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sábado, 5 de março de 2011

Um Pouco da Historia da Páscoa - Algumas Curiosidades



Um Pouco da Historia da Páscoa
A Páscoa é a mais importante festa do cristianismo. É nela que se comemora a ressurreição de Jesus Cristo.
Para os Hebreus a Páscoa judaica 'pesseach' teve a sua origem há cerca de 3 mil anos. É um marco na história do povo judeu – a travessia do mar Vermelho sob a liderança de Moisés, depois de um longo período de escravidão no Egito. Comemoram assim a passagem da escravidão para a liberdade.
A festa passou também a ser cristã depois da última ceia de Jesus com os apóstolos, um dia antes de sua crucificação, na quinta-feira anterior à Páscoa Judaica - Sábado. Esta passou a ser chamada de Quinta-Feira Santa. Os cristãos celebram na Páscoa a ressurreição de Cristo, a passagem da morte à vida, na manhã do Domingo depois da Páscoa Judaica
A palavra anglo-saxônica que significa Páscoa (Easter) tem origem pagã: deriva de Eastre, o nome da deusa Teutônica símbolo da primavera e da fertilidade, tradicionalmente celebrada durante o mês de Abril.
Deste culto da natureza pelos antigos ficaram-nos tradições como a dos ovos de Páscoa e do Coelhinho da Páscoa. De fato, os coelhos simbolizam fertilidade e os ovos coloridos vida renovada, um velho ciclo que termina para dar lugar a outro que começa na Primavera
Do Carnaval às Cinza
O Carnaval é uma festividade popular coletiva, cíclica e agrária. Teve como verdadeiros iniciadores os povos que habitavam as margens do rio Nilo, no ano 4000 a.C., e uma segunda origem, por assim dizer, nas festas pagãs greco-romanas que celebravam as colheitas, entre o séc. VII a.C. e VI d.C.
A Igreja viria a alterar e adaptar estas práticas pré-cristãs, relacionando o período carnavalesco com a Quaresma. Uma prática penitencial preparatória à Páscoa, com jejum começou a definir-se a partir de meados do século II; por volta do século IV, o período quaresmal caracterizava-se como tempo de penitência e renovação interior para toda a Igreja, inclusive por meio do jejum e da abstinência
Olhando para o calendário, rapidamente se percebe que é a Páscoa quem rege o Carnaval: a Páscoa é celebrada no primeiro Domingo da lua cheia após o equinócio da primavera, no hemisfério Norte. O Carnaval acontece entre 3 de Fevereiro e 9 de Março, sempre quarenta e sete dias antes da Páscoa, ou seja, após o sétimo Domingo que antecede o Domingo de Páscoa.
Tertuliano, São Cipriano, São Clemente de Alexandria e o Papa Inocêncio II foram grandes inimigos do carnaval, mas, no ano 590, a Igreja Católica permite que se realizem os festejos do Carnaval, que consistiam em desfiles e espetáculos de caracter cósmico.
No séc. XV, o Papa Paulo II contribuiu para a evolução do Carnaval, imprimindo uma mudança estética ao introduzir o baile de máscaras, quando permitiu que, em frente ao seu palácio, se realizasse o Carnaval romano, com corridas de cavalos, carros alegóricos, corridas de corcundas, lançamento de ovos, água e farinha e outras manifestações populares.
4ª Feira de Cinzas
No dia seguinte, a cinza recorda o que fica da queima ou da corrupção das coisas e das pessoas. Este rito é um dos mais representativos dos sinais e gestos simbólicos do caminho quaresmal.
Nos primeiros séculos, apenas cumprem este rito da imposição da cinza os grupos de penitentes ou pecadores que querem receber a reconciliação no final da Quaresma, na Quinta-feira Santa, às portas da Páscoa. Vestem hábito penitencial, impõem cinza na sua própria cabeça, e desta forma apresentam-se diante da comunidade, expressando a sua vontade de conversão.
A partir do século XI, quando desaparece o grupo de penitentes como instituição, o Papa Urbano II estendeu este rito a todos os cristãos no princípio da Quaresma. As cinzas, símbolo da morte e do nada da criatura em relação a seu Criador, obtêm-se por meio da queima dos ramos de palmeiras e de oliveiras abençoados no ano anterior, na celebração do Domingo de Ramos.
Uma prática penitencial preparatória à Páscoa com jejum começou a afirmar-se a partir de meados do século II; outras referências a um tempo pré-pascal aparecem no Oriente, no início do século IV, e no Ocidente no final do mesmo século.
A Data
Ao contrário do que acontece com outros feriados e celebrações religiosas, a Páscoa não tem pois uma data fixa. Assim, no Concílio de Niceia (séc. IV d.C.) convencionou-se que a data da Páscoa fosse calculada em função da lua, entre os dias 22 de Março e 25 de Abril. Deste modo, o domingo de Páscoa é marcado para a primeira lua cheia depois do início da Primavera. Sendo que a Primavera se inicia a 21 de Março, a lua cheia determina que a Semana Santa se celebre entre 8 (Domingo de Ramos) e 15 de Abril (Domingo de Páscoa)
Os quarenta dias que antecedem o Domingo de Páscoa denominam-se Quaresma, que para os cristãos é um período de oração, penitência e (alguma) abstinência.
Os sinais e símbolos da Semana Santa
Na Semana Santa celebramos os acontecimentos mais significativos da vida de Cristo: a ceia de despedida, a agonia no jardim das Oliveiras, o caminho do Calvário, a morte salvadora e a ressurreição.
Expressamos o tempo de graça que é a Páscoa pelas leituras, as orações, os cânticos… e também com os sinais e símbolos. Desde os ramos de palmeira do Domingo de Ramos até ao círio e à água batismal da vigília pascal, a comunidade cristã expressa a sua fé e a sua vivência do mistério pascal através de gestos simbólicos muito expressivos.
RAMOSA celebração do Domingo de Ramos inicia-se com uma procissão, lembrando e acompanhando Jesus Cristo na sua entrada em Jerusalém, no caminho para a cruz, na sua morte e ressurreição. Esta procissão é marcada pelos cânticos a Cristo e também pelos ramos que levamos em mãos, como fizeram outrora as crianças e os habitantes de Jerusalém aquando da chegada de Jesus. As aclamações [cânticos] são mais importantes que os ramos, mas também estes podem ser significativos ajudam-nos a proclamar a nossa fé em Cristo e a proximidade que queremos ter com ele nestes dias da semana santa.
ÓLEOSNa Quinta-feira Santa, na igreja-mãe [Sé], o Bispo, acompanhado pelos sacerdotes e fiéis da sua diocese, consagra os diversos óleos que irão ser utilizados nos vários sacramentos em toda a diocese: o óleo dos catecúmenos, para o Batismo; o óleo para a unção dos doentes; o óleo do crisma, para o Batismo, para a confirmação e para as ordenações.
Os óleos são de origem vegetal [azeite] misturados com bálsamos perfumados. Pelas suas características naturais produzem na pele um conjunto de benefícios: suavizam, curam, mantêm a forma, embelezam, dão frescura… De igual modo simbolizam as características do Espírito de Deus que quer trabalhar em nós por esses quatro sacramentos [Batismo, Confirmação, Unção dos Doentes, Ordem].
Ao aproximarmo-nos da Páscoa benzem-se estes óleos para indicar que todos os sacramentos procedem de Cristo ressuscitado e que a Páscoa é novidade absoluta.
LAVA PÉSNa Eucaristia da tarde da Quinta-feira Santa, imitamos o gesto que Jesus fez na ceia da despedida, dando aos seus discípulos uma lição de serviço por parte daquele que, no grupo, tem a autoridade. «Eu vim para servir, não para ser servido». E na cruz entregou-se totalmente. Mas antes quis fazer este gesto simbólico, agora repetido pelo Papa, pelos Bispos e pelos párocos nas suas comunidades. Porque eles devem ser sinais vivências de Cristo entregue aos outros. COMER PÃO, BEBER VINHO
Comer pão e beber vinho com a comunidade é o gesto simbólico central que Cristo nos deixou: repetimo-lo em cada Eucaristia. Esse pão é o Corpo de Cristo entregue por nós. Esse vinho é o seu sangue derramado por todos. O Senhor, agora ressuscitado, oferece-os como alimento para o nosso caminho e como sinal da união na comunidade. Na Semana Santa há dois momentos em que celebramos este mistério com um sentido particular: a Quinta-feira Santa, em que comemoramos a instituição da Eucaristia e na Vigília Pascal, a celebração principal do ano cristão. Com esse duplo gesto simbólico participamos do mesmo Cristo, fazendo memória da sua morte e ressurreição.
A CRUZNa Sexta-feira Santa, depois de escutarmos o relato da paixão, fazemos um gesto muito significativo: perante a apresentação da Cruz, aclamámo-la e aproximamo-nos pessoalmente para a adorar como sinal da nossa gratidão pelo que Jesus fez por nós entregando-se à morte de cruz, reconciliando-nos assim com Deus.
O FOGONa Vigília Pascal, na noite de Sábado para o Domingo, iniciamos a celebração reunindo-nos, fora da Igreja ou à porta, à volta de uma fogueira. Aí é acendido o Círio pascal. É na escuridão da noite que brilha a luz que é Cristo. A Quaresma iniciou-se com as cinzas. Agora, na Páscoa, começamos com o fogo e a luz, com a água, o pão e o vinho.

O CÍRIO E AS VELAS
Do fogo aceso à porta da Igreja acendemos o Círio, que ficará aceso nas celebrações das sete semanas de Páscoa. O Círio é símbolo de Cristo, Luz do mundo. Entramos na igreja seguindo esse Círio, aclamando-o [«A luz de Cristo»]. Mais ainda, a partir desse Círio que representa Cristo, acendemos as velas que cada um transporta. É um símbolo muito expressivo de que a Páscoa de Cristo tem que ser também a nossa Páscoa pessoal, estando todos chamados a participar da sua luz e da sua vida.

ÁGUA BATISMAL
A noite de Páscoa é o momento indicado para a realização dos batismos e para que cada um recorde o seu próprio Batismo. O Batismo é o sacramento em que radicalmente nos incorporamos na vida de Cristo e participamos na sua morte e ressurreição. Por isso se faz a aspersão da água sobre todo o povo e renovamos as promessas batismais.

COR BRANCA
As cores também têm um sentido simbólico. A Quaresma está marcada pelos paramentos de cor roxa, cor séria e austera. O Pentecostes, a dádiva do Espírito, que é fogo e amor, celebramo-lo de vermelho. Na Páscoa que começa com a Vigília Pascal de Sábado para Domingo, utilizamos o branco, a cor da festa, da alegria, da pureza pascal.
CAMPAINHASEntre outros sinais festivos – o incenso, as flores, a música – servem também de sinal as campainhas, com o seu som evangelizador, anunciando-nos festivamente que é Páscoa, que o Senhor ressuscitou e que nos convida também à nossa própria ressurreição.
Outros símbolos pascais

A flor
Significa vitória. Apenas depois da ressurreição de Cristo, os cristãos passaram a colocar flores nos cemitérios.
O sepulcro vazio É a mais bíblica maneira de representar a Ressurreição, a Páscoa.
Já a partir do segundo século, os cristãos desenhavam, pintavam e gravavam a cruz como símbolo visual de sua fé e também faziam o sinal da cruz em si e nas outras pessoas que acreditavam em Jesus.
O peixe
Foi um símbolo muito importante na vida dos primeiros cristãos. Surgiu na época da formação das primeiras comunidades cristãs. Quando Jesus já não vivia mais entre os seus discípulos, o Império Romano e outras religiões queriam acabar com o cristianismo. Mas os seguidores de Jesus não cederam às ameaças e continuaram reunindo-se, ensinando e vivendo o que Jesus havia dito. Essas pessoas resistiram à perseguição e criaram um símbolo que identificasse a sua fé: o peixe. Este símbolo foi escolhido porque a palavra PEIXE, em grego, é um acróstico de confissão de fé: “Jesus Cristo,
Filho de Deus Salvador”. Esta foi uma das maneiras que aqueles cristãos
utilizaram para continuar se encontrando, testemunhando a fé em Jesus e resistindo às perseguições.
O pelicano simboliza o sacrifício de Cristo na Cruz. Conta-se que ele fere o próprio peito para alimentar os filhotes com seu sangue.
A borboleta surge depois que a lagarta se transforma e rompe o casulo. Essa transformação também nos ajuda a transmitir a mensagem da ressurreição, da nova vida.
O trigo mesmo depois de triturado, e as uvas, mesmo depois de esmagadas, não são destruídas. Pelo contrário, são transformados em pão e vinho, os dois alimentos mais importantes para a vida dos judeus no tempo de Jesus. Jesus também, como nos diz o profeta Isaías, foi “esmagado” e “moído”, mas continua a ser a força do seu povo.
O girassol e outras flores amarelas e brancas expressam o ouro da realeza de Cristo e a paz por ele conquistada. O girassol tem significado especial, pois como sua corola se volta para o sol, nós devemos nos voltar para o Cristo ressuscitado.
OVOS DE PÁSCOA Simboliza uma nova vida. Vida que está para nascer.
Os ovos de Páscoa são um costume típico de muitos países. Quer sejam ovos de galinha pintados, tradicionais sobretudo na Polônia e na Ucrânia, quer ovos de chocolate envoltos em papel decorativo brilhante, recheados de amêndoas e enfeitados com bonitas fitas, segundo os costumes mais ocidentais
Os cristãos primitivos do oriente foram os primeiros a dar ovos coloridos na Páscoa simbolizando a ressurreição, o nascimento para uma nova vida.
A ressurreição de Jesus também indica o princípio de uma nova vida.
COELHOS É o símbolo da fertilidade, são animais que reproduzem com facilidade e em quantidade. Esta tradição nasceu na Alemanha. Dizia-se às crianças que os coelhos levavam os ovos e os escondiam no meio da erva. Na manhã do dia de Páscoa as crianças tinham de procurar os ovos escondidos pelos coelhinhos.
Representa também a capacidade da Igreja produzir novos discípulos e espalhar pelo mundo a mensagem de Cristo.
CHOCOLATE,
É o principal produto obtido a partir dos grãos de ca­cau (semente do cacaueiro). Tem a sua origem no México, no Peru e em deter­minadas regiões da América Central. Os Astecas preparavam duas bebidas, o ca-caoquahitl e o chocolatl, a partir das se­mentes da árvore Theobroma cação. O uso do chocolate na Europa data do início do séc. XVI contudo, só no séc. XIX é que se deu a grande expansão deste produto. O consumo de chocolate intensificou-se com a introdução do chocolate com leite pelo suíço Daniel Peter (1878). A Suíça foi um dos principais fabricantes de produtos de chocolate durante o séc. XIX, mas, ao ter­minar a I Guerra Mundial, todos os paí­ses dispunham de fabricação própria atra­vés dos grãos de cacau importados.
Os diferentes métodos utilizados no fa­brico de chocolate variam pouco. A qua­lidade do chocolate fabricado pelos di­ferentes métodos vai variar, consoante a qualidade dos cacaus escolhidos e dos lo­tes utilizados e, como é evidente, do cui­dado com que se executam as diferentes fases do fabrico do chocolate. As fases de fabrico do chocolate são as seguintes: a limpeza do grão, fase durante a qual a semente de cacau é separada do pó e de substâncias estranhas que a acompanham; a torre/ação, nesta fase o grão é torrado a uma determinada temperatura de forma a tornar-se quebradiço e é nesta fase que o cacau adquire o seu aroma e gosto ca­racterísticos; a trituração, que consiste em triturar grosseiramente os grãos de cacau, partindo os cotilédones e separando-os dos tegumentos e dos embriões; a centri­fugação, que vai separar os diferentes cons­tituintes dos grãos; a maxalagem, fase du­rante a qual o cacau é aquecido e mistu­rado com o açúcar e com os outros produtos, obtendo-se, deste modo, uma pasta; a enformação, que é a última fase, na qual a pasta de chocolate é colocada em formas onde vai solidificar e adquirir a forma que o fabricante pretende.
O chocolate é um alimento muito nu­tritivo devido ao seu elevado conteúdo em gordura, que varia entre 22 e 54%, e pelo seu conteúdo em fécula e outros hidrates de carbono. O seu valor alimentício au­menta ao ser utilizado em bebidas, pois, geralmente, é misturado com leite e açú­car. No entanto, os especialistas em die­tética e nutrição aconselham a que as crianças e os adultos com elevada sensi­bilidade aos estimulantes consumam estas bebidas em quantidades moderadas, devi­do ao seu teor em teobromina, estimu­lante alcaloide que produz efeitos seme­lhantes aos da cafeína e da teína. Apesar de, em tempos, ter sido menos apreciado que o cacau, o chocolate adquiriu uma importância muito maior como conse­quência do seu elevado consumo sob a forma de bombons, gelados e xaropes, bem como a sua utilização na preparação de numerosas bebidas e refrescos e o seu consumo direto como alimento.
O alimento dos deuses
A sua história começou há séculos atrás, com as civilizações asteca e maia, na América Central, mais precisamente onde hoje ficam os territórios do México e da Guatemala.
Os astecas adoravam o deus Quetzalcoatl que personificava a sabedoria e o conhecimento e foi quem lhes deu, entre outras coisas, o chocolate. Os astecas acreditavam que Quetzalcoatl trouxera do céu para o povo as sementes de cacau.
Um dia, Quetzalcoatl ficou velho e decidiu abandonar os astecas. Partiu numa jangada de serpentes para o seu lugar de origem - a Terra do Ouro. Antes de partir, porém, prometeu voltar no ano de "um cunho", que ocorria uma vez a cada ciclo de 52 anos no calendário que ele mesmo criara para os astecas.
Enquanto isso, por volta de 600 a.C., os maias, que também conheciam o chocolate, estabeleciam as primeiras plantações de cacau em Yucatan e na Guatemala.
Considerados importantes comerciantes na América Central, aumentaram ainda mais as suas riquezas com as colheitas de cacau. Acontece que em toda aquela região a importância do cacau não residia apenas no fato de que dele se obtinha uma bebida fria e espumante, chamada "tchocolath". O valor do cacau também estava nas suas sementes. Elas eram usadas como moeda. Na época, por exemplo, um coelho podia ser comprado com oito sementes e um escravo, por 100.
Até então, o cacau e o seu precioso produto, o chocolate, só circulava em rituais, banquetes e no comércio da América Central. Passaram-se séculos. Em 30 de Julho de 1502, o navegador Cristóvão Colombo, julgando que tinha descoberto as Índias, baixa âncora em frente à ilha de Guajano, na América Central. Uma majestosa piroga aborda a caravela de Colombo.
Um chefe asteca sobe a bordo e oferece, ao navegador e à sua tripulação, armas, tecidos e também sementes de cacau. Ele explica a Colombo que as sementes são a moeda do país e que permitem preparar uma bebida muito apreciada entre eles. Colombo, o primeiro europeu a provar o chocolate, não lhe deu a mínima importância. Mal sabia que um dia ele seria apreciado no mundo inteiro.
Passaram-se mais dezessete anos. Em 1519, o explorador espanhol Fernão Cortez com seiscentos soldados desembarca no México, pretendendo conquistá-lo. Fazem os preparativos para o combate. Mas, para surpresa geral, o imperador asteca Montezuma e seus súditos recebem-nos com cordialidade.
Vítimas de sua própria lenda, eles creem que Cortez é a reencarnação do bondoso deus Quetzalcoatl. Acontece que 1519 coincidia com o ano de "um cunho", no calendário asteca - o ano que Quetzalcoatl prometera voltar.
O povo alegre festeja e o imperador acolhe Cortez com um grande banquete regado com taças de ouro cheias de "tchocolath". Mas a desilusão não tarda a chegar: o suposto Quetzalcoatl, aquele que havia dado o chocolate ao seu povo, parecia não o ter bebido antes e nem mesmo gostar dele. É óbvio, o "tchocolath" não era a bebida agradável de hoje. Era bastante amarga e apimentada. As tribos da América Central preparavam-no geralmente misturando-o com vinho ou com um puré de milho fermentado, adicionado com especiarias, pimentão e pimenta.
Naquela época, o chocolate era reservado apenas aos governantes e soldados, pois acreditava-se que, além de possuir poderes afrodisíacos, dava força e vigor àqueles que o bebiam.
Cortez, sem dúvida, ficou muito impressionado com a mística que envolvia o chocolate e mais ainda com o seu uso corrente. Assim, com o intuito de gerar riquezas para o tesouro do seu país, estabelece uma plantação de cacau para o rei Carlos V, da Espanha. Como bom negociante, começa a trocar as sementes de cacau por ouro, um metal indiferente àqueles povos. Os espanhóis aos poucos foram-se acostumando com o chocolate e, para atenuar o seu sabor amargo, diminuíam a proporção de especiarias e adoçavam-no com mel. Já o rei Carlos V tinha o hábito de tomá-lo com açúcar.

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