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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Aprenda a Lectio Divina

Leitura orante da Bíblia - Método da Lectio Divina

Explicação do site: A Lectio Divina é um método para leitura da Bíblia com oração e por meio dela veremos Deus nos "falar" por meio da Palavra, ajudando a obter respostas na vida da pessoa nos momentos mais difíceis, você se surpreenderá de que não será mais coincidência, mas Deus falando. Pode usar a Palavra não apenas dentro da oração pessoal, mas em momentos de adoração, ou mesmo que pequeno seja o recolhimento com Deus.

Introdução
À Lectio chega-se através da humildade, desprovido de tudo, faminto e sedento da Palavra: "como o veado anseia pelas correntes de água" (Sal 42,2). Impelido pela sede, põe-se a caminho da busca. O monge Guido, dado como descobridor do método, também segue este processo na parábola do mendigo: "A leitura busca a doçura da vida bem-aventurada, a meditação a encontra, a oração a pede, a contemplação a saboreia", "prescruta os segredos dos céus" dizia ele . Esta intuição traduz uma simples fórmula didática que nos oferece S. João da Cruz: "Buscai lendo, e encontrareis meditando; chamai orando, e abrir-se-vos-á contemplando".
É recomendado o uso de um caderno para anotar o fruto das orações, e ver com o tempo a sequência lógica do que Deus anda falando.

OS QUATRO MOVIMENTOS DA LECTIO DIVINA


Primeiro movimento: "Buscai lendo"

A leitura e o estudo de uma passagem escolhida é a base de toda a Lectio Divina. Abrimos o texto com muito respeito. Cada sinal da Escritura vale muito. Os antigos veneravam as Escrituras quase como a própria Sagrada Eucaristia, não se pode deixar perder nem uma migalha.
O respeito ao texto expressa-se na renúncia à imposição de qualquer idéia prévia, a deixar de lado ou adaptar seja o que for. Queremos que este brilhe só: que fale primeiro. Buscamos uma leitura objetiva, cuidadosa, humilde, estando consciente da nossa ignorância e da nossa necessidade dela. Sucede, por vezes, que se trata de uma passagem já conhecida. Então haverá que dizer como Santa Teresinha: "Muito me vale ler mil vezes o mesmo versículos (do Evangelho), porque de cada vez encontro neles um sentido novo".
O que há que fazer é ler lentamente desde o começo até o fim, relê-lo e voltar a lê-lo uma vez mais. Pouco a pouco os detalhes vão aparecendo e cada palavra vai fazendo sentir o seu peso. As letras convertem-se em imagem, começam a falar e nós vamos nos apropriando delas.
Atenção: Para escolher o texto é recomendado que peça a Deus a passagem, para que Deus dê realmente uma passagem é necessário cuidar de duas coisas. Primeiro, valorizar a passagem, anotando ela em algum caderno de oração, só assim Deus poderá dar algo que não será desperdiçado. A segunda é abrir a Bíblia no máximo uma vez por oração, para que assim você mostre que você não irá desperdiçar a palavra dada em pouquíssimo tempo e assim Deus dará a graça toda nessa primeira abertura.
A nossa obsessão, neste primeiro movimento, é perguntarmos: O QUE DIZ O TEXTO?
Sentir o texto: Dar espaço à nossa própria emoção. Talvez haja uma frase que, ainda que seja secundária, nos tenha causado impacto. Pois bem, há que apropriar-se dela. Deus fala-me nela. O importante é respeitar sempre o sue sentido dentro do contexto: que seja o que ele me diz e não o que eu quero que me diga. Respeitar contexto, é a regra primeira da leitura da Bíblia.
Apropriar-se dele: Ler em voz alta a passagem; repetir uma frase ou uma idéia que sintetiza a nossa leitura. Repeti-la até memorizá-la; representar o texto na nossa imaginação; escrever de novo a passagem.
Quando uma idéia fique repicando e começa a ressoar em nosso coração é o momento de parar. Esta é a idéia que será o centro da nossa Lectio, a que será a manifestação do amor do Senhor por nós. Tal idéia pode vir de uma passagem inteira, de um versículo, ou algo que o versículo lembre.
O que diz o texto:

Segundo movimento: "...Achareis meditando"

  Aqui se aproxima mais ao estilo do povo da Bíblia. Israel e os primeiros cristãos não era propriamente um povo de filósofos nem de eruditos. A sua preocupação era tratar de captar a atualidade de Deus no seu caminhar, nos sucessos de todos os dias, para viver em sintonia com Ele e para dar novos passos segundo a sua vontade.
O povo da Bíblia sabia meditar, perscrutando o sentido dos acontecimentos (na sua vida), a lógica do atuar de Deus no meio de tudo, "a verdade oculta", como disse Guido.
Podemos ver como "esta Escritura, acabada de ouvir, se cumpriu hoje" (Lc 4,21). A Palavra se mostra presente na nossa vida. Para fazer a nossa meditação, deixamo-nos orientar pela pergunta chave: O QUE ME DIZ O TEXTO? Para responder "atamos cabos" a dois níveis: Associamo-la com a vida e associamo-la com outros textos já conhecidos.
Resumindo o 2º movimento: O que Deus tem a dizer para você hoje na sua vida ?
 
Exemplo 1:
Fulano ao querer que Deus prove que Deus está com ele, abre aleatoriamente na seguinte passagem:
"Não vos torneis endurecidos como em Meribá, como no dia de Massá no deserto, onde vossos pais me provocaram e me tentaram, apesar de terem visto as minhas obras." (Salmo 94,8s)
Assim ele vai observando na oração ou na meditação que Deus já fez algo a favor dele e que serve como prova.
 
Exemplo 2:
Outra pessoa querer saber o que Deus quer que ela faça, abre aleatoriamente na seguinte passagem:
"Viu também uma viúva pobrezinha deitar duas pequeninas moedas, e disse: Em verdade vos digo: esta pobre viúva pôs mais do que os outros. Pois todos aqueles lançaram nas ofertas de Deus o que lhes sobra; esta, porém, deu, da sua indigência, tudo o que lhe restava para o sustento." (Lucas 21,2-4)
Por meio da sua Lectio o jovem percebe que precisa doar mais sua vida a Deus como a viúva, mesmo com pouco tempo ou paciência que ele tem. Enquanto que há outros que mesmo tendo muito tempo para Deus fazem facilmente sua parte, o jovem estará dando muito mais a Deus que os outros.

Exemplo 3:
Dessa vez o jovem resolve usar na sua Lectio uma passagem da liturgia do dia: "O Reino dos céus é ainda semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra." (Mateus 13,45s)
Meditando ele verifica que a pérola significa as beleza do Reino, e que supõe sempre uma busca esforçada para achá-la. Assim compreenderá que o árduo caminho que ele enfrenta para o Reino, será compensado por muitas belezas que ainda descobrirá por seguir a Deus.

Exemplo 4:
Ao ler a passagem do filho pródigo que é feita de muitos versículos (Lucas 15,11-31), ele percebe que além do tema geral da passagem, Deus dessa vez quer dizer para ele por meio de um versículo específico, no qual ele percebeu perguntando a Deus qual passagem chamaria atenção dele: "Ele, então, respondeu ao pai: Há tantos anos que te sirvo, sem jamais transgredir ordem alguma tua, e nunca me deste um cabrito para festejar com os meus amigos." (v. 29) Ele percebe então que na sua vida tem sido invejoso para com certas pessoas por Deus ter dado certas graças a tais pessoas no qual ele não tem.
Deus diz pela Bíblia

Terceiro movimento: "Chamai orando" .

Sem dúvida que já nos encontrávamos orando desde o início. Neste espírito fizemos a leitura e a meditação, nesta atitude acolhemos a ação do Espírito Santo, inspirador da nossa Lectio.
Na nossa oração respondemos à pergunta: O QUE ME FAZ DIZER O TEXTO a Deus? Como é espontânea e criativa, não poderemos dar muitas indicações, apenas destacar que há quatro níveis típicos em que se pode viver esta experiência: A compunção (arrependimento) de coração; a súplica; o agradecimento; a entrega. Tira as dúvidas que ainda restam do que Deus lhe mostrou.
Dizer a Deus.

Quarto movimento: "...Abrir-se-vos-ão contemplando" .

É o reconhecimento pacífico, manso, da vinda do Senhor à nossa incapacidade, à nossa pobre humanidade. É uma vida que cura e que restaura. Havemo-la vivido pouco a pouco no processo, quando nos deleitávamos em compreender no caminho oracional. Os místicos viram aqui o prêmio de todos os seus esforços: saborear o fulgor da graça, mesmo que esta venha apenas como gotas de orvalho. É esse submergir-se na tremenda simplicidade e doçura do grandioso amor de Deus ou, como disse S.João da Cruz: "estar amando o amado". No sentido geral contemplação é olhar um objeto com admiração.
O movimento contemplativo, prolongado no tempo, é o que permanece na Lectio. Buscávamos a Deus e Ele veio com o Dom da sua Palavra. Agora não há perguntas, apenas o gozo de receber. Há um pouco de luz nela nos recreamos. O Dom da contemplação é o Dom da visão, como a que tiveram os peregrinos de Emaús (Lc 24,31). É olhar e amar a Deus. É uma vista simples e afetuosa de Deus ou das coisas divinas.
Comtemplação


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