem, a desordem incomoda. E incomodou mesmo. Homens e mulheres descascam bacias de cebolas e são obrigados a chorar sem motivo. Outros raspam cenouras, outros preparam a carne, outros a verdura, mas a satisfação é a mesma: Somos carmelitas, somos uma família, somos irmãos e a Virgem do Carmo é nossa Mãe. É o que diziam enquanto trabalhavam juntos.
--------Logicamente este povo todo teve que dormir no convento, pois o trabalho era muito. A Ordem Terceira de Mogi ficou com o jantar. O lanche que seria servido para 600 visitantes ficou por conta dos Terceiros Carmelitas. E eles também se misturaram com os outros e armaram suas tendas. Tudo respirava família carmelitana em festa.
--------Terceiras foram convidadas e convocadas pelo Pe. Provincial. Algumas Irmãs Carmelitas da Divina Providência e as Irmãs Missionárias de Santa Terezinha chegaram mais cedo. Elas deveriam armar as tendas dentro do salão vermelho do convento, expondo suas publicações e objetos religiosos.
--------Não demorou para que os ônibus congestionassem a estreita rua Martiniano de Carvalho. Chegou primeiro Mogi. Chegou Rio de Janeiro. Chegou Angra e chegaram muitos outros, cada um se encontrando à maneira de passarinhos em clima de algazarra. .Que bom encontrar você! Que bom a gente se ver.. E as várias cidades trocavam frase de amizade. Jaboticabal se fez presente com um bom número de terceiros e algumas monjas os acompanhavam. Muita gente nova. Parabéns!
--------O pároco, frei João Carlos, contratou oito guardas de fardas pretas e bem caracterizados, não portando armas, para controlar toda a casa nos três andares do convento e da Igreja. O convento e a igreja estavam de portas escancaradas para receber todos os filhos e filhas legítimos de Deus. Os guardas, explicou o pároco, estão aqui para proteger tão grande número de pessoas dos cinco continentes ali reunidos. A casa, digo melhor, os corredores de baixo e os salões estavam superlotados, de repente se viu e ouviu um alvoroço. Um movimento pacífico mas agitado. Era a chegada de Frei Nuno, ex Diretor Provincial da Ordem Terceira Carmelitana que chegara de carro, juntamente com frei Bento Caspers.
--------O primeiro com oitenta anos e o segundo com 92 anos.
--------Vestido de carmelita, de capa branca, sentado em uma cadeira de rodas, zelado por um enfermeiro, lá estava frei Nuno, sem voz mas não sem alegria. Ele que trabalhou tantos anos com os Terceiros, voltava como o bom pastor para suas ovelhas. Muitos e muitas choravam e sorriam, abraçando frei Nuno e frei Bento e eles estavam radiantes, quase que poderiam dizer: Nunc dimitis servum tuum, Domine; Agora posso morrer, Senhor, porque meus olhos viram o sonho sempre sonhado por todos nós: Ver toda a Família Carmelitana reunida. Isto é pura verdade, pois a revista que frei Nuno teimosamente edita é: Família Carmelitana.
--------Outras estrelas de primeira grandeza brilharam também neste dia. Dom Vital, Bispo emérito de Itaguaí, frei Pedro Caixito em seus passos lentos. Estes quatro velhos troncos sustentam em nossa província a árvore da Família Carmelitana que o Profeta Elias plantou e o Profeta Eliseu regou e floresceu pelos séculos, estendendo seus ramos pelos cinco continentes.
--------E os cinco continentes estavam ali representados. A Ordem do Carmo estava reunida, há cinco dias, na Casa de Retiro Santa Fé dos Padres Jesuítas. Assustados, os padres da congregaçao geral logo que chegaram, misturaram-se com tantos carmelitas, homens e mulheres que os esperavam.
--------Primeiramente admiraram a construção do convento, limpo e enfeitado, povoado por várias idades. Depois o claustro todo arrumadinho como se tivesse acabado de tomar banho. A fonte que não é a do profeta Elias, salpicava água nos transeuntes, como aspersão de água benta, quase todos fugiam dela.O dia estava claro e se esquentava, parecia um cartão postal da Inglaterra, em tempo primaveril. Agora vocês imaginem a confusão. Quanta gente se encontrando, alguns vendendo objetos religiosos, parecia o templo de Jerusalém no tempo em que Jesus o visitou, antes de sua morte. Faltaram banheiros, os espanhóis perguntavam por .aseos., os de língua inglesa por .restroom. e os portugueses pela sala de banho. Mas todos estavam querendo a mesma coisa. Levei-os para o andar de cima e eles me agradeceram. Mas também quem não agradece nestas horas? Aproveitei para mostrar-lhes a capela, os quartos com portas uniformemente da cor do hábito carmelita, os corredores compridos. Eles admiraram, outros exclamaram .beautiful., outros diziam .precioso.. Mas não se esqueceram da pergunta. Quantos moram aqui? Um retardatário, que nos alcançou à certa altura, mastigou esta frase. .Veel mooi. e outro admirando o novo terceiro mundo, disse .everythings old.. Muito antigo.
--------A Missa
--------A missa estava marcada para as quinze horas, mas só aconteceu mais tarde, pois antes houve apresentação do Carmelo no Brasil. Dois telões de mais de três metros foram postos junto aos púlpitos da Basílica.
--------Computadores com seus operadores a postos projetavam o logotipo dos três círculos entrecortados com os três pilares da espiritualidade carmelitana. Vocês já sabem, mas vou citar. Fraternidade, Oração e Missão. Os tempos modernos nos fazem esquecer nossas raízes e a gente vai perdendo a identidade...e algo mais.
--------Frei Atanael fez bonito com seu conjunto de sete membros de idades misturadas. Cantaram animando o evento. Havia sanfona, dois violões, um triângulo e um chocalho. O bonito foi o canto do glória. Poislibertada do sentimento de culpa a alma dos presentes cantou alegria de estar livre para amar. .Deixa a glória de Deus brilhar, brilhar.. E brilhou mesmo.
--------Ah sim, antes, as bandeiras dos países que trabalharam na América Latina conjuntamente com a do Brasil, foram colocadas no ambão do lado das autoridades. Na liturgia da Palavra a Bíblia envolvida na bandeira do Brasil entrou rodeada por quatro velas acesas. Uma senhora dançou decentemente ao som da música festiva e muitas palmas até ao altar onde foi recebida. Os nórdicos não bateram palmas. O Prior Geral sim. Os asiáticos também. Acredito que o silêncio deles foi por falta de costume. Liberdade de expressão. Viva a diversidade Na homilia o Prior Geral pronunciou esta mensagem: Vale a pena ler e meditar.
--------Homilia
-------- Estou convicto de que todo carmelita partilha da mesma vocação. É claro que cada carmelita deve viver sua vocação de acordo com seu modo de vida em particular- monjas enclausuradas, religiosos e ou sacerdotes, e leigos e leigas. Cada carmelita deve viver em obséquio de Jesus Cristo, inspirado no exemplo de Maria, a Mãe de Jesus, e do profeta Elias. Jesus Cristo é a pessoa mais importante em nossas vidas e todos nós nos comprometemos a viver sua mensagem, seu Evangelho. Com esse cenário, os valores fundamentais para todo carmelita são a fraternidade, o serviço e a oração. O valor que mantém unidos é a contemplação. Ser contemplativo(a) não significa viver em estilo de vida em especial, mas refere-se ao nível de amizade que o indivíduo tem com Jesus Cristo. Essa amizade não se dá no nível das palavras, mas é vivida na prática pela encarnação dos valores de Cristo.
--------Mediante essa profunda amizade com Jesus Cristo, ele realiza nossa transformação a fim de que alcancemos o desejo para o qual fomos criados . para sermos membros vivos da família de Deus, capazes de ver como Deus, vê e de amar como Deus ama. A contemplação não pode ser um meio de egoísmo, mas deve se expressar através de alguma forma de serviço ao próximo.
--------A transformação que vem desse relacionamento profundo com Jesus Cristo é em si profunda e radical no sentido de que as raízes de nossa existência devem ser transformadas. A transformação do coração humano é o trabalho de Deus, mas devemos cooperar com a graça de Deus que recebemos. Cooperar com a graça de Deus nem sempre é fácil. Como ouvimos na primeira leitura (Rute 1, 6-18). Rute precisou deixar seu próprio povo para ir a uma terra estrangeira e aprender costumes estrangeiros. Por sua fidelidade à graça ela se tornou uma antepassada do Rei Davi, e do próprio Jesus Cristo. Deus busca nossa cooperação, com ela realiza maravilhas que vão além de nossa imaginação.
--------No começo de seu ministério, Jesus acreditou que havia sido enviado apenas às ovelhas pedidas da casa de Israel e, em resposta, enviou seus discípulos ao mesmo povo. Contudo após a ressurreição, ele compreendeu que seu ministério tinha como meta os confins da terra e que seus discípulos deviam agir em seu nome. Aqueles que pregaram o Evangelho em outras terras foram muitas vezes heróis e heroínas e deram suas vidas dando testemunho de Cristo.
--------Todos eram seres humanos e cometeram erros e permitiram que o preconceito manchasse sua compreensão do Evangelho. A historia do Carmelo na América Latina é rica em personagens que se doaram irrestritamente á causa de Jesus Cristo. Infelizmente, outros distorceram o Evangelho ou retardaram seu crescimento. Todos eles, os bons e os que não eram tão bons, são membros de nossa família e oramos por todos eles.
--------Também recebemos a ordem de Cristo de ir a todas as nações, batizar as pessoas e ensinar a elas a observar tudo que Cristo nos ensinou. Devemos ter a certeza de conhecer o que Cristo nos ensinou, permitir que essa mensagem penetre em nossos corações e transforme nossa conduta. Só assim poderemos ser testemunhas não apenas pelo que dizemos, mas pelo que vivemos.
--------Como carmelitas, estamos orgulhosos de ter Nossa Bem .Aventurada Senhora e o Profeta Elias como nossa inspiração. Os dois permitiram que a Palavra de Deus transformasse suas vidas. Nossa Senhora é a primeira e mais perfeita seguido ra de seu Filho. Ela disse .sim . a Deus na alegria da Anunciação e na tristeza aos pés da cruz. Todos nós dissemos .sim. a Deus. Devemos ter a certeza de que esse .sim. não é uma palavra sem sentido, mas que ela expresse toda nossa vida para que sejamos evangelizadores como Jesus Cristo quer que sejamos. Rezemos para que sejamos capazes de olhar a criação com os olhos de Deus e amar o que vemos com um amor divino.
--------Após esta homilia proferida pelo prior geral, seis moças de cabelos longos fizeram uma coreografia encenando uma música com vários movimentos.
--------Foi muito bonito! As preces da comunidade foram feitas em de acordo com os continentes e não por conteúdo. Espanhol, Português de Portugal, Inglês, Indiano, uma língua nativa da África, Italiano, Holandês. Foi diferente, disse frei Carlos Mesters, mas Deus que confunde todas as línguas e entende todas elas, como fez em Babel e em Pentecostes, há de aceitar todas, elas sem dúvida nenhuma. O que apareceu em todas as preces foi à expressão Família Carmelitana. Todos devem ter rezado por um Carmelo sem fronteiras, ou melhor, globalizado, como a Virgem Maria profetizou: Todas as gerações me chamarão de Bem aventurada.
--------O Provincial da Holanda retribuiu a fala do Provincial do Brasil na Holanda no ano passado com as seguintes palavras: .É uma grande alegria para nós carmelitas da Holanda participar do centenário de restauração da Província de Santo Elias, pois, nós holandeses aprendemos muito com os carmelitas do Brasil. Aqui as Comunidades Eclesiais de Base foram gestadas e estão vivas, testemunhando uma espiritualidade libertadora. Aqui aprendemos a fazer Opção pelos Pobres. Aqui vemos os bons ventos do Concílio Vaticano II sendo vivenciados. Aqui há cristãos que estão comprometidos com as causas de libertação dos pobres. Aqui há pastorais sociais que alavancam resgate da dignidade dos pobres. Parabéns a toda a Família Carmelitana e muito obrigado pelo testemunho que nos faz mais humanos e carmelitas.. Acho que a missa foi somente isto. Ah. Uma palavra de louvor a Frei Atanael e seu conjunto com um ritmo bem brasileiro e bem animado.
--------Ao terminar, Frei Carlos se lembrou de algo muito importante: Agradecer a Virgem do Carmo e aos muitos confrades, cujos ossos repousam em paz ao lado do altar mor. Então todos, padres e povo, idosos e novos, se voltaram para Nossa Senhora do Carmo, a Senhora do Lugar, e cantaram ao som da sanfona o Flos Carmeli tradicional. Foi bonito, ficou carmelitano, foi como todos nós queríamos que fosse. Nossa Senhora do Carmo deve ter ficado alegre com a homenagem. O Prior Geral e o Provincial chamaram para junto do altar os padres holandeses ali presentes para na pessoa deles homenagear os antepassados que repousam em silêncio ali ao lado no jazigo do Carmo. Foi lembrado nominalmente Frei Canísio Blenke, o construtor do Convento e da Igreja do Carmo de São Paulo.
--------Depois de uma salva de palmas demorada o Prior Geral terminou com voz firme.
Viva a Família Carmelitana!. Em vez do Amém final, ouviu-se Viva. E o Provincial do Brasil completou dizendo. .Com esta missa damos por encerradas as comemorações do centenário da Restauração do Carmelo no Brasil..
--------O jantar foi muito bem preparado pelos muito fiéis irmãos e irmãs terceiros. E todos saborearam da riqueza do cardápio. Agora, meu amigo,você que nos acompanhou até aqui, agora é a nossa vez de continuar a caminhada. .Levanta-te e come, tens um longo caminho a percorrer.. É o caminho da nossa história daqui para frente.
Por frei Felisberto Caldeira


Centenário de Restauração da Província Carmelitana de St. Elias Primeiras Faíscas
Por Frei Gilvander Moreira
----------Uma equipe de preparação da Assembléia da Província e de preparação do I CENTENÁRIO DE RESTAURAÇÃO DA PROVÍNCIA CARMELITANA DE SANTO ELIAS foi constituída por Frater Henrique Cristiano Matos, frei Osmar Resende, frei Carlos Mesters, frei Gilvander, frei Carmelo Cox e frei Pedro Jansen. Em vários momentos tivemos a participação do provincial frei Geraldo D’Abadia.
----------Em diversas reuniões, dia inteiro, na Lapa/RJ, acabou saindo inúmeras faíscas da História da Província Carmelitana. Partilhamos com os confrades, abaixo, com o intuito de nos ajudar na preparação do nosso Centenário de Restauração da nossa Província.
----------Durante muito tempo reinou um preconceito entre os freis da Holanda e os freis holandeses que vieram trabalhar no Brasil. Os freis da nossa Província, por muito tempo, quando iam de férias para a Holanda, não visitavam os conventos dos carmelitas na Holanda, pois diziam que tinham ouvido que viriam para o Brasil “só os burros”.
----------Frei André Prates foi provincial. Não podemos esquecer frei Manoel Baranera Serra que veio para o Brasil e mais tarde se tornou Conselheiro Geral. Foi provincial na Bahia. Ele escreveu uma história da Província, que foi publicada na Revista Mensageiro do Carmelo.
----------Vieram dois malteses também para ajudar na restauração da nossa Província.
----------A Província Fluminense nasceu em 1720.
----------Eduardo Hoonarte diz que os carmelitas tiveram uma importância grande na Amazônia. Em 1750 havia 561 carmelitas no Brasil. 182 da Província Carmelitana de Santo Elias. Em 1764, eram 257 carmelitanas na nossa Província. Em 1780, éramos 180. Em 16 anos diminuíram 77.
----------Em 1762 começa a animosidade do Marquês de Pombal contra as Ordens Religiosas. As mesmas leis de Portugal vieram para cá. Em 1774 aconteceu a Lei proibindo os noviciados. Por que o Governo tomou tais medidas? Havia já uma decadência interna nas próprias famílias religiosas.
----------Em 1950 os carmelitas da nossa Província foram refundar os Carmelos em Portugal. Fizeram um grande prédio lá que causou uma dívida enorme.
----------Em 1963 a Província deixou de ser Fluminense e passou para Carmelitana de Santo Elias. Frei Crisóstomo mudou o nome, porque Fluminense é time de futebol. “Assim não pegava bem”, pensava o frei Crisóstomo.
----------O convento de Santo Antônio na Concórdia, no Rio de Janeiro, era dos Carmelitas. Hoje pertence aos franciscanos.
----------Em 1783, haveria capítulo, mas o vice-rei entrou e disse que não podia realizar o capítulo, porque os freis eram muito relaxados e mandou escrever um livro sobre os carmelitas. O vice-rei mandou reformar os carmelitas.
----------Frei Carmelo: “Nossa província existe ainda por milagre.”
----------Frei Tomé da Madre de Deus Coutinho foi um bárbaro. Frei Antônio ficou demente e era abraçado por outro frei. Na semana santa o vice-rei foi ao convento e foi abraçado pelo frei demente. O frei Tomé ficou furioso. Mandou buscar o frei Antônio e bateu com uma vara até deixá-lo semi-morto. Parece que o vice-rei em conluio com o frei Tomé estavam querendo tomar as terras dos carmelitas. Por trás estaria a disputa por terras.
----------Frei Alberto Nixon, inglês ordenado em 1913, escreveu 09 volumes de apontamentos sobre nossa Província.
----------Frei Carmelo: “Havia na Província dois grupos, um do Rio e os de fora. Isso causava uma polêmica grande. Havia brigas internas.”
----------Em 1928 já existia um colégio do Carmo, em São Paulo, que depois foi passado para os Maristas. Ficava na Rua do Carmo, hoje é Av. Rangel Pestana, ao lado da Ladeira.
----------O 1o vigário da Paróquia de N. Sra do Carmo, em Belo Horizonte, foi frei Atanásio. O convento de Santos ficou abandonado por muitos anos.: O primeiro pároco da Paróquia de N. Sra do Carmo, em Jaboticabal, foi frei Policarpo.
----------Em Angra dos Reis estava o provincial frei Inácio da Conceição, que está enterrado na Igreja do Carmo, de Angra dos Reis.
----------Em 1890 todas as nossas propriedades foram seqüestradas. Quase que perdemos tudo.
----------Os jesuítas voltaram clandestinamente para o Brasil em 1825. Oficialmente ainda figuravam as leis de Pombal.
----------Os carmelitas eram muito ricos. “Eram os mais ricos entre as Ordens Religiosas.” Os carmelitas tiveram 1.400 escravos.
----------Todas as Ordens Religiosas foram vítimas da mesma legislação e também redimidas pela proclamação da República, pela separação da Igreja e Estado.
----------Quais foram os verdadeiros interesses na separação de Igreja e Estado?
----------Frater Henrique: “No meu segundo volume sobre a História da Igreja há um documento que mostra um frei carmelita resistindo à abolição da escravidão.”
----------Uma seqüência de leis que recaíram sobre a Vida Religiosa. O império não morreu de uma só vez. O império foi decaindo, e com ele, as dioceses.
----------Por que e para que restaurar as Ordens Religiosas que estavam morrendo no Brasil? Frater Henrique: “A resposta é igual para todas as Ordens. Havia um patrimônio imenso e os frades morrendo. Leão XIII obrigou o envio de religiosos das Ordens para salvar as propriedades. Esse é um dos motivos principais.” O incentivo do Papa Leão XIII para que fosse feita a Restauração das Ordens Religiosas, em processo de decadência no Brasil, foi, em parte, para salvar a Instituição com todas as suas propriedades.
----------Os Salesianos ganharam do imperador toda a região de Cachoeira do Campo, em Minas Gerais. O Caraça foi doação do imperador aos lazaristas.
----------Os Carmelitas, franciscanos e beneditinos eram tidos como ordens ociosas, porque não tinham um carisma concreto. Por isso não interessavam ao império. As congregações, tais como, salesianos e lazaristas, tinham uma função prática. “Faziam os serviços deles”.
----------Frater Henrique: “Vocês carmelitas têm material para dar uma contribuição originalíssima à Igreja do Brasil.”
----------A correspondência que o Provincial escreveu para a Holanda existe, mas não temos o retorno.
----------Somente dois carmelitas restavam na Província Carmelitana de Santo Elias em 1904: Frei Inácio da Conceição Silva e frei Antônio Muniz.
----------Frater Henrique: “De quem partiu o pedido para restaurar a Província?” Frei Carmelo: “Do Vaticano, do papa Leão XIII.”
----------A história dos Beneditinos é semelhante à nossa História. Quando os bens das Ordens religiosas foram seqüestrados, carmelitas e beneditinos foram juntos para tentar o resgate.
----------O início da restauração se deu no dia 27 de novembro de 1904.
Muitos freis saíram e mantiveram uma ótima relação com os freis carmelitas. Ainda vive em Angra dos Reis o timoneiro do barco de um frei Carmelita.
----------Há dois livros que estão sendo feitos na Holanda: um sobre a história antes da restauração (de 1580 a 1904) e outro da restauração (de 1904 a 2004).
----------Eis um bom subsídio: a tese de FRANCISCO BENEDETTI FILHO, A Reforma da Província Carmelitana Fluminense (1785 – 1800), São Paulo, 1990.
----------Eis uma pergunta central: Quem tomou a iniciativa para a restauração da Província de Santo Elias? Foi o Geral, ou o papa, ou .. Quem pediu e como foi atendido? Qual foi a preocupação primeira que motivou a restauração? O que faz os espanhóis no meio? Havia um desejo missionário? Interessante também o que foi feito após chegar os freis holandeses na Província. Ficaram cuidando dos conventos? Ou partiram para as missões? Começaram a trabalhar com escolas?
----------A Província da Holanda começa a ser restaurada no ano de 1853. Em 1953 celebraram o 1o centenário. Havia um florescimento da Província holandesa. Estavam com muitas vocações. A primeira turma veio para o Brasil em 1935. A 1a turma de holandeses ordenados no Brasil era de 14. A turma maior foi a do frei Ludovico.
----------Houve uma propaganda na Holanda sobre o Brasil. Se dizia que o Brasil era um Eldorado. Mas os primeiros poloneses, italianos, holandeses chegaram e somente ganhavam terra. A cultura do café. Isso deve ter despertado o desejo de muitos jovens holandeses de vir para o Brasil. Havia uma política de embranquecimento do Brasil, porque o Brasil era o país mais negro fora da África.
----------O avô de frei Pedro Jansen queria vir ao Brasil.
----------Frei Tito Brandsma queria vir para o Brasil, mas adoeceu e escreveu muitos artigos sobre os freis holandeses no Brasil.
----------A 1a exploração de ouro e diamante foi em Salvador. Somente depois se transfere para Minas Gerais.
----------Em 1870, mais ou menos, o vice-rei esteve no capítulo da nossa Província.
Por Frei Gilvander Moreira O.Carm


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