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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Santos Maronitas I

São Charbel - a vida dos santos começa com sua morte

Símbolo de união entre Oriente e Ocidente, beatificado nos dia 5 de dezembro de 1965 e canonizado no dia 09 de outubro de 1977, foi o primeiro confessor do Oriente venerado de acordo com o procedimento da Igreja Católica Apostólica Romana.
Libanês, São Charbel foi membro da Ordem Libanesa Maronita e filho da Igreja Maronita. Esta igreja deve seu nome a um anacoreta oriental. São Maron (Marun), falecido em 410. A Igreja Maronita, cujo centro se encontra no Líbano, te a honra de ter como língua litúrgica o aramaico, a língua falada por Jesus Cristo; ela também te a honra de ter permanecido sempre católica, apostólica, romana. A Igreja Maronita foi a única Igreja oriental que ficou sempre ligada ao
Santo Padre, o Papa.
São Charbel, nasceu no dia 8 de maio de 1828, numa aldeia montanhosa maronita, chamada Bega'Kafra, a mais alta do Líbano, a 1.600 metros de altitude, situada nas proximidades dos Cedros do Líbano, com vista panorâmica sobre o Vale de Qadisha, conhecido por “Vale Santo”. Era o quinto filho do casal Antun Zarour Makhiouf e Brígita Al-Chadiac, batizado com nome de Youssef (José). De família modesta e muito respeitada, o pai era um simples camponês mas de fé sólida e inabalável. Sua mãe igualmente muito piedosa. Neste ambiente se simplicidade, piedade e honestidade, cresceu o pequeno Youssef. Quando completou seu terceiro ano, perdeu seu pai que foi requisitado pelo exército otomano (turco) para transporte de material e trabalhos forçados.
Órfão de pai, Youssef frequentava, em companhia de outras crianças, a escola paroquial de sua aldeia. Notava-se que ele era muito religioso. Piedoso, honesto, simples e sincero, assim foi o jovem Youssef em sua aldeia.
Aos 23 anos de idade, em 1851, abandonou seu lar e procurou o Convento de Nossa Senhora, da Ordem dos Monges Libaneses Maronitas, no Convento de Maifuq, iniciando o seu noviciado de 2 anos. Esse período foi concluído no Mosteiro de São Maron, em Anaya, onde fazia seus exercícios espirituais e tarefas domésticas. Padre Charbel só conheceu a comunicação com Deus. Viveu a pobreza e o desapego às coisas da Terra. Martirizou seu corpo com atos de penitência e mortificação. Em 1853 prestou votos de obediência, castidade e pobreza, mudando-se para o Mosteiro de São Cipriano, em Kfafine, onde em 6 anos, concluiu estudos de filosofia e teologia.
Aos 31 anos de idade, foi ordenado sacerdote na Igreja de Bkerke, voltando para o Mosteiro de São Maron, vivendo lá até os 47 anos de idade. Apesar da rigidez da vida monástica, Padre Charbel desejava manifestações mais expressivas do seu amor para com Deus, obtendo licença para viver a vida eremita no Ermo se São Pedro e São Paulo, situado nas imediações do mesmo Mosteiro, a 1.400m de altitude. Neste mesmo local, viveu mais 23 anos numa cela de seis metros quadrados, onde existiam apenas um colchão de folhas de carvalho, uma lâmpada de azeite, um jarro de água, um prato e madeira, um banco e alguns livros.
Em 16 de dezembro de 1898, aos 70 anos de idade, o Padre Charbel foi atacado de paralisia durante a celebração da Santa Missa, sendo obrigado a interrompê-la por duas vezes, quando inicia sua agonia, que terminou com sua morte na véspera do Natal do mesmo ano.
Se em vida sua fama de Santo já corria vastas regiões como Apóstolo dos Enfermeiros, depois de sua morte comprovam-se as graças e milagres em proporções bem pouco conhecidas. Após seu sepultamento, no cemitério do Convento, alguns camponeses da região viram um estranho fulgor, que se elevava e se abaixava, nas proximidades do Convento.
Tal fato foi constatado inclusive pelos monges, que após um ano exumaram seu corpo em perfeitas condições físicas, vertendo um estranho líquido, tido como suor e sangue.
Transferido para a cripta do Convento, a visão do mesmo fulgor que se movia entre sua sepultura e o Sacrácio continuou, obrigando os monges a procederem a outras exumações sendo a mais divulgada a de 1950, 52 anos após sua morte.
Seu corpo foi colocado em uma urna de vidro, transformando Anaya num centro de peregrinações pela comprovação de uma série de acontecimentos que a ciência foi impotente para explicar. Seu corpo incorruptível, continuava a verter suor e sangue, obrigando os monges a lhe trocar as vestes com regularidade.
Centenas e centenas de milagres e graças se constataram, sem distinção de raça, religião ou condição social. Todos se dirigiam ao túmulo do humilde monge eremita, que ressurge para aliviar as misérias dos homens que a Deus recorreram, por seu intermédio, procurando cura, paz e consolação. Realizaram-se nele as palavras do Mestre: “Eu quando for levantado da terra, atrairei todos a mim”, (Jô 12,32)
Em dezembro de 1965, quando da sua beatificação, o Papa João Paulo VI, disse; “grande é a alegria do Oriente e do Ocidente por esse filho do Líbano, flor admirável de santidade, desabrochada na linguagem das antigas tradições monásticas orientais e venerada hoje pela Igreja de Roma”.
Canonizado em 9 de outubro de 1977, o Padre Charbel fala hoje não com a arte da palavra, mas pela atração do seu exemplo. Fala ao orgulho através de sua humildade; fala à sensualidade através de sua renúncia; fala á violência através de sua mansidão; fala à ganância através de sua voluntária e completa pobreza; fala à incredulidade através de sua fé, alimentada por assíduas orações e por seu espírito livre para o amor de Deus.

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