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terça-feira, 14 de junho de 2011

Augusto Cury

Um Mundo Admirável
Se as pessoas nos abandonarem, a solidão será amarga, mas tolerável, mas se nós mesmos nos abandonarmos, ela será quase insuportável. Os que não procuram se conhecer vivem a pior das solidões, serão sempre estranhos para si mesmos, forasteiros em sua própria casa. Não é possível desenvolver as funções surpreendentes da inteligência, sem explorar nossa psique.

Muitos não se interiorizam porque têm medo de encontrar suas mazelas, descobrir suas fragilidade, desvendar seus medos, reconhecer sua estupidez, descortinar suas loucuras. Quem quer se conhecer precisa em primeiro lugar ter coragem para ser o que sempre foi, apenas um ser humano, e como tal imperfeito e mortal.

Os coitadistas não sabem que a auto-piedade é uma masmorra psíquica que asfixia o prazer, amordaça a liderança do "eu" e bloqueia a excelência intelectual e emocional. Quem tem dó de si mesmo nunca assume suas falhas, constrói seus alicerces psíquicos no vazio, não cresce diante da dor nem se fortalece diante das derrotas. Há mais coitadistas na sociedade do que imagina nossa psicologia.

Não há céus sem tempestades, nem caminhos sem acidentes. Comédia e drama, sorrisos e lágrimas, aplausos e vaias, alternam-se na vida de qualquer um, sejam psiquiatras e pacientes, generais e soldados, intelectuais e iletrados. O importante não é atravessar o caos, mas o que fazer com ele.
Quem quer conquistar um grande amor tem de reciclar seu ciúme e superar sua insegurança e seus maneirismos. Quem deseja ser um excelente estudante e um brilhante profissional tem de sacrificar sua preguiça e contrair seu conformismo. Todas as escolhas têm perda. Quem quer não estiver preparado para perder o irrelevante, não estará apto para conquistar o fundamental.

Construir pensamentos é um fenômeno mais complexo do que a proeza de pegar uma arma e, de olhos vendados, atirar numa mosca que está num edifício localizado em outro país e acertá-la. Não nos damos conta de como a inteligência humana é fascinante. Você talvez possa pensar que nunca acertou grandes alvos na vida, mas, ao construir um pensamento, seja ele brilhante ou estúpido, acertou alvos incríveis no pequeno e infinito mundo da sua psique.
Por não estudarmos o funcionamento da mente com profundidade, temos cometido atrocidades e erros imperdoáveis ao longo da história. Matamos, ferimos, diminuímos, excluímos seres da nossa própria espécie como se fossem diferentes uns dos outros, como se fossem animais. Os senhores de escravos não entendiam que o complexo processo de construção de pensamentos nas crianças, pais e mães negras era exatamente o mesmo que havia neles.
Por que julgamos sem compaixão pessoas dependentes de drogas, prostitutas, mendigos, portadores de psicoses ou depressão? Por que na Grécia Antiga, berço da filosofia, um terço da população era de escravos? Por que ainda hoje imigrantes são discriminados e taxados como invasores de uma nação que faz parte do planeta Terra, do qual somos apenas hóspedes?
Há muitas respostas para nossas loucuras, mas a mais forte entre elas é que nosso "eu" não é equipado educacionalmente para conhecer a si mesmo e desenvolver autocrítica. Vivemos num quarto escuro, desnutridos de autoconhecimento, sem liberdade para transitar com maturidade pelos espaços da nossa mente.
Como Homo sapiens usamos o pensamento para descobrir o mundo que nos cerca, mas o usamos pouco para conhecer o mundo que somos.

A educação que não forma "mentes que se conhecem" tem cometido alguns erros dramáticos no processo de formação dos alunos, sejam eles crianças, jovens ou adultos. É fundamental passarmos da era das escolas informativas para a era das escolas de inteligência. O futuro da humanidade depende de pessoas que desenvolvem um "eu" lúcido e maduro que aprende a conhecer a si mesmo. Para isso precisa trabalhar sistematicamente:

1. A arte da interiorização
2. A arte da observação
3. A arte de proteção da emoção
4. Pensar antes de reagir
5. Colocar-se no lugar dos outros
6. Expor e não impor as idéias
7. A solidariedade e a tolerância
8. A resiliência: capacidade de suportar dificuldades e manter a integridade
9. Investigar as causas da ansiedade
10. Questionar os fundamentos das inseguranças e dos medos
11. Discutir a timidez, o pessimismo e o sentimento de incapacidade. E entender que não existem pessoas "burras" ou desinteligentes, mas pessoas que não desenvolveram suas habilidades. Não há quem não as tenha.
12. Abrir a mente para pensar em outras possibilidades
13. Ter consciência que não há mentes perfeitas. Todos temos nossos "fantasmas". Se não é possível aboli-los, deveríamos pelo menos domesticá-los. E, para isso, jamais deveríamos dar as costas para a dor psíquica. Enfrentar com inteligência as angústias, perdas e decepções é o caminho lento, mas consistente, para deixarmos de ser vítimas e nos tornamos protagonistas da nossa história.
 
Do livro: Mentes Brilhantes, Mentes Treinadas, de Augusto Cury

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