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sábado, 30 de abril de 2011

Oração


Oração: Caminho para a intimidade com Deus


1- O que é Oração?

É uma conversa amigável entre duas pessoas apaixonadas: Deus e seu amado, que somos nós. Eu primeiramente falo com Deus e me revelo a Ele e depois, em silêncio, deixo que Deus fale ao meu coração e se revele a mim. É amor mútuo. Santa Tereza do Menino Jesus descreveu a oração assim: “Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu, um grito de reconhecimento e amor, no meio de uma provação ou no meio da alegria”.

2- Oração e Batismo
        
 O dom de oração vem gratuitamente quando recebemos o sacramento do Batismo. Nascemos afastados de nosso amado Criador. Por nós mesmos jamais poderemos corrigir essa situação de separação. Mas foi Deus Pai que não agüentou ficar longe de seus filhos amados e, por isso, mandou-nos um Salvador que trouxe a reconciliação com Ele, o Pai, e estabeleceu a possibilidade do diálogo de amor mútuo consigo. Nosso diálogo de amor é dirigido às três pessoas da Trindade: “ao Pai, por Cristo, na unidade do Espírito Santo”. As três pessoas da Trindade estão presentes em toda a oração.

3- Três elementos da Oração

Conhecer à Deus.  É um processo normal e necessário para criar e cultivar uma amizade, na qual há uma troca de mútuo conhecimento. Precisamos da abertura para acolher Deus como Ele mesmo se revela a nós, especialmente através de sua Palavra, na Bíblia. É o processo de mudar nossas imagens distorcidas de Deus, para poder acolher a sua verdadeira imagem e pessoa.

· Experimentar à Deus A finalidade da oração é usar o coração. É permitir que Deus seja Deus conosco na oração, portanto, a oração é deixar que nosso Deus seja Deus-amor conosco. O amor a Deus e ao próximo foi à aliança que fizemos com Deus no dia de nosso batismo.

· Responder ao Amor de Deus. O Amor recebido de Deus exige uma resposta de amor da nossa parte. “Ouve, Israel: Javé, nosso Deus, é o único Javé. Amarás Javé, teu Deus, de todo o teu coração” (Dt 6,4-6). Oração exige compromisso com Deus, com nosso próximo e com o mundo criado.

4- Erros em nossa Oração

Se não há grandes mistérios na arte de rezar, porque poucos chegam à intimidade com Deus através da Oração? Fomos mal educados na arte de rezar. Precisamos iniciar ou aprofundar um relacionamento mais maduro e cheio de fé com o Deus de amor em nossa vida e nos converter e libertar das tendências:

Educação errada;
Oração é somente um exame de consciência;
Oração é somente petição;
Oração é somente pedir desculpas a Deus;
Sentimentos determinam uma oração válida;
Inconstância na Oração;
Tentar medir o efeito da nossa Oração;
Rezar na parcialidade;

5- Integração na Oração
         
A oração de uma pessoa deve passar por três momentos distintos. Esses momentos não devem ser considerados separados entre si, mas devem ser integrados para formar uma unidade. Isso nem sempre acontece e, por isso, o primeiro problema na oração é o trabalho de formar uma vida integrada desses três momentos. Sem esse esforço, nossa oração fica desintegrada e fraca.

a) O primeiro momento importante na vida de oração é o relacionamento entre o “EU” e o “TU”, entre o eu e Deus.

É o momento da oração de intimidade entre Deus e seu amado. É muito particular e pessoal. É o encontro de dois “apaixonados”.
É o momento de “ir à montanha” para estar a sós com Deus. É deixar toda a atividade de lado, para estar só com Deus.
É o momento da contemplação do interior de Deus, para poder experimentar o amor pessoal e a salvação de Deus. O fim é experimentar Deus e não apenas saber de Deus.
É o momento do dia quando procuro o profundo silêncio para estar com Deus. É o momento de profunda intimidade entre dois “corações”.
É um momento de cura interior.
É um momento de confronto com meu ser, com fidelidade ou infidelidade diante da fidelidade de Deus que me amou por primeiro.
É um momento quando Deus nos revela sua vontade e convida-nos a participar na salvação da humanidade, que é sua maior vontade. Deus pede que continuemos hoje o ser e o agir de seu Filho para salvar a humanidade.

b) O segundo momento importante na vida de oração é o relacionamento entre o “EU”, o “TU” e o “NÓS”, entre mim e a comunidade.

Este é o momento da oração de partilha da fé. É o momento de Koinonia.
Se minha oração de contemplação for autêntica, Deus mais cedo ou mais tarde, sempre me dirige para uma comunidade.
Nessa oração, percebo que Deus não quer salvar só minha pessoa, mas quer salvar toda humanidade, em e por meio de uma comunidade.
Esse momento é de oração feita em comunidade, quando toda comunidade se reúne para prestar seu culto e sua adoração a Deus. É a busca comunitária de Deus.
É um momento de partilha da fé.
Essa oração é a oração litúrgica. É a celebração da presença de Deus no meio da comunidade, seja a comunidade religiosa, seja o povo de Deus.

c) O terceiro momento em que experimentamos Deus é o relacionamento entre o “EU”, o “TU”, o “NÓS” e o “PARA ELES”: eu e a minha missão na Igreja e no mundo.

Essa oração é a oração que acompanha nossa missão na Igreja e no mundo.
É a busca para experimentar Deus no centro de nossos serviços e nos acontecimentos da vida e do apostolado. É a oração da vida. Deus fala-nos pelos acontecimentos da vida.
Assim se evita o dualismo que diz que Deus está somente no “sagrado”. Deus está em tudo e em todos, e essa oração faz-nos sensíveis para perceber sua presença.
Essa oração faz-nos perceber que precisamos evangelizar o povo de Deus e ser sensíveis o bastante para sermos evangelizados por ele. É a sensibilidade de enxergar Deus em tudo, e celebrar sua presença.
Essa oração e essa experiência de Deus normalmente é curta, pura e intensa. Não dura muito tempo. De repente, sinto a presença de Deus no centro do cotidiano e começo a rezar sua presença. Mas seus efeitos me levam a procurar Deus na oração de contemplação mais tarde. Essa oração leva-me de volta a montanha.

6-Alguns princípios de oração

A oração autêntica é proporcional à qualidade de nosso amor.
A oração autêntica exige controle de si mesmo em corpo e em espírito.
Na oração autêntica, preciso ficar diante do Deus vivo e verdadeiro com meu verdadeiro eu.
Quando vou fazer a oração de contemplação, preciso dos três “s”: silêncio, solitude e submissão.
Na oração de contemplação, os resultados não são proporcionais aos esforços humanos.

7- Tipos Tradicionais de oração

A distinção serve para facilitar o diálogo que estamos mantendo com Deus ao utilizarmos um ou outro tipo de oração. Não existe um método fixo e absoluto para esses quatro tipos de oração, eles fluem normalmente, como em qualquer conversa ou diálogo entre amigos, e mudam segundo as circunstâncias da nossa conversa amigável com Deus:

Oração de Louvor - reconhecimento da grandeza de Deus;
Oração de Agradecimento – é um reconhecimento de que Deus, em seu amor incondicional, é a Fonte de tudo em nossa vida;
Oração para Pedir Perdão – é a oração de amor, sem condições da parte de Deus, diante da nossa fraqueza e de nossos pecados.
Oração de Petição – a fonte desta oração é a confiança inabalável na bondade e na providência divina, que fornece tudo o que precisamos na vida física, psíquica e espiritual. “Ora vosso Pai celeste sabe que precisais de tudo isso” (Mt 6,32).

8- Algumas Conclusões

  I. Para iniciarmos uma vida de oração mais profunda, exige-se uma integração em nossa oração. Não podemos limitar a experiência de Deus e nem manipular para que apareça quando determinamos.
   II. Reconhecendo a influência da secularização em nosso mundo e na religião, faz-se necessário renovar a prática da contemplação na oração e na vida.
  III. Tornar-se sensível para captar a presença de Deus em tudo, é uma disciplina que todo cristão precisa praticar em sua vida cotidiana.
  IV. Progredir na oração de intimidade com Deus exige duas coisas: disciplina e tempo.
  V. Uma grande ajuda para manter contato com Deus é o costume de rezar pequenas orações jaculatórias durante o dia.
  VI. Finalmente, precisamos ter paciência e buscar sempre colocar Deus no centro da oração, e ter humildade para sair do lugar de destaque.

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