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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Leia-me ou lamentá-lo-á

 
"Leia-me ou lamentá-lo-á"
Padre O'Sulivan

PURGATORIO

Aprovação de Sua Eminência o Cardeal de Lisboa Palácio Cardinalício, Lisboa, 4 de março de 1936.
Aprovamos e recomendamos com todo o coração este texto:"Leia-me ou lamentá-lo-á", por EDM (Engant de Marie, iniciais com as que se identifica o padre O'Sulivan). Ainda que pequeno, está destinado a fazer grandes coisas entre os católicos, muitos dos quais estão incrivelmente ignorantes acerca da grande doutrina do Purgatório.
Como conseqüência, eles fazem pouco ou nada para evitá-lo para si mesmos e tampouco ajudam as Almas Sofrentes que estão em terríveis tormentos, esperando pelas Missas e as orações oferecidas por elas. É nosso mais caro desejo que cada católico lesse este livro e que o comunicasse por todas as partes, tanto como lhe seja possível.

Prefacio: "Leia-me ou lamentá-lo-á" O titulo é algo alarmante. Assim, estimado leitor, se tu lês este pequeno livro, verás por ti mesmo quão merecido é. O livro nos conta como salvar a nós mesmos e a outros de um sofrimento inenarrável. Alguns livros são bons e alguns outros podem ser de proveito. Outros são melhores e devem ser lidos sem falta. Há, sem dúvida, livros de tão excelente mérito por razão de seus conselhos, a convicção que acarretam e a ação urgente a que nos impulsionam. "Leia-me ou lamentá-o" pertence a essa classe de livros. É para teu maior interesse, estimado amigo, que o leias e re-leias, para ponderá-lo bem e profundamente em seus conteúdos. Nunca te arrependerás disto, pelo contrario, grande e amargo será teu arrependimento se tu deixas de estudá-lo em suas substanciosas páginas.

Auxílio, Auxílio, sofremos muito!

I. Nunca chegaremos a compreender suficientemente de modo claro como uma esmola, pequena ou grande, dada em favor das almas sofrentes, é dada directamente a Deus. Que a aceita e recorda como se a houvessem dado directamente a Ele. Assim, tudo o que façamos por elas, Deus o aceita como feito para Ele. É como se o aliviássemos ou liberássemos a Ele mesmo do Purgatório. E de que maneira nos pagará!
II.Não há maior sede, pobreza, necessidade, pena, dor, sofrimento que se compare aos das Almas do Purgatório, por tanto não há esmolas mais merecidas, nem mais agradáveis a Deus, nem mérito mais alto para nós, que rezar, pedir celebrações de Missas, e dar esmolas em favor das pobres Santas Almas.
III.É muito possível que alguns de nossos mais próximos e queridos parentes estejam, todavia sofrendo as purificantes penas do Purgatório e lamentando entre lastimosos gemidos para que os ajudemos e aliviemos.
IV. Não é terrível que sejamos tão duros que não possamos pensar neles, nem tampouco possamos ser tão cruéis que deliberadamente os esqueçamos? !
Pelo amor de Cristo, façamos tudo, mas tudo, o que pudermos por elas. Todo católico deveria unir-se a uma Associação para o bem das Almas do Purgatório : "Tenham piedade de mim, tenham piedade de mim, pelo menos vocês meus amigos, porque a mão do Senhor me tem tocado" (Job 19:21). Esta é a comovedora súplica que a Igreja Purgante envia aos seus amigos na terra. Terra, comecem, implorem a sua ajuda, em resposta a angustia mais profunda. Muitos dependem de suas orações. É incompreensível como alguns católicos, ainda aqueles que de uma ou outra forma são devotos, vergonhosamente desatendem as almas do Purgatório. Parecerá que não crêem no Purgatório. Certamente é que suas idéias acerca dele são muito difusas. Dias e semanas e meses passam sem que eles recebam uma Missa dita por elas! Raramente também, ouvem Missa por eles, raramente rezam por eles, raramente pensam em eles! Entretanto estão gozando a plenitude da saúde e a felicidade, ocupados em seus trabalhos; divertindo-se, enquanto as pobres almas sofrem inenarráveis agonias em seus leitos de chamas. Qual é a causa desta horrível insensibilidade? Ignorância: inexplicável ignorância. As pessoas não se dão conta do que é o Purgatório. Não concebem as espantosas penas, nem tem idéia dos largos anos que as almas são retidas nessas horríveis chamas. Como resultado, fazem pouco ou nada para evitar e a si mesmos o Purgatório, e ainda pior, cruelmente ignoram as pobres almas que já estão ali e que dependem inteiramente deles para ser auxiliadas. Estimado leitor, lê atentamente este pequeno livro com cuidado e irá bendizer o dia que caiu em tuas mãos.

O que é o Purgatório.

É uma prisão de fogo na qual quase todas as almas salvas são submersas depois da morte e na qual sofrem as mais intensas penas. Aqui está o que os maiores doutores da igreja nos dizem acerca do Purgatório. Tão lastimoso é o sofrimento delas que um minuto desse horrível fogo parece ser um século. Santo Tomás Aquino, o príncipe dos teólogos, disse que o fogo do Purgatório é igual em intensidade ao fogo do inferno, e que o mínimo contacto com ele é mais aterrador que todos os sofrimentos possíveis desta terra! Santo Agostinho, o maior de todos os santos doutores, ensina que para serem purificadas das suas faltas antes de serem aceitas no Céu, as almas depois de mortas são sujeitas a um fogo mais penetrante e mais terrível do que nenhum que se possa ver, sentir ou conceber nesta vida. Ainda que este fogo está destinado a limpar e purificar a alma, disse o Santo Doutor, ainda é mais agudo que qualquer coisa que possamos resistir na Terra. São Cirilo de Alexandria não duvida em dizer que "seria preferível sofrer todos os possíveis tormentos na Terra até ao dia final que passar um só dia no Purgatório". Outro grande Santo disse: “O nosso fogo, em comparação com o fogo do Purgatório, é uma brisa fresca "". Outros santos escritores falam em idênticos termos desse horrível fogo.

Como é que as penas do Purgatório são tão severas?

1. O fogo que vemos na Terra foi feito pela bondade de Deus para nossa comodidade e nosso bem estar. Às vezes é usado como tormento, e é o mais terrível que podemos imaginar.
2. O fogo do Purgatório, pelo contrário, está feito pela Justiça de Deus para penar e purificar-nos e é, por conseguinte, incomparavelmente mais severo.
3. O nosso fogo, no máximo, arde até consumir o nosso corpo; feito de matéria, pelo contrário o fogo do Purgatório actua sobre a alma espiritual, a qual é inexplicavelmente mais sensível á dor. 4. Quanto mais intenso é o fogo, mais rapidamente destrói a sua vitima; a qual, por conseguinte cessa de sofrer; por quanto o fogo do Purgatório inflige a mais aguda e a mais violenta pena, mas nunca mata a alma nem lhe tira a sensibilidade.
5.Tão severo como é o fogo do Purgatório, é a pena da separação de Deus, a qual a alma também sofre no Purgatório, e esta é a pena mais severa. A alma separada do corpo deseja com toda a intensidade da sua natureza espiritual estar com Deus. É consumida de intenso desejo de voar até Ele. Ainda é retida,e não há palavras para descrever a angustia dessa aspiração insatisfeita. Que loucura, então, é para um ser inteligente como o ser humano negar qualquer precaução para evitar tal espantoso feito. É infantil dizer que não pode ser assim, que não o podemos entender, que é melhor não pensar ou não falar dele. O feito é que, seja o cremos ou não, todas as penas do Purgatório estão mais altas do que podemos imaginar ou conceber. Estas são as palavras de São Agustinho.
Sobre o Purgatório, Pode tudo isto ser verdade?

A existência do Purgatório é tão certa que nenhum católico tem tido nunca nenhuma duvida acerca dele. Foi ensinado desde os tempos mais remotos pela Igreja e foi aceite com indubitável fé quando a Palavra de Deus foi pregada. A doutrina é revelada na Sagrada Escritura e crida por milhões e milhões de crentes de todos os tempos. Ainda, tal como o temos remarcado, as idéias de alguns são tão vagas e superficiais neste tema tão importante, que são como pessoas que cerram os seus olhos e caminham deliberadamente no fio de um precipício. Seria bem em recordar que a melhor maneira de cortar a nossa estadia no Purgatório - o ainda mais, evitá-lo é ter uma clara idéia dele, e de pensar bem nele e adoptar os remédios que Deus nos oferece para evitá-lo. Não pensar nele é fatal. É cavar a si mesmo a fossa, e preparar para eles mesmo um terrifico, largo e rigoroso Purgatório.

O Príncipe Polaco.

Houve um príncipe polaco, que por uma razão política, foi exilado do seu pais natal, e chegado à França, comprou um lindo castelo. Desafortunadamente, perdeu a Fé da sua infância e estava, ocupado em escrever um livro contra Deus e a existência da vida eterna. Dando um passeio numa noite no seu jardim, se encontrou com uma mulher que chorava amargamente. Perguntou-lhe o porquê do seu desconsolo. Oh, príncipe, ela replicou, sou a esposa de John Marie, o seu mordomo, o qual faleceu faz dois dias. Ele foi um bom marido e um devoto servente da Sua Alteza. A sua enfermidade foi larga e gastei todos os recursos em médicos, e agora não tenho dinheiro para ir oferecer uma Missa pela sua alma "". O príncipe, tocado pelo desconsolo desta mulher, lhe disse algumas palavras, e ainda que professava já não crer mais na vida eterna,mas, lhe deu algumas moedas de ouro para ter a Missa pelo seu defunto esposo. Um tempo depois, também de noite, o Príncipe estava no seu estúdio trabalhando febrilmente no seu livro. Escutou um ruidoso tocar a porta, e sem levantar a vista dos seus escritos, convidou a quem fosse a entrar. A porta se abriu e um homem entrou e parou frente ao escritório de Sua Majestade. Ao levantar a vista, qual não seria a surpresa do Príncipe ao ver a John Marie, o seu mordomo morto, que o olhava com um doce sorriso. E disse ao Príncipe, "venho a agradecer-lhe pelas Missas que você permitiu que a minha mulher encomendasse por minha alma. Graças ao Salvador Sangue de Cristo, oferecido por mim, vou agora ao Céu , mas Deus me permitiu vir aqui e agradecer-lhe pelas suas generosas esmolas". Logo o agregou solenemente "Príncipe, há um Deus, uma vida futura, um Céu e um Inferno". Dito isto, desapareceu. O Príncipe caiu de joelhos e recitou um Credo ("Creio em Deus Pai Todo-poderoso...")

Santo Antônio e o seu amigo

Aqui há uma narração de diferente classe, mas não menos instrutiva. Santo Antônio, o ilustre Arcebispo de Florência, relata que um piedoso cavaleiro havia morrido, o qual tinha um amigo num convento Dominicano no qual o Santo residia. Varias Missas foram sufragadas pela sua alma. O Santo se afligiu muito quando, depois de um prolongado lapso, a alma do falecido lhe apareceu, sofrendo muitíssimo. "Oh meu querido amigo" exclamou o Arcebispo, estás todavia no Purgatório, tu, que levaste uma piedosa e devota vida?"". "Assim é, e terei que permanecer aqui por um largo tempo" replicou o pobre sofredor, "durante a minha vida na terra fui negligente em não oferecer sufrágios pelas almas do Purgatório. Agora, Deus por seu justo juízo aplica os sufrágios que deviam ser aplicados por mim, em favor daqueles pelos quais devia ter rezado". "Mas Deus, também, na sua justiça, me dará todos os méritos das minhas boas obras quando entrar ao Céu ; mas, primeiro de tudo, tenho que expiar a minha grave negligência de não me lembrar dos outros". Tão certas são as palavras de Nosso Senhor "Com a vara com que medes serás medido". Recorda, tu que lês estas linhas, o terrível destino desse piedoso cavaleiro será o daqueles que deixam de orar e recusam ajudar as Santas Almas.

Quanto tempo as almas permanecem no Purgatório?

A extensão em tempo pela qual as almas permanecem no Purgatório
depende de: a) O número das suas faltas.b) A malícia e a deliberação com que essas foram realizadas.c) A penitencia feita, ou não, a satisfação feita, ou não, pelos pecados cometidos durante a vida.d) E também depende dos sufrágios oferecidos por eles depois da sua morte. O que se pode dizer com segurança é que, o tempo que as almas passam no Purgatório é, por regra geral, muito mais longo que a gente possa imaginar. Extraímos algumas citações dos livros que falam da vida e as revelações dos Santos. São Luis Bertrand : O seu pai era um exemplar cristão, como naturalmente se podia esperar, sendo o pai de tão grande Santo. Tempos houve que desejou ser um Monge Cartuxo, até que Deus lhe fez ver que não era a Sua vontade. Quando morreu, ao longo de largos anos de praticar cada virtude cristã, o seu filho completamente ao cuidado dos rigores da justiça Divina, ofereceu algumas Missas e elevou as mais ferventes súplicas pelo alma do qual o amou tanto. Uma visão do seu pai no Purgatório o obrigou a multiplicar centenas de vezes os seus sufrágios. Agregou as mais severas penas e largos jejuns ás suas Missas e orações. Assim oito anos completos passaram antes que obtivesse a libertação do seu pai. São Malaquias tinha uma irmã todavia no Purgatório, o qual fez que redobrasse os seus esforços, e assim mesmo, apesar das Missas, orações e heróicas mortificações oferecidas pelo Santo, permaneceu vários anos retida! Se conta que uma santa monja em Pamplona, a qual conseguiu libertar várias Carmelitas do Purgatório, as quais permaneceriam ali pelo término de 30 a 40 anos! Monjas Carmelitas no Purgatório por 40, 50 e até 60 anos! qual será o destino daqueles que vivem imersos nas tentações do Mundo, e com as suas fortes debilidades? São Vicente Ferrer, depois da morte da sua irmã, orou com incrível fervor pela sua alma e ofereceu várias Missas pela sua libertação. Ela apareceu ao Santo no final do seu Purgatório, e lhe contou que se não fosse por sua poderosa intercessão dante de Deus, ela haveria estado ali por tempo indeterminado. Na Ordem Dominicana é regra geral orar pelos Superiores no aniversário da sua morte. alguns destes religiosos morreram há vários séculos! eles foram homens eminentes pela sua piedade e sabedoria. Esta regra não seria aprovada pela Igreja se não fosse necessária e prudente. Não queremos significar com isto que todas as almas estão retidas por tempos iguais nos fogos expiatórios. Algumas tem cometido faltas leves e tem feito penitencia em vida. Por tanto, o seu castigo será muito menos severo. Todavia, os exemplos que temos posto aqui são muito oportunos. Se estas almas, quem gozaram do trato, que viram, seguiram, e tiveram a intercessão de grandes santos, são retidas largo tempo no Purgatório, que será de nós que não gozamos de nenhum destes privilégios?

Porque uma expiação tão prolongada?

As razões não são difíceis de entender.
1. A malicia do pecado é muito grande, o que a nós nos parece uma pequena falta na realidade uma seria ofensa contra a infinita bondade de Deus, é suficiente ver como os Santos se condoeram sobre as suas faltas. Somos fracos, é a nossa tendência. é verdade, mas então Deus nos oferece generosamente abundantes graças para fortalecermos; nos dá a luz para ver a gravidade das nossas faltas, e a força necessária para vencer a tentação. Se todavia somos fracos, a falta é nossa. Não usamos a luz e a fortaleza que Deus nos oferece generosamente; não rezamos, não recebemos os Sacramentos como deveriamos.
2. Um eminente teólogo remarca que se as almas são condenadas ao Inferno por toda a eternidade pelo pecado mortal, não há que se assombrar que outras almas devessem ser retidas por largo tempo no Purgatório quem tem cometido deliberadamente incontáveis pecados veniais, alguns dos quais são tão graves que ao tempo de cometê-los o pecador escassamente distingue se são mortais ou veniais. Também, eles podem ter cometido alguns pecados mortais pelos quais tiveram pouco arrependimento e fizeram pouca ou nenhuma penitencia. A culpa tem sido remitida pela absolvição, mas a pena devida pelos pecados terá que ser paga no Purgatório. Nosso Senhor nos ensina que deveremos render contas por cada palavra que dizemos e que não deixaremos a prisão até que tenhamos pago até ao último centavo.(Mt 5:26). Os Santos cometeram poucos e leves pecados, e todavia eles sentem muito e fazem severas penas. Nós cometemos muitos e gravíssimos pecados, e nos arrependemos pouco e fazemos pouca ou nenhuma penitencia.

Pecados Veniais

Seria difícil calcular o imenso número de pecados veniais,
que um católico comete.
1) Há um infinito número de faltas no amor, egoísmo, pensamentos, palavras, actos de sensualidade, também em formas variantes, como faltas de caridade no pensamento, palavra, obra, e omissão. Sensualidade, vaidade, zelos, tibieza e outras inumeráveis faltas.
2) Há pecados por omissão que não pagamos. Amamos tão pouco a Deus, e Ele clama centenas de vezes pelo nosso amor. O tratamos friamente, indiferentemente e até com ingratidão. Ele morreu por cada um de nós . Temos-lhe agradecido como se deve? Ele permanece dia e noite no Santíssimo Sacramento do Altar, esperando pela nossa visita, ansioso de ajudar-nos. Quão pouco vamos a Ele ? Ele ânseia vir a nós na Santa Comunhão, e o recusamos. Se oferece a Si mesmo por nós cada dia no Altar na Missa e dá oceanos de graças a aqueles que assistem ao Santo Sacrifício. Ainda alguns são tão preguiçosos de ir ao Seu Calvário! Que desperdício de graças!
3) Os nossos corações estão cheios de amor a nós mesmos, duros. Temos casas felizes, esplendida comida, roupas, e abundância de todas as coisas. Muitos dos nossos próximos vivem na fome e a miséria, e lhe damos tão pouco, enquanto que vivemos no desperdício e gastamos com nós mesmos sem necessidade.
4) A vida nos foi dada para servir a Deus, e para salvar as nossas almas. Muitos cristãos, sem dúvida , estão satisfeitos de rezar cinco minutos ao acordar pela manhã e cinco à noite! O resto das 24 horas estão dedicados ao trabalho, descanso e prazer. Dez minutos a Deus, ás nossas almas imortais, ao grande trabalho da nossa salvação. Vinte e três horas e cinqüenta minutos a esta transitória vida! é justo para Deus? Os nossos trabalhos, os nossos descansos e sofrimentos deveriam ser feitos para Deus! Assim deveria ser, e os nossos méritos seriam com certeza grandes. A verdade é que hoje em dia poucos pensam em Deus durante o dia. O grande objectivo dos seus pensamentos são eles mesmos. Eles pensam e trabalham e descansam para satisfazer a si mesmo. Deus ocupa um pequeníssimo espaço nos seus dias e na suas mentes. Isto é uma tristeza ao Seu Amantíssimo Coração, o qual sempre pensa em nós.

E agora, os pecados Mortais

5) Muitos cristãos cometem, desafortunadamente, pecados mortais durante as suas vidas, mas ainda que os levam ao Sacramento da confissão, não fazem penitência por eles, como já temos dito. São Brida o venerável, opina que aqueles que passam grande parte da sua vida cometendo graves pecados e confessando-os no seu leito de morte, podem chegar a ser retidos no Purgatório até ao Dia Final. Santa Gertrudes nas suas revelações disse que aqueles que cometem muitos pecados graves e que não tenham feito penitencia não gozam de nenhum sufrágio da Igreja por um considerável tempo! Todos estes pecados, mortais ou veniais, se acumulam por 20,30,40,60 anos das nossas vidas. Todos e cada um deverão ser expiados depois da morte. Então, é espantoso que algumas almas tenham que estar no Purgatório por tanto tempo?

Porque se deve rezar pelas almas benditas do Purgatório?

O grande Mandamento de Nosso Senhor Jesus Cristo é que nos amemos uns aos outros, genuína e sinceramente. O Primeiro grande Mandamento é amar a Deus sobre todas as coisas. O Segundo, o melhor dito a continuação do Primeiro, é amar ao próximo como a nós mesmos. Não é um conselho ou um mero desejo do Todo-poderoso. É o Seu grande Mandamento, a base e a essência da Sua Lei. É tanta a verdade encerrada nisto que o toma como doação tudo aquilo que fazemos pelo nosso próximo, e como uma recusa a Ele quando recusamos ajudar o nosso próximo. Lemos no Evangelho de São Mateus ( Mt 25:34-46), as palavras de Cristo que dirigirá a cada um no Dia do Juízo Final. Alguns católicos parecem pensar que a sua Lei tem caído em desuso, pois nestes dias existe o egoísmo, o amor a si mesmo, e cada um pensa em si mesmo e no seu engrandecimento pessoal. "E inútil observar a Lei de Deus nestes dias", dizem, "cada um deve olhar por si mesmo ". Não há tal coisa! a lei de Deus é grandiosa e todavia para sempre terá força de lei. Por isto, é mais que nunca necessária, mais que nunca o nosso dever, e por nosso maior interesse.
Estamos moralmente obrigados a rogar pelas almas benditas Sempre estamos obrigados a amar e ajudar os outros, mas quanto maior é a necessidade do nosso próximo, maior e mas estrita é a nossa obrigação. Não é um favor que podemos ou não fazer, é nosso dever; devemos ajudar-nos uns aos outros. Seria um monstruoso crime, por acaso, recusar a tomar e desprezar o alimento necessário para manter-nos vivos. Seria espantoso recusar a ajuda a alguém numa grande necessidade, passar de longe e não estender a mão para salvar um homem que está pedindo ajuda. Não apenas devemos ajudar quando é fácil e conveniente, mas sim que o devemos fazer qualquer sacrifício para socorrer o nosso irmão em dificuldades. Agora, quem pode estar mais necessitado da caridade que as almas do Purgatório? Que fome ou sede ou sofrimento nesta Terra pode comparar-se com os seus mais terríveis sofrimentos? Nem o pobre, nem o enfermo, nem o sofredor que vemos a nosso redor necessitam de tal urgente socorro. Ainda encontramos gente de bom coração que se interessa nos sofrentes desta vida, mas, escassamente encontramos gente que trabalha pelas Almas do Purgatório! E quem pode necessitar mais? Entre eles, além do que, podem estar as nossas mães, os nossos pais, amigos e seres queridos. Deus deseja que as ajudemos. Elas são os amigos mais queridos, deseja ajudá-los; deseja muito tê-los próximos d´ Ele no Céu . Elas nunca mais o ofenderão, e estão destinadas a estar com Ele por toda a Eternidade. Verdade, a Justiça de Deus demanda expiação pelos pecados, mas por uma assombrosa disposição da Sua Providencia põe nas nossas mãos a possibilidade de assisti-los, ou nos dá o poder de aliviá-las e ainda de libertá-las. Nada agrada mais a Deus que lhes ajudemos. Estará tão agradecido como se lhe ajudássemos a Ele.

Nossa Senhora quer que os ajudemos.

Nunca, nunca uma mãe desta terra amou tão ternamente os seus filhos falecidos, nunca ninguém consola como Maria busca constantemente consolar os seus sofrentes meninos no Purgatório, e tê-los com Ela no Céu . Daremos-lhe grande regozijo cada vez que tirássemos do Purgatório uma alma.
As benditas almas do Purgatório nos devolvem o mil por um.
Mas que poderemos dizer dos sentimentos das Santas Almas? Seria praticamente impossível de descrever a sua ilimitada gratidão para aqueles que as ajudam! Cheias de um imenso desejo de pagar os favores feitos por elas, rogam pelos seus benfeitores com um fervor tão grande, tão intenso, tão constante, que Deus não lhes pode negar nada. Santa Catarina de Bologna disse :"Tenho recebido muitos e grandes favores dos Santos, mas muito maiores das Santas Almas (do Purgatório)". Quando finalmente são libertadas das suas penas e desfrutam da beatitude do Céu , longe de esquecer os seus amigos da Terra, a sua gratidão não conhece limites. Prostradas frente ao Trono de Deus, não cessam de orar por aqueles que os ajudaram. Por suas orações elas protegem os seus amigos dos perigos e os protegem dos demônios que os atacam. Não cessam de orar até ver os seus benfeitores seguros no Céu , e serão por sempre os seus mais queridos, sinceros e melhores amigos. Se os católicos soubessem quão poderosos protectores se asseguram com apenas ajudar as almas benditas, não seriam tão omissos de orar por eles.

As almas benditas do Purgatório podem encurtar o nosso próprio Purgatório.

Outra grande graça que obteremos por orar por elas é um curto e fácil Purgatório, ou a sua completa remissão! São João Macias, sacerdote dominicano, tinha uma maravilhosa devoção as Almas do Purgatório. Obteve pelas suas orações (principalmente pela recitação do Santo Rosário) a libertação de um milhão quatrocentas mil almas! Em retribuição, obteve para si mesmo as mais abundantes e extraordinárias graças e estas almas vieram consolá-lo no seu leito de morte, e a acompanhá-lo até ao Céu . Este feito é tão certo que foi inserido pela Igreja na bula que decretava sa ua beatificação. O Cardeal Baronio recorda um evento similar. Foi chamado a assistir a um moribundo. De repente, um exército de espíritos benditos apareceram no leito de morte, consolaram o moribundo, e dissiparam os demônios que gemiam, um desesperado intento por lograr a sua ruína. Quando o cardeal lhes perguntou quem eram, lhe responderam que eram oito mil almas que este homem havia libertado do Purgatório graças ás suas orações e boas obras. Foram enviadas por Deus, segundo explicaram, para levá-lo ao Céu sem passar um só momento no Purgatório. Santa Gertrudes foi ferozmente tentada pelo demônio quando estava por morrer. O espírito demoníaco nos reserva uma perigosa e sutil tentação para os nossos últimos minutos. Como não pode encontrar um assalto suficientemente inteligente para esta Santa, o pensou em molestar a sua beatifica paz sugerindo-lhe que ia a passar muitíssimo tempo no Purgatório posto que ela desperdiçou as suas próprias indulgências e sufrágios em favor de outras almas. Mas Nosso Senhor , não contente, por enviar os Seus Anjos e as milhares de almas que ela havia libertado, foi em Pessoa para afastar Satanás e confortar a sua querida Santa. Ele disse a Santa Gertrudes que em troca do que ela havia feito pelas almas benditas, lhe levaria directo ao Céu e multiplicaria cem vezes todos os seus méritos. O Beato Enrique Suso, da Ordem Dominicana, fez um pacto com outro irmão da Ordem pelo qual, quando o primeiro deles morresse, o sobrevivente ofereceria duas Missas cada semana pela sua alma, e outras orações também. Sucedeu que o seu companheiro morreu primeiro, e o Beato Enrique começou imediatamente a oferecer as prometidas Missas. Continuou dizendo-as por um largo tempo. Ao final, suficientemente seguro que o seu santamente morto amigo havia alcançado o Céu , cessou de oferecer as Missas. Grande foi o seu arrependimento e consternação quando o irmão morto apareceu frente a ele sofrendo intensamente e reclamando que não havia celebrado as Missas prometidas. O Beato Enrique replicou com grande arrependimento que não continuou com as Missas, crendo que o seu amigo seguramente estaria desfrutando da Visão Beatifica mas agregou que sempre o recordava nas suas orações. "Oh irmão Enrique, por favor dai-me as Missas, pois é o Preciosíssimo Sangue de Jesus o que eu mais necessito" chorava a sofredora alma. O Beato recomeçou a oferecê-las, e com redobrado fervor, ofereceu Missas e rogos pelo seu amigo até que recebeu absoluta certeza da sua libertação. Logo foi a sua vez de receber graças e benções de toda classe por parte do seu querido irmão libertado, e muito mais do que as que haveria esperado.

Como podemos ajudar as benditas almas do Purgatório.

1. A primeira medida é ir a uma Associação das Santas Almas. As condições são simples. a) Ter o teu nome registrado no livro da Associação. b) Ouvir a Missa uma vez por semana (basta a Missa do domingo) pelas Santas Almas. c) Rezar e promover a devoção ás almas Benditas. d) Contribuir uma vez ao ano com um donativo á Associação, o qual permite a Associação ter Missas perpetuas cada mês. (Se desejam Missas especiais pelas almas Benditas, é importante mencionar quantas Missas se quer). Aqueles que desejam ir e não tem a Associação nas suas Paróquias, podem enviar os seus nomes, intenções e esmolas anuais a Associação das Santas Almas, Irmãs Dominicas do Perpetuo Rosário, Monastério Pio XII, Rua do Rosário 1, 2495, Fátima, Portugal. Esta Associação está aprovada pelo Cardeal Arcebispo de Lisboa.
2. A segunda medida para ajudar as almas Benditas, é pedindo Missas oferecidas por elas. Esta é certamente a mais eficaz das medidas para libertá-las.
3. Aqueles que não possam oferecer Missas, deveriam assistir a quantas Missas for possível por sua intercessão. Um homem jovem que ganhava um salário muito modesto lhe contou ao autor deste livro: " Minha esposa morreu uns anos antes. Tenho 10 Missas oferecidas por ela. Não posso fazer mais por ela, mas ouvi 1.000 Missas pela sua querida alma.
4. A recitação do Santo Rosário (com as suas grandes indulgências) e fazer a Via Crucis (a qual é ricamente doadora de indulgências), são excelentes vias de ajuda as almas. São João Macias, como vimos, libertou do Purgatório mais de um milhão de almas, principalmente recitando o Santo Rosário e oferecendo as suas indulgências por elas.
5. Outra fácil e eficaz forma de ajuda é a recitação constante de orações breves que contenham indulgências (aplicando ditas indulgências em favor das almas do Purgatório) muita gente tem a costume de dizer 500, ou 1000 vezes cada dia a pequena jaculatória "Sagrado Coração de Jesus, em Vós confio", ou apenas a palavra "Jesus". Estas são as mais consoladoras devoções; elas trazem oceanos de graças a quem as praticam e dão imenso alivio as Santas Almas. Aqueles que digam as jaculatórias 500, ou 1.000 vezes, ganham 300.000 dias de indulgências(oitocentos e vinte um anos de indulgências)! Que multidão de almas podemos libertar!!! Quanto não será a quantidade de almas libertadas ao cabo de um mês, de um ano, de cinqüenta anos? e aos que não dizem as jaculatórias... que imenso número de graças e favores haverão perdido! é bastante possível que não seja fácil dizer essas jaculatórias 1.000 vezes ao dia. Mas se não podes dizer 1.000, pelo menos digas 500, ou 200 vezes diárias.
6. Todavia outra poderosa oração é: ]"Pai Eterno, te ofereço o Preciosissimo Sangue de Jesus, com todas as Missas ditas no mundo neste dia, pelas Almas do Purgatório". Nosso Senhor mostrou a Santa Gertrudes um vasto número de almas deixando o Purgatório (cerca de 1.000 cada vez que se recitava!) e indo ao Céu como resultado desta oração, a qual a Santa costumava dizer freqüentemente durante o dia.
7. O acto heróico: consiste em oferecer a Deus em favor das Almas do Purgatório todos os trabalhos de satisfação que praticamos na nossa vida e todos os sufrágios que serão oferecidos para nós depois da nossa morte. Se Deus premia tão abundantemente a mais insignificante esmola dada por um pobre homem no Seu nome, que imensa recompensa Ele não dará a aqueles que oferecem os seus trabalhos de satisfação em vida e morte pelas Almas que Ele ama tanto. Este acto não evita que os sacerdotes ofereçam Missas pelas intenções que eles desejem, ou que os laicos não rezem por algumas pessoas ou outras intenções. Aconselhamos a todos realizar este acto.
As esmolas ajudam as Santas Almas.

São Martim deu a metade do seu manto a um pobre mendigo, apenas para dar-se conta depois, que o havia dado a Cristo. Nosso Senhor apareceu ao Santo e lhe agradeceu. O Beato Jordam da Ordem Dominica, nunca podia recusar dar esmolas quando se o pediam no nome de Deus. Um dia havia esquecido o seu moedeiro. Um pobre homem implorava uma esmola pelo amor de Deus. Em vez de descartá-lo, Jordam, então um estudante, lhe deu o seu mais apreciado cinto, o qual apreciava muito. Pouco tempo depois, entrou numa Igreja e encontrou o seu cinto circundando a cintura de uma imagem de Cristo Crucificado. Ele também, havia dado as suas esmolas a Cristo. Todos damos esmolas a Cristo.

Conclusão

Dar todas as esmolas que possamos. Pedir todas as Missas que estejam em nosso poder. Escutar todas as Missas, quantas mais, melhor. Oferecer todas as nossas penas e sofrimentos pela libertação das Almas do Purgatório. Libertaremos incontavel quantidade de Almas do Purgatório, as quais nos pagarão 10.000 vezes mas.

O que fazem as almas benditas por aqueles que as ajudam.

São Alfonso Maria Liguorio dizia que, ainda que as santas Almas não podem já lograr méritos para si mesmas, podem obter para nós grandes graças. Não são formalmente falando, intercessores, como o são os Santos, mas através da doce Providência de Deus, podem obter para nós assombrosos favores e livrar-nos dos demônios, enfermidades e perigos de toda a ordem. Está mais além de toda duvida, como já temos dito, que nos devolvem milhões de vezes cada coisa que façamos por eles. Os seguintes feitos, um dos poucos de todos os que poderíamos mencionar, são suficientes para mostrar quão poderosas e generosas amigas são estas Almas.

Como uma menina encontrou a sua mãe.

Uma pobre menina empregada na França chamada Jeanne Marie escutou uma vez um sermão sobre as Santas Almas, o qual deixou uma impressão indelevel na seu mente. Foi profundamente movida pelo pensamento do intenso e incessante sofrimento que suportavam as pobres Almas, e se horrorizava ao ver quão cruelmente eram esquecidas e deixadas de lado pelos seus amigos e parentes da Terra. Outra coisa que a impressionou profundamente é ouvir que há muitas almas que estão tão perto da seu libertação, que uma só Missa seria suficiente para elas; mas que são retidas largo tempo, até anos, apenas porque este último e necessário sufrágio foi esquecido ou negado! Com uma fé simples, Jeanne Marie resolveu que, custasse o que custasse, ela teria uma Missa pelas Pobres Almas cada mês, especialmente pelas mais próximas ao Céu . Ela ganhava pouco, e ás vezes com dificuldade, mas nunca falou nas suas promessas. E numa ocasião foi a Paris com a sua patroa, e a menina caiu enferma. Pelo qual se viu obrigada a ir ao Hospital. Desafortunadamente, a enfermidade precisou de longo tratamento, e a sua patroa teve que regressar para casa, desejando que a sua empregada logo se reunisse com ela. Quando ao final a pobre empregada pode deixar o hospital, e ali havia deixado todos os seus recursos, de maneira que apenas lhe restava na mão um franco. Que fazer ? Aonde ir? De repente, um pensamento cruzou a sua mente e se lembrou que não havia oferecido esse mês uma Missa em favor das Pobres Almas. Mas tinha apenas um franco! Apenas lhe bastaria para comer. Como tinha confiança que as Almas do Purgatório lhe ajudariam, foi até uma Igreja e pediu para falar com um sacerdote, para que ofereça uma Missa, em favor das Almas do Purgatório. Ele aceitou, ainda que jamais imaginasse que a modesta soma que a menina ofereceu era o único dinheiro que a pobre menina possuia. Ao terminar o Santo Sacrifício, a nossa heroína deixou a Igreja. Uma certa tristeza nublou o seu rosto, e se sentiu totalmente perplexa. Um jovem cavaleiro, tocado pela sua evidente decepção, lhe perguntou se tinha algum problema e se podia ajudá-la. Ela lhe contou a sua historia brevemente, e finalizou dizendo o quanto desejava trabalhar. De alguma maneira se sentiu consolada pela forma com que o jovem a escutava, e recobrou a confiança. "Será um prazer ajudar-te" disse." Conheço uma dama que neste momento está buscando uma servente. Vem comigo". e dito isto guiou-a até uma casa não muito longe e lhe pediu que ela tocasse o sino, asegurando-lhe que encontraria trabalho. Em resposta ao toque do sino, a dama da casa abriu ela mesma a porta e perguntou a Jeanne Marie que queria. "madame" disse ela, "Me disseram que você está procurando uma empregada. Não tenho trabalho e me agradaria ter o posto". A dama estava perplexa e replicou: "Quem poderia haver dito que necessitava de uma empregada? Faz apenas um par de minutos que acabo de despedir a que tinha, acaso se encontrou com ela?" "Não, Madame, a pessoa que me informou que você necessitava de uma empregada foi um jovem cavaleiro". "Impossível!, exclamou a Senhora, "Nenhum jovem, de facto ninguém, poderia saber que necessitava de uma empregada". "Mas madame", disse a menina, apontando um quadro na parede" esse é o homem que me disse". "Não, minha menina, esse é meu único filho, que é morto a mais de um ano! "Morto , não" assegurou a menina," foi o que me trouxe até aqui, e ainda me guiou até á porta. Vi a cicatriz na fronte. O reconheceria onde fosse". Logo, lhe contou toda a historia, com o seu último franco, e de como ela obtinha Missas pelas Santas Almas, especialmente pelas mais próximas ao Céu . Convencida ao final da veracidade da historia de Jeanne Marie, a dama a recebeu com os braços abertos. "Vem, mas não como minha empregada, mas como minha querida filha. Tu tens enviado a meu queridíssimo filho ao Céu . Não tenho duvida que ele foi o que te trouxe a mim".

Como um menino pobre chegou a Bispo, a Cardeal e a Santo.

São Pedro Damião perdeu o seu pai e mãe ao nascer. Um dos seus irmãos o adoptou, mas o tratava com aspereza, forçando-o a trabalhar muito duro e alimentando-o muito mal e com escassa roupa. Um dia encontrou uma moeda de prata, que representava para ele uma pequena fortuna. Um amigo o aconselhou que a usasse para si mesmo, pois o dono não poderia ser achado. Para Pedro era difícil estabelecer em que gastaria o dinheiro, já que tinha todo tipo de necessidades. mas trocando de pensamento na sua jovem mente, decidiu que o melhor que podia fazer era pedir uma Missa pelas Almas do Purgatório, em especial pelas almas dos seus queridos pais. A custa de um grande sacrifício, transformou o seu pensamento em feitos e as Missas foram oferecidas. As almas do Purgatório devolveram o seu sacrifício mais generosamente. Desde esse dia em adiante notou uma grande mudança no seu destino. O seu irmão maior o chamou a casa onde ele vivia, e horrorizado pelo maltrato que padecia, o levou a viver consigo. O tratou como o seu próprio filho, e o educou e cuidou com o mais puro afecto. Benção sobre benção, os mais maravilhosos talentos de Pedro saíram á luz, e foi rapidamente promovido ao sacerdócio; algum tempo depois foi elevado a dignidade de bispo, e finalmente, Cardeal. Além do que, muitos milagres atestam a sua santidade, tanto que após a sua morte foi canonizado e declarado Doutor da Igreja. Estas maravilhosas graças vieram a ele depois de uma Missa oferecida pelas Santas Almas.

Uma aventura nos Apeninos.

Um grupo de sacerdotes foram convocados a Roma para tratar um assunto de gravidade. Eram portadores de importantes documentos, e uma grande soma de dinheiro lhes foi confiada para o santo Padre. Atentos ao facto que os Apeninos, os quais haviam de cruzar, estavam infestados de foragidos, elegeram um guia de confiança. Não havia então túneis nem trens para cruzar as montanhas. Pediram a protecção das almas Benditas do Purgatório, e decidiram recitar o De Profundis a cada hora por elas. Quando chegaram ao coração das montanhas, o que ia mas adiante de todos deu a voz de alarme para que colocassem aos cavalos a todo galope. Olhando ao redor, os sacerdotes viram de ambos os lados da montanhas bandos de foragidos fortemente armados. Se viram numa emboscada e estavam á completa mercês dos delinqüentes. Depois de uma hora de temerário avanço, o guia parou e olhando os sacerdotes, disse:" Não posso entender como escaparam. Esta gente nunca perdoa a ninguém". Os padres estavam convencidos que deviam a sua segurança ás Santas Almas, como logo se confirmaria com um feito que dizimaria toda duvida. Quando concluíram a sua missão em Roma, um deles foi destinado á Cidade Eterna, como capelão de uma prisão. Não muito depois, um dos mais ferozes bandidos da Itália foi capturado, e condenado á morte por uma larga serie de assassinatos e esperava a execução na sua cela. Ansioso de ganhar a sua confiança, o capelão contou-lhe as suas aventuras, entre elas a dos Apeninos. O criminoso manifestou grande interesse na historia. Quando terminou o seu relato, o assassino exclamou: "Eu fui o líder desse bando! Estávamos seguros de que vocês portavam dinheiro e estávamos decididos a matá-los e saqueá-los. mas uma força invisível nos impediu de disparar, pois queríamos fazê-lo mas não podíamos". O capelão logo lhe contou ao delinqüente como se haviam encomendado á proteção das Almas do Purgatório, e que eles atribuíam a sua protecção. O bandido não teve dificuldade em crer. De facto, fez a sua conversão muito mais fácil. Morreu com arrependimento.

Como Pio IX se curou da sua má memória.

O venerável pontífice Pio IX designou a um Santo e Prudente religioso chamado Tomaso como Bispo da Diocese. O sacerdote, alarmado pela responsabilidade posta sobre ele, começou encarecidamente a tentar evitá-la. Os seus protestos foram em vão. O Santo Padre sabia dos seus méritos. Agoniado pela apreensão, o humilde religioso solicitou uma audiência com o Santo Padre e lhe confessou que tinha má memória, o que resultava ser um grave impedimento no alto oficio encomendado a ele. Pio IX respondeu com uma sorriso " A sua diocese é muito pequena em comparação com a Igreja universal, a qual eu levo sobre os meus ombros. Teus cuidados são poucos em comparação com os meus." Agregou:"Eu também sofri um grave defeito da memória, mas prometi dizer uma fervente oração diária pelas almas Benditas, as quais , em retribuição, obtive para mim uma excelente memória. Você deveria fazer o mesmo, estimado padre, e terá em que se alegrar".

Quanto mais damos, mais recebemos.

Um homem de negócios de Boston se uniu á Associação das Santas Almas e deu uma alta soma de dinheiro anual para Missas e orações em favor destas. O Director da Associação se surpreendeu da generosidade do cavaleiro, pois sabia que não era um homem rico. E perguntou amavelmente um dia se as esmolas que ele generosamente dava eram completamente suas ou eram colectas que realizava de outros. O homem respondeu: "Tudo o que dou é da minha própria oferenda. Não se alarme. Não sou rico, você pensa que dou mais do que tenho. Não é assim, longe de perder com a minha caridade, as almas Benditas sabem que ganho consideravelmente mais do que dou; delas ninguém ganha em generosidade".

O impressor de colonia.

Wiliam Freyssem, dá o seu testemunho de como o seu filho e esposa recobraram a saúde graças ás Almas do Purgatório. um dia lhe encarregaram de imprimir um livreto sobre o Purgatório. Quando realizava as tarefas de correção do texto, a seu atenção foi captada pelos feitos narrados no livro. E aprendeu pela primeira vez as maravilhas que as Santas Almas podem fazer pelos seus amigos. Por aquele tempo o seu filho caiu gravemente enfermo, e de repente o seu estado se tornou desesperante. Recordando o que havia lido acerca do poder das Santas Almas, Freyssem fez a promessa solene de imprimir mil livros á sua própria custa, com a sua própria firma. foi á Igreja e, uma vez lá dentro, fez um voto solene. Nesse momento uma sensação de paz e confiança inundaram a sua alma. Ao retornar a casa, o seu filho , que não podia tragar nenhuma gota de água, pediu algo de comer. No dia seguinte estava fora de perigo e pronto, completamente curado. Ao mesmo tempo, Freyssem ordenou imprimir os livros do Purgatório para ser distribuídos, sabendo que a melhor forma de obter ajuda para as almas sofrentes, era dando a conhecer a muita gente o assunto das “Almas”. Ninguém sabia o sofrimento, destas pobres almas, e a necessidade que elas tinham de quem orasse por elas.O tempo passou, e uma nova tristeza se acerca sobre este impressor. Esta vez a seu amada esposa caiu enferma e a pesar de todos os cuidados ia cada vez pior. Perdeu o uso da razão e ficou quase completamente paralisada, de modo que os doutores não lhe deram muitas esperanças. O marido, recordando tudo o que as Almas do Purgatório haviam feito ao seu pequeno filho, correu outra vez á Igreja e prometeu solenemente, como outrora, imprimir 200 livros do Purgatório, em principio e como urgente socorro das almas benditas. Impossível de relatar, mas a aberração mental da sua esposa cessou, e começou a mover a sua língua e extremidades. E num curto período tempo ela estava perfeitamente curada.

A cura do câncer.

Joana de Menezes nos contará a sua cura. Ela estava sofrendo de um câncer na perna e imersa numa profunda dor . Recordando o que havia ouvido sobre o poder das Almas do Purgatório, ela resolveu pôr toda a seu confiança nelas e oferecer nove Missas por elas. Prometeu publicar no diário a seu cura, se esta se realizasse. Gradualmente o tumor e o câncer desapareceram.

Escapa de um assalto.

O padre Luis Manaci, um zeloso missionario, tinha grande devoção ás Almas do Purgatório. Se encontrou uma vez realizando uma viajem perigosa, mas com muita confiança pediu ás almas Benditas que o protegessem dos perigos que poderia encontrar. O seu caminho bordeava uma zona desértica, na qual se sabia que estava infestada de perigosos bandidos. Quando se encontrava rezando o Santo Rosário pelas Almas, qual não foi a sua surpresa, de ver-se rodeado de uma escolta de espíritos benditos. Logo descobriu a razão. Havia passado por uma emboscada, mas as Santas Almas o rodearam e o esconderam, tornando-o invisível para os miseráveis que buscavam a sua vida. O acompanharam até que esteve seguro e fora de perigo.


Voltar á Vida.

O Prior de Cirfontaines nos conta a sua historia:" um jovem da minha paróquia caiu enfermo de febre tifóide. Os seus pais vencidos pela pena me pediram que encomendasse as orações dos membros da Associação das Santas Almas. Era um sábado. O menino estava ás portas da morte. Os doutores provaram todos os recursos, todos os remédios. Foi em vão. Não podiam fazer nada para melhorá-lo. Eu era o único que tinha esperanças. Sabia do poder das Santas Almas pois havia visto o que podiam fazer. No domingo roguei aos Associados das Santas Almas para que rogassem fervorosamente pelo nosso amigo enfermo. Na segunda-feira o perigo havia passado. o menino estava curado".

Leia-o e Despertai.

"Na minha longa vida", escreve um sacerdote," vi muitas manifestações de generosidade dos católicos pelos pobres e necessitados, de acordo com o que Nosso Senhor nos mandou fazer. "também notei que alguns católicos são por certeza, muito generosos e bons. Alguns se preocupam com os pobres, outros pelos enfermos. Leprosos, pacientes de câncer, deficientes mentais, todos tem amigos. Alguns preferem ajudar os jovens, os corações de outros preferem os anciãos". "O mais estranho de todas as coisas, é que nunca encontrei nem um homem, nem uma mulher que se tenha dedicado por completo, de todo o coração, á maior das caridades, pelos mais necessitados, isto é, pelas santas Almas do Purgatório. Deve ter alguns que o fazem, mas na minha larga e variada experiência, não encontrei nenhum". E as palavras deste sacerdote são pura verdade! Apelamos á aqueles que todavia não se tem dedicado de alguma forma particular á caridade, para que se dediquem com todas as suas energias ás almas Benditas. Façam todo o que possam pessoalmente, e induzam os outros a fazer o mesmo. A melhor maneira é praticar os conselhos incluídos neste livreto, e espalhar centenas de copias, e fazer centenas de Almas amigas no Purgatório e logo no céu. Pois... Quem poderá lê-lo e recusar-se a ajudá-las?
FIM
P.S.  
Caros Irmãos em Cristo,
Pax!
Peço a todos(as) quantos foram tocados pelas palavras deste opúsculo, que o divulguem entre seus amigos e familiares. Grandes são as graças e bênçãos que emanam do Purgatório, por todo aquele que é devoto destas nossas Benditas Almas. Com meus sinceros agradecimentos,
Antonio Garcia

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