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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Meditação Católica

SEM MEDITAÇÃO É IMPOSSÍVEL PROGREDIR NA VIDA INTERIOR

Vida mista


Não há esse tipo de vida monástica-religiosa. Entender vida religiosa mista como uma mistura de elementos da vida ativa com elementos da vida contemplativa, é um calembur (parece que FERRARI, Biblioteca, apresentou pela primeira vez, esta definição), Sancta pois atividade totalmente dedicada ao serviço do próximo, sem nenhum exercício de piedade, oração, meditação, missa, comunhão cotidiana, não é vida religiosa.

Mista neste sentido é a vida contemplativa. Nos mosteiros de clausura há as horas de trabalho, por necessidade e por razão de higiene psíquica, há as horas de estudo teológico, dogma ou espiritualidade (Cf. Cartuxos).

Escreveu Lottin: “Na prática, a tal vida mista se faz pouco a pouco uma péssima mistura de elementos ótimos, frutuosos para nenhuma das partes, nocivas para ambas.”

A superioridade da vida mista, por vezes, é mal compreendida. Certas congregações dos nossos tempos pretendem praticar a vida mista e achar-se portanto na categoria mais perfeita de institutos religiosos. Em concreto, restringem-se àqueles exercícios de piedade rigorosamente prescritos pelo cânon . E no mais, passam quase toda a jornada em ocupações de natureza bem profana, como ensinar escrita, matemática, costurar, passar roupa, fazer tricô, tratar de doentes, dos idosos, cuidar da cozinha, varrer a casa… É dedicação louvável, mas não é nenhuma vida contemplativa mista” (Jombaert).

Vivam-se, sem descontos, todas as práticas da vida contemplativa. E o tempo restante, aproveite-se para dedicar-se ao próximo. Sto. Tomás nunca usou o termo vida. E quando ele supõe uma mistura, entende obras de mista apostolado direto. E não obras de caridade, de beneficência, por mais necessárias que sejam elas na vida humana.

Chama-se isto, vida ativa. Nas congregações modernas, há facilmente um excesso de atividade externa; às vezes, nem o mínimo prescrito pelo Código se pratica.

Sem meditação é impossível progredir na vida interior. Somos humanos, instáveis.

 
Vida contemplativa

Todas as formas e maneiras de realizar a vida consagrada, também as congregações mais ativistas, têm como primeira finalidade, segundo o Vaticano II, “renunciar ao mundo e viver só para Deus” (PC 5).

As diversas modalidades são moldes de praticar o amor de Deus (vida ativa, vida contemplativa, vida apostólica), sociedades de vida comum, institutos seculares. E de todos esses moldes, o mais apto para atingir essa finalidade parece ser a vida contemplativa.

Entenda-se a contemplação sempre como amor a Deus. A intuição da verdade visa terminar no amor da Verdade Eterna. Vamos repetir: Esta é a suprema perfeição, que a verdade divina não seja só contemplação e contemplada, mas também amada” (II II 180,7). Por isto também Sto. Tomás repete sempre de novo: “A vida dos religiosos visa precipuamente a contemplação”. “Os religiosos são destinados precipuamente para dedicar-se à contemplação (Contra impedientes c. 11. c. 2).

A finalidade da nossa existência terrestre é amar a Deus. É o grande mandamento. É a finalidade da Igreja, do Corpo Místico: conduzir toda a criatura ao Pai, unir todos com a Santíssima Trindade; união é amor. Propriamente, só os contemplativos são perfeitamente lógicos em sua fé.

O mundo taxa-os de egoístas, de inúteis Mas a perspectiva profunda, não a míope, dá a eles toda razão.

Lemos, no sermão da montanha, a palavra de ordem de Cristo: “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus” (Mt 6,33). Palavras de Cristo são lei.

O Concílio manifesta sua preocupação, lembrando aos apóstolos-missionários, leigos ou religiosos, que todo o valor de sua atividade depende da sua união com Cristo, isto é, do seu amor a Deus. “Sua ação apostólica procede da sua união íntima com Ele” (PC 8). É evidente que a fecundidade do apostolado leigo depende da sua união vital com Cristo” (AA 4).

A vida contemplativa conserva seu lugar de destaque e de preferência, apesar das urgências do apostolado externo. Pois eles oferecem a Deus um exímio sacrifício de louvor: honram o povo de Deus com os mais ricos frutos de santidade, movem-no pelo exemplo; fazem-no crescer por uma fecundidade apostólica secreta” .

O Concílio quer mosteiros de vida contemplativa nas missões “pois a vida contemplativa pertence à plenitude da presença da Igreja” (AG 18). Sua tarefa, (PC 7): “Na solidão e no silêncio, em prece assídua, e em penitência alegre, vivam só para Deus”.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CssR

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