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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Eu Preciso de Você.




Vida Consagrada Contemplativa

“Vinde Comigo a um lugar apartado”
A vocação à santidade, nos vários estados de vida, tem origem em Deus. N’Ele vivemos, nos movemos e existimos (At 17,28).
Por isso mesmo a vocação à vida Contemplativa é chamamento de Deus – Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi. O Mestre escolhe, fixa o Seu olhar cheio de afeição, e desafia: vinde comigo a um lugar apartado. A iniciativa é d’Ele. Uma iniciativa total do Pai que requer daqueles que escolhe uma resposta de dedicação plena e exclusiva. A experiência deste amor gratuito é tão forte e tão íntima que
a pessoa sente que deve responder com a dedicação incondicional da sua vida (VC, 17).
Firma-se uma Aliança de amor entre Deus e a pessoa, porque a vocação à contemplação, na clausura, é essencialmente amor de Deus. Amor não se compra nem se vende. Acolhe-se e oferece-se na gratuidade. A consagração de alguém na Vida claustral é um acontecimento
surpreendentemente belo: oferece-se a própria vida a Deus pela Igreja e pela humanidade. A Vida Contemplativa, é a dimensão orante da Igreja, vida escondida com Cristo em Deus, vida que, no silêncio, perscruta os segredos do mesmo Deus e, gozosa, se submerge n’Ele, vida que escandaliza “a sabedoria dos grandes”, daqueles que olham a Igreja de fora. É um mistério humano e divino. É o monte, afastado e ermo, para onde Jesus Se retira muito cedo e Se põe em oração.

O silêncio do contemplativo é um grito provocador: “Deus Existe!”

A Vida Contemplativa é o permanente caminhar do Filho para o Pai no Espírito Santo. Assim, a Vida consagrada em clausura torna-se um dos rastos concretos que a Trindade deixa no caminho.

“Vinde Comigo a um lugar apartado”

A história, para que os homens possam sentir o encanto e a saudade da beleza divina (VC, 20).
É a tenda do encontro onde Deus renova a sua Aliança de amor com a Humanidade. Os Mosteiros são espaços que Deus habita – terra sagrada – onde os contemplativos podem fazer silêncio, escutar a Palavra, fazer uma verdadeira experiência do Amor, optar pelo Tudo, centrar o coração no essencial. Onde se deixam envolver pelo mistério, ao transporem a soleira para a intimidade do Mestre. Os contemplativos identificados com Cristo são, neste mundo, presença e revelação radiosa do rosto de Deus, profecia viva do amor misericordioso do Pai que, dia após dia, alimenta as aves do céu e veste as flores do campo.
O claustro é espaço silencioso do encontro entre dois amigos: o eu e o Tu. Encontro de que nasce o amor fraterno que se estende não só aos Irmãos da própria comunidade religiosa mas também a toda a Igreja, a toda a Humanidade, lugar onde o contemplativo canta sem cessar.
Ó Senhor, porção da minha herança e do meu cálice, nas Vossas mãos está o meu destino”! Quem entra num mosteiro procura aí um oásis espiritual onde aprender a viver como um verdadeiro discípulo de Jesus em serena e perseverante comunhão fraterna (Bento XVI -2008).

Experiência amorosa
Ao deserto a conduzirei para lhe falar ao coração (Os 2,16)

Ao deserto a conduzirei para lhe falar ao coração (Os 2,16). A Vida Contemplativa é o misterioso deserto para onde Deus atrai e fala ao coração. Aos que aí O procuram Ele revela os segredos do Pai – Já não vos chamo servos mas amigos –. É a experiência da ‘amada’ que retribui ao Amado, à semelhança da Madre Maria Teresa do Menino Jesus, fundadora do mosteiro de Monte Real, que dizia: “Para Vossa cabeça repousar, aqui tendes, Senhor, meu ombro".

“Vinde Comigo a um lugar apartado”

coração … se para descansar procurais um leito, eu recebo-Te em meu mísero peito… velar- Te quero, enlevada em silenciosa oração, qual nuvem perfumada de incenso... A experiência a que Deus convida, na vida claustral, é a casa de Marta, de Maria e de Lázaro, onde Jesus gosta de Se recolher para descansar e falar do Pai. Aí, Marta oferece alimento e Maria escolhe ficar aos pés do Mestre a escuta-l’O. A pré-ocupação dos Contemplativos é estar com Jesus e cuidar das coisas de Deus, dos interesses de Deus.
Possam os mosteiros ser, cada vez mais, oásis de vida ascética, onde se sente a fascinação da união esponsal com Cristo e onde a opção pelo absoluto de Deus é envolvida por um constante clima de silêncio e de contemplação (Bento XVI - 2008).
A vida contemplativa é a afirmação da primazia Deus. Realiza o Mandamento do Amor: O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças (Dt 6,4). Os contemplativos sabem “que Deus É ” e isso lhes basta. S. Francisco de Assis deslumbrado ciciava por noites inteiras: “Meu Deus e meu tudo”! Contemplativo e abismado na sua pequenez, exclamava: “Meu Deus, quem sóis Vós e quem sou eu”?! Ele entendeu o Evangelho: “Pai Nosso que estais nos Céus”!
Os contemplativos experimentam a presença de Deus: olham, e vêem que são olhados por Aquele que tudo vê, tudo abrange, tudo sustém nas próprias Mãos. Para onde quer que se movam sabem que o Onipresente já lá está. E o silêncio é, neles, a linguagem mais eloqüente.
O mosteiro é o monte da oferta total, do holocausto. Porque se vive em Deus, a Vida Contemplativa é um mistério de fé: a radicalidade do Evangelho vivido com amor, verdade e profundidade interior, é o desafio que se combate na arena escaldante e sossegada do Claustro. Aqui, a alma consagrada luta permanentemente, em “duelo singular” consigo mesma e luta com o próprio Deus, numa batalha com princípio… sem fim... para que Deus seja Tudo em todos!
Foi essa a experiência dos grandes Homens – Patriarcas e Profetas – a quem Deus se revelou na infinita solidão do deserto e no cume das montanhas. Abraão subiu ao monte para aí oferecer o filho, o seu único filho… Moisés descobriu o Senhor na sarça ardente, no monte Sinai onde, durante quarenta dias e quarentas noites, faria a inefável experiência do face a face com o Senhor.
É o monte da escuta, da oração, o lugar onde se perscruta, no horizonte, o Sinal do Deus vivo. Elias sobe ao Horeb e, escondido na rocha, pode experimentar a glória do Senhor que Se revela no suave murmúrio da brisa.
É nesse abismar-se na profunda e fecunda experiência de Deus, na inação ativa, que os contemplativos tornam efetivo o seu amor à Igreja e à Humanidade.
A Vida Contemplativa é, no mundo, a vida de Jesus e a Sua relação íntima com o Pai. Os contemplativos dedicam-se exclusivamente a prolongar e espargir Jesus na História, num dos seus aspectos mais apaixonantes, o Cristo contemplativo (Larrañaga). Atualiza e vivencia igualmente a vida simples e humilde daquela que é Mãe e modelo de todos os contemplativos:

“Vinde Comigo a um lugar apartado”

Maria de Nazaré, a Mãe de Jesus que, atenta e vigilante, tudo guardava e meditava em seu coração.
Paulo VI no encerramento do Concílio Vaticano II afirma:
Cravar em Deus o olhar e o coração, o que chamamos contemplação, vem a ser o ato mais alto e pleno do espírito, o ato que hoje pode e deve hierarquizar a pirâmide da atividade humana.

Antecipação escatológica

“Vês tu o Rei da Glória que eu contemplo”? Perguntava Clara de Assis, pouco antes de morrer, à irmã que estava junto dela. E, em outra ocasião, convida a Princesa Inês de Praga: Fixa o teu olhar no espelho da eternidade, deixa a tua alma banhar-se no esplendor da glória e une o teu coração a Jesus, Àquele que é a encarnação da essência divina. Assim poderás experimentar o que só os amigos podem sentir quando saboreiam a doçura escondida que Deus reserva desde toda a eternidade àqueles que O amam.


“Vês tu o Rei da Glória que eu contemplo?” (Sta Clara)

Somos peregrinos e estrangeiros que principiamos a longa viagem para o Grande Desconhecido e a Vida Contemplativa revela ao homem a sua própria condição de peregrino. Deus disse a Abraão: deixa a tua casa, os teus parentes e vai aonde Eu te indicar (Gn 12,1).
Os contemplativos são homens e mulheres que como Abraão, à voz de Deus, deixam tudo e partem sem sandálias, sem capa e sem bordão – Deus é o seu objetivo. Loucos para o “Vinde Comigo a um lugar apartado” mundo, mas sábios aos olhos de Deus, renunciam ao secundário para possuírem o essencial, procuram despojar-se para subir ao monte santo de Deus e tocar a fímbria do seu manto.
Diz Clara de Assis: na verdade é uma troca maravilhosa e digna de todo o louvor, renunciar aos bens temporais e preferir os eternos, perder o que é terreno, para merecer o que é celeste, renunciar a um para ganhar cem e possuir para sempre a vida eterna.
A vida contemplativa vive-se no âmbito da Trindade, tal como João Paulo II afirmou por ocasião do VIII Centenário de Santa Clara: Clara conhece a alegria mais pura que é dado experimentar a uma criatura: viver em Cristo a perfeita união das Três Pessoa divinas, entrando quase no círculo inefável do amor trinitário.
Os Contemplativos proclamam que Jesus tem em tudo o primeiro lugar (Col 1,18). Só Deus é essencial! Através das suas vozes, pelo canto ou recitação do Oficio Divino e vida litúrgica intensa, eleva-se da terra ao céu um contínuo louvor. É a Igreja de Cristo, resplandecente de glória e beleza que oferece ao seu divino Esposo um perene louvor.
...Os mosteiros são chamados a tornar-se em lugares onde se cria espaço para a celebração da glória de Deus, se adora e se canta a misteriosa, mas real presença divina. Bento XVI em 2008.

Células vivas do coração da Igreja

Se os contemplativos estão de algum modo no coração do mundo, muito mais ainda se acham no coração da Igreja… Venite Seorsum.
O coração é um pequeno mas vigoroso músculo que trabalha escondido no interior, bate silenciosamente e leva a vida a todo o lado, renova e purifica a seiva vital e... desaparece misterioso “entre muros”! Aí se encontra a vida contemplativa na Igreja. A Vida Contemplativa é o segredo da Igreja, sua “arma secreta”, mística chama, permanentemente a arder e a exalar perfume de incenso sobre o Altar Divino.
Estas ilhas escondidas, de silêncio, de penitência e de meditação não estão esquecidas nem separadas da comunhão com a Igreja de Deus, mas antes formam o seu coração, alimentam a sua riqueza, sublimam as suas orações, sustentam a sua caridade, partilham os seus sofrimentos, o seu apostolado, as suas esperanças e aumentam o seu mérito ( Paulo VI).
Alguém disse: Quando cai a noite e o Eterno Pai vem espreitar à janela do Céu, vê a terra semeada de pequenos pontos luminosos. São os mosteiros de vida contemplativa onde dia e noite se adora o Santíssimo Sacramento.
Santa Clara de Assis passava noites em oração, junto ao Sacrário. Dela diz o Papa Alexandre IV na Bula de Canonização: Como era grande a força desta luz e como era forte a claridade do seu brilho! Apesar de encerrada no segredo do claustro esta luz emitia para o exterior; embora recolhida dentro das paredes de um mosteiro, esta luz era projetada para todo o “Vinde Comigo a um lugar apartado” mundo…Quanto mais Clara quebrava o vaso de alabastro que era o seu corpo no apertado recôndito da solidão, tanto mais a Igreja era perfumada com o odor da sua santidade.

A Vida Contemplativa é o segredo da Igreja,
sua “arma secreta”, mística chama sobre o Altar Divino.

E a sua Legenda afirma: Quis a divina providência que esta fonte de bênçãos que brotou no Vale de Espoleto se transformasse em torrente e com os seus braços alegrasse a cidade de Deus… Apesar de uma vida enclausurada, Clara era luz para todo o mundo e refulgia claríssima… Tal abundância de flores cultivadas por Clara, transformou a Igreja numa autêntica primavera de renovação…
“Queridas Irmãs, vós sois só de Cristo, chamadas a viver sempre e só para Ele, numa atitude de oblação quotidiana que vos põe em constante comunhão com as vicissitudes, alegres e tristes da Igreja. A vossa vocação é o amor, não um amor que se fecha nas estreitas paredes da clausura, mas que alarga o coração até aos confins do mundo. Vós viveis para Cristo: por conseguinte viveis para a Igreja” (João Paulo II às Clarissas).

Atualidade da Vida Contemplativa

Em 2006, o Papa Bento XVI fazia eco do sentir da maioria das pessoas face à Vida Contemplativa:
Há quem pergunte que sentido e que valor possa ter a presença no nosso tempo de tantas pessoas que nos mosteiros e nas ermidas, se dedicam totalmente a Deus e à oração, no silêncio e no escondimento. Por que “fechar-se” para sempre dentro dos muros de um mosteiro? Que eficiência pode ter a sua oração para a solução dos numerosos problemas “Vinde Comigo a um lugar apartado” concretos que afligem a humanidade? De fato estes nossos Irmãos e Irmãs testemunham silenciosamente que no meio das vicissitudes quotidianas, por vezes bastante agitadas, o único apoio que jamais vacila é Deus, rocha inabalável de fidelidade e amor.
“Queremos ver Jesus”, pediam alguns gregos a Filipe (Jo 12,21). Muitos homens e mulheres fazem hoje o mesmo pedido. Os contemplativos são chamados a mostrar ao mundo o ícone vivo, construído nas suas vidas, pelas mãos de Deus e a projetar para o mundo O que contemplam.
Neste mundo tão indiferente, e ao mesmo tempo tão sedento de Deus, os contemplativos representam, na Igreja, a “ponta de diamante” da vida cristã.
A Vida Contemplativa é sinal do Senhor Deus que caminha na coluna de nuvem para guiar no dia, e coluna de fogo para iluminar a noite, (cf Ex 13,21).
A humanidade, em nossos dias, vive voltada para o que é terreno e efêmero por isso precisa do contraponto das mãos e corações totalmente levantados para o alto. Mãos e corações limpos, desapegados de tudo o que escraviza e tira a liberdade.
“Vós, monjas de vida contemplativa, tendes a missão na Igreja de ser chamas que, no silêncio dos mosteiros, ardem de oração e de amor a Deus. Confio-vos as minhas intenções, as intenções de Pastor. Confio-vos, neste Ano sacerdotal, sobretudo os sacerdotes, os seminaristas e as vocações. Sede com o vosso silêncio orante o seu amparo "à distância" e exercei para com eles a vossa maternidade espiritual, oferecendo ao Senhor o sacrifício da vossa vida para a sua santificação e para o bem das almas” “… A vossa oblação de amor é integrada pelo próprio Cristo na sua obra de redenção universal, à maneira das ondas que se perdem nas profundidades do oceano”. (Bento XVI, 2009).
Sobre a vida contemplativa no mistério do Corpo Místico de Cristo diz Larrañaga:
Está na hora de gritar bem alto que o mistério do Reino de Deus não se joga apenas na mesa dos pastoralistas ou na multiplicidade das reuniões, mas de maneira especial, no silêncio dos mosteiros onde os contemplativos lutam para se transformar em Cristo Jesus, quando se esforçam diariamente para repetir nas suas vidas o aspecto contemplativo, de adoração, de silêncio, pobreza e aniquilamento de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Aquele que é chamado à vida contemplativa opta pela lógica da não-eficiência, não espetacularidade, resultados não vistosos. Lógica que o mundo não aceita porque se fundamenta sobre outras eficiências a partir das quais se cria uma série de psicoses do resultado, da aparência, do fazer, do ter, do garantir para si o presente e o futuro, o sucesso a qualquer preço.
Os contemplativos vivem escondidos à semelhança de Jesus em Nazaré, de Maria e José, segundo a lógica da semente do grão de trigo que silenciosamente morre para dar muito fruto. Vinde Comigo a um lugar apartado”

O contemplativo, chamado a tornar-se ícone vivo do amor de Deus, projeta para o mundo Aquele que contempla.

Em 1979 João Paulo II, no México, dizia às religiosas de clausura: Sim, a vossa vida tem mais importância que nunca, a vossa consagração total é de plena atualidade num mundo em que se vai perdendo o sentido do divino. Vós, queridas Religiosas, a partir do silêncio dos vossos claustros sede testemunhas do Senhor para o mundo de hoje. Infundi com a vossa oração um sopro de vida na Igreja e no homem atual.
Quando contemplamos uma catedral, quem pensa nos seus alicerces? Quando admiramos uma árvore secular quem pensa nas suas raízes ou na seiva que circula no seu tronco? A Vida Contemplativa é na Igreja e no mundo o alicerce e a seiva que, embora não se vejam, sustentam “catedrais” e alimentam “florestas”. Os mosteiros de vida contemplativa, aparentemente inúteis são, ao contrário, como os “pulmões” verdes de uma cidade (Bento XVI - 2006).
Na oração dos contemplativos, estão sempre presentes os grandes dramas e sofrimentos, os anseios de todos os homens. Dia e noite rezam, suplicam, intercedem por cada ser humano.
Os contemplativos colocam no turíbulo dos próprios corações, os gemidos, as dores e os sofrimentos desta humanidade, os passos errantes de tantos pródigos que teimam em não regressar à casa paterna. E, em união com o Anjo do perfume do Apocalipse, tudo fazem subir à presença de Deus no incenso da oração. João Paulo II, usando expressões da 1.ª a Tim, dirige-se assim, às Irmãs Clarissas, como contemplativas: Elevai ao Céu as vossas mãos puras, sem iras nem contendas
Os Contemplativos gritam ao mundo de hoje que Cristo é o centro da História, que caminha conosco vivo e ressuscitado. A Vida Contemplativa é uma provocação à esperança, à pureza da fé, à verdade do amor e à felicidade. É a afirmação: Deus existe!
 
Dia de Oração pela Vida Contemplativa

O Dia de Oração pela Vida Consagrada Contemplativa, que a Igreja assinala a 30 de Maio, vai poder ser celebrado pelas comunidades católicas com uma reflexão sobre o tema e textos específicos para as missas que ocorrem naquele Domingo.

Os conteúdos, acessíveis pela Internet, foram elaborados pelas religiosas Clarissas de Monte Real e pela Comissão Episcopal Vocações e Ministérios, presidida pelo bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos.

O título dos dois cadernos – “Vinde Comigo a um lugar apartado” – recorda o convite que Jesus dirigiu àqueles que viriam a ser seus discípulos, para que deixassem as suas ocupações e se recolhessem com ele num espaço afastado e, ao mesmo tempo, íntimo e reservado.

A reflexão divide-se em quatro alíneas: “Experiência amorosa”, “Antecipação escatológica”, “Células vivas do coração da Igreja” e “Atualidade da vida contemplativa.

Os mosteiros, explica o texto, são lugares onde os religiosos “podem fazer silêncio, escutar a Palavra [de Deus], fazer uma verdadeira experiência do amor” e “centrar o coração no essencial”, reproduzindo a “relação íntima” que Jesus teve com o Pai, ao mesmo tempo que atualizam a vida de Maria que, segundo a Bíblia, “tudo guardava e meditava em seu coração”.

A meditação sublinha que os contemplativos renunciam aos bens materiais para melhor se unirem a Deus, na convicção de que ele é a realidade fundamental de todas as coisas.

Por outro lado, os religiosos manifestam a antecipação de uma comunhão que, segundo a sua fé, se vai tornar plena após o fim do mundo, quando a única dimensão da existência for a relação com Deus.

Para acentuar que a vida contemplativa é uma parte pequena mas essencial da Igreja, as Clarissas de Monte Real recorrem à imagem do coração, “pequeno mas vigoroso músculo que trabalha escondido no interior, bate silenciosamente e leva a vida a todo o lado”.

Referindo-se à pertinência da contemplação, o texto sublinha que a humanidade “vive voltada para o que é terreno e efêmero” e por isso “precisa do contraponto das mãos e corações totalmente levantados para o alto”.

Os religiosos, assinala o texto, sabem que optam “pela lógica da não-eficiência” e da “não-espetacularidade”, tornando-se simultaneamente “desapegados de tudo o que escraviza e tira a liberdade”.

A oração dos contemplativos, frisa a reflexão, não é fechada ao mundo porque tem presente “os grandes dramas e sofrimentos, os anseios de todos os homens” e os “passos errantes” daqueles que “teimam em não regressar” a Deus.

O segundo caderno – “Sugestões para a liturgia” – inclui um texto introdutório, três preces que podem ser proferidas na oração universal – parte da missa em que os fiéis pedem a Deus pelas necessidades da Igreja e do mundo – e uma prece dirigida a Maria em favor dos religiosos contemplativos.

O próprio Jesus Cristo diz que viera ao mundo para acender o fogo do amor divino. Eis ao que o padre deve consagrar toda a sua vida e todas as suas forças”. (Santo Afonso Maria de Ligório, A Selva).


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