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sexta-feira, 27 de maio de 2011

PATRÍSTICA

Os Padres da Igreja

BASÍLIO DE CESARÉIA

BIOGRAFIA 
A Patrologia grega oriental alcançou seu ponto mais elevado com os chamados "Padres capadócios": Basílio Magno, Gregório de Nissa, seu irmão, e Gregório de Nazianzo. Basílio é, com certeza, o mais importante dos três. Devido à sua personalidade fértil, ativa, tanto na reflexão, na produção literária, quanto na organização e na administração das comunidades de sua diocese, a história eclesiástica o consagrou como o "Grande", pai e doutor da Igreja. O que é característico e exemplar nestes Padres capadócios é o fato de provirem da alta aristocracia e não usarem deste privilégio para se impor, mas, desprezando toda glória e riqueza do mundo, dedicou-se aos necessitados tanto quanto à vida intelectual, à meditação, à oração. De fato, Basílio empenhou toda a sua forças intelectuais e físicas na interpretação da doutrina cristã, na reforma da liturgia, na edificação da vida monástica, na defesa da ortodoxia, sem se descuidar, ao mesmo tempo, dos necessitados.
Origens, infância e formação acadêmica
Basílio nasceu e viveu no período conhecido como "idade de ouro" da patrística. Nesse período, ocorreram grandes mudanças e transformações sociais, principalmente a ascensão da aristocracia dos grandes latifundiários ao poder, que é de extrema importância para a compreensão de Basílio e sua ação.
Descende de família rica, numerosa e de tradição cristã. Seu pai já vinha de família rica e considerada latifundiária, da região do Ponto. Sua mãe era de família nobre da Capadócia. Macrina, a avó paterna, fora educada sob a orientação de Gregório Taumaturgo, que, por sua vez, fora discípulo de Orígenes. Desde muito cedo, esteve Basílio sob a influência desta sua avó. Em várias cartas, sempre sublinha o papel de educadora da fé ortodoxa junto de seus netos: "Que prova mais clara poderia ter em favor de nossa fé, que o fato de ter sido educado por uma avó que era mulher bem-aventurada? Quero falar da ilustre Macrina, que nos ensinou as palavras do bem-aventurado Gregório (o Taumaturgo), todas as que a tradição oral lhe conservara que ela guardara e das quais se servia para educar e formar na piedade os pequeninos que éramos, então" (Epist. 104,6; 110,1; 123,3). O pai, notável retórico, ensinou-lhe os primeiros elementos culturais: "Na primeira idade, foi sob a direção do ilustre pai, que o Ponto se propunha então como modelo de virtude, que desde as línguas ele (Basílio) recebeu uma formação eminente e muito pura" (testemunha Gregório de Nazianzo, In Basilio, XII,1).
A família é numerosa. São dez irmãos, entre os quais se destacam as irmãs Macrina, a Jovem, os irmãos Gregório, bispo de Nissa, e Pedro, bispo de Sebástia.
Seus anos de juventude foram marcados por freqüentes viagens. Depois dos estudos fundamentais em sua cidade, foi enviados a Bizâncio, Antioquia e Atenas para completar os cursos de aperfeiçoamento. Durante os anos de estudo em Antioquia, é preciso sublinhar a figura de Estáquio de Sebástia, importante para a história do monarquismo na Ásia Menor.
Filósofo, depois bispo (356- 380), foi o propagador do ascetismo na Armênia e no Ponto. Basílio evoca várias vezes a influência dele na conversão. Estudante em Atenas, sua irmã Macrina lhe interpretava, através de cartas, a "filosofia" de Eustácio. Na Carta I, Basílio declara que a reputação de Eustácio o atingiu quando o encontrou na Grécia: "Deixei Atenas por causa do renome de tua filosofia".
Atenas lhe dera tudo o que um jovem como ele podia buscar. Foi ali também que nasceu e se fortificou, entre ele e Gregório de Nazianzo, uma amizade rara e dura- doura. Ali completou seus estudos de retórica aprendendo ainda a filologia e a filosofia.
Retomando de Atenas, em 355, estabeleceu-se em Cesaréia como retórico. Arrebatado pelo sucesso de seu ensino, dedicou-se cada vez mais à filosofia sofística. Contudo, os desejos de perfeição, as constantes advertências de sua irmã mais velha, Macrina, acabaram dobrando-o aos projetos de vida perfeita concebidos em Atenas. Em- preendeu, então, novas viagens, desta vez, visitando os ascetas do Egito, da Palestina, da Síria e Mesopotâmia (cf. Carta 1 e 223). De volta para sua terra, em 358, foi batizado pelo velho bispo de Cesaréia, Diânios. Com a morte prematura de seu pai, neste mesmo ano, vendeu os bens recebidos em herança e distribuiu aos pobres o resultado desta venda. Em seguida, retirou-se, na companhia de sua mãe e da irmã Macrina, no Ponto, numa propriedade da família, às margens do Íris, vivendo como eremita. Gregório de Nazianzo vai juntar- se a eles. Juntos, estudam as obras de Orígenes e com- põem uma antologia de textos origina-nos que levará o nome de Filocália.
Embora fosse homem de intensa atividade, sua saúde foi sempre frágil, impedindo-o, talvez, de fazer mais. Suas cartas estão cheias de queixas sobre seu estado de saúde e da oposição que recebe de seus adversários. Aos 40 anos, sentia-se velho: "... Afim de que nós, os velhos, recebessem de verdadeiro filho as amabilidades que nos são devidas..." (Carta 176). "Tinha desde longo tempo respondido às questões que tua piedade nos havia pro- posto, mas não te enviei a carta, porque estive retido por longa e grave doença..." . Na Carta 200, diz: "Conosco as doenças sucedem às doenças, e as ocupações que provêm dos afazeres eclesiásticos, como aquelas que nos criam aqueles que procuram perturbar as igrejas, nos retiveram todo o inverno e até o momento em que escrevemos esta carta. É por isso que não nos foi possível nem enviar alguém, nem ir visitar tua piedade. Supomos que tal é também tua situação para o resto, não o digo pela doença".
 Atividade literária
Apesar de viver sempre num estado de saúde precária, de sua intensa atividade social, espiritual e litúrgica, não foi menor sua atividade literária. Tratados teológicos, ascéticos, pedagógicos e litúrgicos, além de grande número de sermões e de cartas, estão aí para provar esta afirmação. Em seus escritos se revelam sua têmpera e sua formação cultural.
Os escritos ascéticos estão voltados para a vida monástica, fixando as normas da conduta dos monges. São atribuídos a Basílio, nesta área, trezes tratados, porém as maiores parte são apócrifos. Os originais são apenas três.
Quanto à exegese, Basílio não desenvolveu um trabalho sistemático. Compreendem-se, nesta área, homilias e sermões com intenção prática. Sua exegese é literal e a homilética é determinada pelos textos das Escrituras. "O auditório ao qual se dirige Basílio comanda inteiramente a estrutura literária de suas homilias”.
Sua atividade literária se engrandece ainda por seu rico e vasto epistolário. Sua correspondência é uma das mais consideráveis da antiguidade cristã. Através dela podemos conhecer melhor a vida cotidiana da Igreja Oriental do século IV. Em suas 366 cartas, vemos desfilar uma vasta gama de temas como: questões sociais, a situação de exploração em que vivia o povo, recomendações, consolações, orientações para a vida monástica, para a vida cristã dos leigos, problemas morais, ascéticos, dogmáticos, litúrgicos, históricos.
Tímido, mas de grande coragem, encontrou ao longo de sua vida muitas incompreensões..e insucessos. Feito mais para o recolhimento, não fugiu às responsabilidades da ação para servir à fé. É flexível. Homem do diálogo, da conciliação a serviço da paz e da ortodoxia. "Este homem morre esgotado pelas austeridades e pelas tribulações, prematuramente, à idade de cinqüenta anos, em 1 Q de janeiro de 379. A vitória estava próxima. Basílio não a experimentou, mas havia-a preparado. Seus funerais foram um triunfo. O povo avaliava a perda que sua morte representava. Dez anos foram suficientes para mostrar o que ele era e fazer dele um bispo incomparável".

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