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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Oração e Vida



Oração e Vida

Marta, Marta, inquietas-te e te confundes com muitas coisas, uma só coisa é necessária! Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada. ( Lc 10 , 41-42) Que melhor parte é essa senão a contemplação, a oração, a intimidade com Cristo? Na oração estamos com Jesus. Entregamo-nos a Ele para conhecê-Lo, para aprender a amá-Lo.[i][1] Não deixeis de orar! - aconselha-nos João Paulo II -. Se não procuras a intimidade com Cristo na oração e no Pão, como podes dá-lo a conhecer?! [ii][2]
Quando duas pessoas se amam, querem estar juntas o maior tempo possível. Isso é o que acontece aos que dedicam diariamente um tempo fixo à oração mental: toda a sua vida se vai transformando em oração. Deixa de haver duas vidas paralelas: por um lado, a vida chamada espiritual, com seus valores e exigências, e, por outro, a chamada vida secular, do trabalho, das relações sociais e familiares, do empenho político e da cultura.[iii][3]
Isto nos remete à algumas idéias importantes:

Unidade de Vida:

Na existência do cristão, ensina o Papa João Paulo II, não pode haver duas vidas paralelas: por um lado a vida espiritual ( o tempo dedicado à Deus: Santa Missa, oração, catequese, terço,...), e por outro lado, a chamada vida secular ( nosso trabalho profissional, nosso trabalho doméstico, a vida em família, o lazer com os amigos, as atividades sociais e políticas).
As tarefas próprias de nossa vida secular, não são um obstáculo que nos afasta da vida espiritual; devem ser meio e ocasião de um trato íntimo com Deus; devem se converter em oração.
Como fazer isso?
Devemos utilizar alguns artifícios que nos mantenham em “Presença de Deus” durante nossos afazeres: um crucifixo ou uma imagem de Nossa Senhora na nossa mesa de trabalho, uma imagem da Sagrada Família no nosso local de trabalho mais habitual dentro de casa ( a cozinha, a lavanderia, o escritório, ...); pequenas e tradicionais orações, conhecidas como jaculatórias ( Senhor Tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo / Senhor, fica conosco / Maria, mostra-nos que és Mãe / ... ) espalhadas ao longo do dia; comunhões espirituais; oferecimento das tarefas que vamos cumprindo ao longo do dia; e outras práticas que nossa imaginação e nosso carinho irão nos sugerir.
São hábitos pessoais que devemos adquirir com esforço. São táticas para o nosso trato íntimo com Deus, sem fazer alarde.

Presença de Deus – Contemplativos no meio do mundo


Assim, o nosso dia vai se tornando uma contínua oração. Nos tornamos “contemplativos no meio do mundo”, como dizia São Josemaria Escrivá, vivendo em contínua presença de Deus.
Assim vamos preparando nossa oração mental do dia seguinte, e, mais importante, vamos juntando, com os pequenos esforços que preenchem o nosso dia, as ofertas para a nossa próxima Santa Missa.

 

Vida Interior


Tudo isso – Leitura Espiritual, Leitura do Evangelho/Bíblia, Esforço pela Presença de Deus durante o nosso dia, Oração Mental, Santa Missa e Confissão – irão nos levando no caminho da Vida Interior, onde vamos voltando os nosso desejos, nossas aspirações e nossos pensamentos para Deus, não mais somente as nossas obras exteriores.
Com o crescimento na vida interior, iremos cada vez mais aperfeiçoando nossa capacidade de sermos Contemplativos no meio do Mundo, iremos, cada vez mais, conformando nossa vontade com a vontade de Deus, iremos, cada vez mais, em nossos afazeres cotidianos, nos assemelhando ao nosso modelo, Cristo. E esse trabalho do Espírito Santo em nossa alma, nossa identificação com Cristo, é, sim, o caminho da santidade.
Permanecei em mim.
Eu sou a videira e vós os ramos; quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim não podeis fazer nada.

Santos?!

Amarás o Senhor teu Deus com o todo o teu coração, com toda a tua mente, com toda a tua alma e com todas as tuas forças
- Senhor, como se amesquinhou o ideal Cristão na nossa mente! Pensamos, Jesus, que o ideal da santidade é excessivamente elevado para nós, e que nem todos os corações cristãos podem albergar essa aspiração. Pensamos que ela existe para os sacerdotes e para as almas que foram conduzidas à vida na clausura, por uma vocação especial. Pensamos que nós, homens do mundo, devemos nos contentar com uma vida cristã sem excessivas pretensões,[iv][4] cumprindo nossos deveres de fiéis leigos: indo à Missa dominical, participando de alguma atividade na comunidade de nossa paróquia, ajudando aos mais necessitados. Pensamos que a santidade não é para nós, que seria presunção ou falta de equilíbrio.
- Quando será, Senhor, que iremos nos convencer que a vocação cristã é vocação (chamado) para santidade? Quando perderemos o medo? Quando nos convenceremos que o Senhor nos quer santos, qualquer que seja a nossa condição de vida?
Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai dos céus. Jesus dirigiu estas palavras a todos!!! São diversos os caminhos porque diversas e numerosas são as mansões na casa do Pai, mas a meta, o fim, é idêntico e comum a todos: a santidade.[v][5]
Santidade é o estado daquele que coopera com o Espírito Santo na obra de transformação de sua alma em Cristo. É importante que Ele cresça e eu diminua. Transformados em Cristo, perfeito Deus e perfeito homem. Devemos andar com a mente nas coisas de Deus, cultivando a perfeição na vida interior - a dedicação individual, pessoal, àquele que habita em nossa alma - e nas coisas humanas, cultivando as virtudes humanas no nosso dia a dia, cada um de acordo com o sua condição de vida; aspirando à perfeição em ambas as coisas, na vida de oração e, no caso da maioria de nós, na vida em família, na vida conjugal, no estudo e no trabalho. A medida de nossa perfeição é a identificação com Cristo ( esta identificação que nos confere o “bom odor de Cristo”, que faz com que arrastemos aos outros conosco). Amar como Cristo, sim, mas também trabalhar como Cristo, estudar como Cristo, viver vida de família como Cristo, ser cidadão como Cristo.
Não se pode admitir um bom cristão, mulher ou homem de oração, que não seja um ótimo estudante, um ótimo profissional, um ótimo pai, uma ótima mãe, um ótimo filho, uma ótima filha, um ótimo cidadão. Ao mesmo tempo, não se pode entender um ótimo profissional, ótimo pai ou filho, mas que não tenha vida pessoal ( não coletiva) de íntimo e profundo trato com Deus na oração, na eucaristia e na Cruz.
A santidade não consiste em graças extraordinárias de oração, nem em grandes mortificações e penitências insustentáveis; menos ainda é a herança exclusiva das solidões longínquas do mundo.[vi][6] A imitação de Cristo que devemos ter em mente, nós leigos, se refere aos seus trinta anos de vida oculta, no trabalho com seu pai e em sua vida em casa com sua Mãe.
A santidade consiste no cumprimento amoroso e fiel dos pequenos deveres pessoais ao longo do dia, na aceitação gozosa e humilde da vontade de Deus, na união com Ele no trabalho ( e/ou no estudo) de cada dia, em saber fundir a religião e a vida em harmoniosa e fecunda unidade, em tantas outras coisas pequenas e habituais que tu conheces.[vii][7]
Coisas pequenas! Detalhes! Um sorriso, quando não se tem humor para tal, a perseverança na oração quando vem a distração, algo que se guarda no lugar quando a preguiça pede para deixar de lado, o tempo “gasto” com o filho ou com o irmão quando o cansaço nos pede cama, um texto bem revisado, a busca exaustiva de todas as informações para um serviço correto no emprego, o trabalho bem acabado, um caderno bem cuidado, a lição estudada até o fim, o tempero especial da comida quando vem a pressa. Tudo bem feito, perfeito, feito até o final, até o último detalhe, vencer a preguiça nas pequenas coisas, vencer o egoísmo nas pequenas coisas, vencer o mau humor ou a ira nas pequenas coisas, vencer a inveja nas pequenas coisas, vencer, vencer, vencer nas pequenas coisas do dia-a-dia...combater o bom combate por amor, por Ele.
Lembremo-nos de que “Santo não é aquele que nunca cai, mas aquele que sempre se levanta”. O importante é lutar sempre, e, com humildade e amor, recomeçar sempre.
Lembremo-nos também de que, para ter forças para este “bom combate”, é necessário recorrer a duas coisas importantíssimas: O Pão e a palavra - Eucaristia e a Oração.
§ É preciso que sejamos homens e mulheres que freqüentam os sacramentos habitualmente: em especial, a Eucaristia, e, com freqüência, a Confissão.
§ È preciso que sejamos homens e mulheres que têm vida interior, através de um trato íntimo e direto com Deus na oração pessoal (reforçada pela prática das leituras espirituais).
Assim crescemos em graça e em vida interior, ganhando forças para a nossa luta.
O cristão que inutiliza os canais pelos quais lhe chega a graça – a oração e os sacramentos – fica sem alimento para a sua alma, e “esta morre às mãos do pecado mortal, porque as suas reservas se esgotaram e chega um momento em que nem sequer é necessária uma forte tentação para que caia: cai por si própria, porque já não tem forças para manter-se de pé. Morre porque a sua vida acabou. E se os canais da graça não estiverem bem desimpedidos, porque uma montanha de apatias, negligências, preguiças, comodismos, respeitos humanos, influências do ambiente, pressas e outros afazeres [...] os obstrui, então a vida da alma vai se enfraquecendo e agoniza, até que acaba por morrer. E, naturalmente, a sua esterilidade é total, pois não dá nenhum fruto.
Espelhemo-nos em São José, com as fainas de seu ofício, esmerando-se em cada detalhe com o pensamento voltado para seus dois amores.
Fazei tudo por Amor. - Assim não há coisas pequenas: tudo é grande. - A perseverança nas pequenas coisas, por Amor, é heroísmo.[viii][8] Queres deveras ser santo? Cumpre o pequeno dever de cada momento; faz o que deves e está no que fazes[ix][9].
Porque fostes fiel no pouco, entra no gozo do teu Senhor.












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