Total de visualizações de página

sexta-feira, 18 de março de 2011

O que são Estigmas? - Reflexão para Santa Páscoa


 


O que são Estigmas?

Estigma é um fenômeno místico extraordinário do aparecimento de chagas nas mãos, pés e lado (ou em algumas destas partes do corpo) em pessoas de intensa vida interior e devotas da Paixão de Cristo. O caso mais célebre é o de S. Francisco de Assis (+1226), que recebeu os estigmas dois anos antes de morrer, em momento de êxtase, no Monte Alverne. Conhecem-se cerca de 250 casos aparentemente autênticos, um quarto dos quais de fiéis elevados às honras dos altares, o último dos quais o do franciscano capuchinho Padre Pio de Pietralcina (canonizado em 2002). A canonização duma pessoa estigmatizada não garante o caráter sobrenatural dos estigmas, tanto mais que se admitem casos de natureza patológica. Na maioria dos casos os estigmas estão cicatrizados, embora por vezes sangrem em determinados dias (sextas-feiras, Semana Santa, etc). A Igreja nunca emitiu nenhuma declaração infalível sobre o recebimento deles por alguém.
O Evangelho mostra que, no mistério da ressurreição de Jesus, as chagas não desapareceram. Os estigmas são um sinal do que Cristo sofreu durante a paixão; portanto, há dados teológicos que precisam de muito mais estudo do que já foi feito até hoje. No Evangelho de João, quando Jesus entra no Cenáculo atravessando portas fechadas e saudando os discípulos, ele mostra os estigmas para se identificar. Ele disse a São Tomé: "Põe teu dedo no meu lado". A consternação dos apóstolos também é um fato revelador deste mistério. Este fenômeno mostra a eficácia da salvação de Cristo na cruz, e permanece de modo especial no sinal dos estigmas, tornando-se um fato distintivo da eficácia redentora e salvadora da fé.
Até hoje, as pesquisas a cerca dos estigmas tem enfatizado o caráter de configuração e imitação de Jesus, que se origina da intensa relação pessoal que essas pessoas tiveram com Ele. Entretanto, tem sido feita uma análise muito pequena do papel que estes santos e bem-aventurados tiveram na Igreja. Tem havido insuficiente reflexão sobre a missão particular relacionada com os estigmas.
São Francisco de Assis recebeu os estigmas quando todos os seus planos santos - fundação da ordem, aprovação da regra primitiva, viagem à Palestina - falharam. Ele estava só e abandonado. Foi consolado por ser identificado com o Crucificado, e ainda, simultaneamente, o sofrimento dos estigmas se tornou um bem para a ordem e uma mensagem para toda a Igreja. O sucessor de São Francisco, Frei Elias, compreendeu o significado dos estigmas, e enfatizou isto em sua carta a todos os fiéis.
Esta mesma mensagem e missão dos estigmas pode ser vista em Santa Margarida Maria de Pazzi e Santa Catarina de Sena. No século que terminou, esta missão foi claramente vista em pessoas como Santa Gemma Galgani [falecida em 1913], São Padre Pio de Pietrelcina [1887-1968], e Marta Robin mística francesa, falecida em 1981, cujos escritos estão sendo estudados antes do início de seu processo de beatificação.
Marta Robin se tornou conhecida depois que o famoso escritor Jean Guitton escreveu o livro "A Jornada Imóvel". Marta Robin ficou acamada por 40 anos. Assim como Gemma Galgani e São Padre Pio, ela inspirou muitos grupos de espiritualidade e oração ao redor do mundo.
Estigmas é uma experiência de alegria e dor. O Senhor é sempre Quem toma a iniciativa. Os recipientes dos estigmas consideram isso uma imensa graça, da qual se sentem indignos. De fato, eles pedem ao Senhor que os tire, porque ficam envergonhados. Esta atitude era evidente em São Padre Pio. O bem-aventurado de Pietrelcina mostra claramente o que é a missão daqueles que carregam os estigmas. Padre Pio fundou grupos de oração e a Casa para Alívio dos Sofredores, um grande hospital que faz um trabalho específico para amenizar os sofrimentos físicos. Além disso, a capacidade de intercessão de pessoas que têm os estigmas é maior, unido a outros em oração, na renovação, salvação e proteção do mundo.
É um serviço de que a Igreja precisa em um momento particular de sua história. É como um sinal profético, um chamado, um fato surpreendente capaz de relembrar aos homens sobre o que é essencial, por exemplo, identificar-se com Cristo, e a salvação de Cristo que nos resgatou por suas chagas.
De certa forma, todos nós temos os estigmas, porque no batismo somos submersos na vida de Cristo, que nos permite participar no mistério pascal de sua morte e ressurreição. Em um pequeno nível, cada um de nós tem os estigmas. Se nós os carregamos com o espírito de fé, esperança, coragem e fortaleza, estas chagas, que podem ser purulentas e nunca curar-se, podem ajudar a curar a outros.
Em uma palavra, os estigmas representam a aceitação consciente da cruz, vivida espiritualmente.

Sagrados Estigmas

...Vede minhas mãos e meus pés... Mostrou-lhes as mãos e os pés... O Messias havia de sofrer (a Paixão e Morte) e ressuscitar dentre os mortos ao terceiro dia”. A cruz de Cristo mudou o conceito do sofrimento e da morte: morrer é acabar de nascer; a dor e a morte são instrumentos da Redenção.
Estigmas e Cruz, um só mistério. Não eram necessários, mas foram o meio mais eficaz para atrair o coração de cada um de nós (Jo 12,32), para compreendermos a gravidade do pecado (1Cor 15,3) e a dimensão de seu amor por nós (Jo 13,1).
O crucifixo é o compêndio da Paixão do Senhor, um “Livro escrito no
lenho da cruz não com tinta, mas com o sangue das Chagas de Cristo” (Santa Catarina de Sena). É o “Livro da Vida” (Ap 20,12), “escrito por dentro e por fora” (Ap 5,1), onde lemos a História da Salvação! “Por fora” conseguimos ler o que vemos na superfície: o abatimento físico, os escarros no rosto, a flagelação, a coroa de espinhos, os ferimentos provocados pelo carregamento do patíbulo, a boca seca, os sinais das varadas e chicotadas, a condição de cadáver, as cinco chagas das mãos, dos pés e do peito.
“Por dentro” só o lêem os contemplativos, os que captam as vibrações do Coração de Jesus refletindo seu infinito amor pelo homem decaído, a misericórdia pelos pecadores, a compaixão pelos doentes, a amargura do Getsêmani, a ternura pelas crianças, a amizade pelos seus mais íntimos, o amor à família, a tristeza por Jerusalém impenitente, a admiração diante da natureza, a preferência pala gente humilde. Exemplo de quem o lê por dentro é Pedro Crisólogo, um santo do século V. Meditando diante do crucifixo, ouviu Jesus sussurrar-lhe:
“Talvez os perturbe a enormidade dos meus sofrimentos causados por vocês. Não tenham medo. Esta cruz não me feriu a mim, mas feriu a morte.
Estes cravos não me provocam dor, mas cravam mais profundamente em mim o amor por vocês. Estas chagas não me fazem soltar gemidos, mas introduzem mais intimamente vocês em meu Coração. Meu corpo, ao ser estirado na cruz, não aumenta o meu sofrimento, mas dilata os espaços do Coração para acolher vocês. Meu sangue não é uma perda para mim, mas é o preço do vosso resgate!”
Eu me atrevo a acrescentar: a cruz feriu Jesus, sim. Os cravos provocaram-lhe dores atrozes, sim. As chagas fizeram-no gemer, sim. O corpo na cruz aumentou-lhe o sofrimento, sim. Ele perdeu todo o sangue, sim. Mas seu imenso amor fê-lo por a atenção apenas na graça da vida de união com Deus que suas dores geraram para nós. Esse amor foi maior do que a aversão natural à dor e à morte. “Existia contra nós uma dívida a ser paga” (a dívida dos nossos pecados); ele a cancelou... pregando-a (por seu corpo) na cruz” (Cl Sagrados Estigmas Pe. Mário Zuchetto, CSS . Página 2 / 3 2,14). “Aquele que não conheceu pecado, Deus o identificou com o pecado, por nós, a fim de que por ele nos tornemos justos diante de Deus” (2Cor 5,21). Isto significa que a maldição do pecado da humanidade toda tornou-se maldição e pecado universal dele, como se fosse o culpado. Ele pagou com sua morte de cruz a dívida que não podíamos saldar. Assim a sua condição de santidade se estendeu a nós e nos tornou justificados diante de Deus, como se não tivéssemos pecado. “Ele carregou os nossos pecados no seu corpo sobre a cruz...para nos justificar. Por suas chagas fomos curados” (1Pe 2,24; Is 53,4-12).
Por isso, Santo Agostinho fez para si esta oração bem estigmatina: “Inscrevei, Senhor, no meu coração as vossas 5 chagas, para que, lendo nelas o vosso amor, por vós relativize todo amor da terra; e lendo nelas os vossos sofrimentos, por vós sofra quaisquer tormentos”.
No juízo final Jesus aparecerá com suas 5 chagas. Então “Fixarão o olhar naquele que crucificaram” (Jo 19,37) como Tomé, que não acreditava até ver (Jô 20,28). Se Jesus conservou em seu corpo glorificado os estigmas, é sinal de que ele deseja que tenhamos os olhos fixos naquele que crucificaram, deseja que meditemos sua Paixão e Morte. Seus Estigmas são “as relíquias da Paixão conservadas nos esplendores da Ressurreição (Pe. Fáber), como:
1) Lembrança de sua Paixão;
2) Prova de sua Ressurreição e vitória definitiva sobre a morte e o
pecado;
3) Testemunho de sua mediação entre o céu e a terra como
advogado junto ao Pai (1Jo 2,1-2; Hbr 7,25) e
4) O sinal de seu amor sem limites (Jo 13,1).
Nossas Constituições querem que vivamos o mistério da Cruz (C10 e 42)
como São Paulo: “Resolvi nada saber entre vocês a não ser Jesus Cristo, mas Jesus Cristo crucificado!” (1Cor 2,2).
Antes da Constituições, nosso fundador dedicou sua Igreja aos Estigmas de Jesus, como um compêndio da Paixão. Se o Coração de Jesus é a fonte do amor, sua Paixão se torna a manifestação mais convincente desse amor. O paraíso terrestre era irrigado por uma fonte ramificada em 4 rios. A fonte é o Coração de Jesus aberto pela ferida; os rios que irrigam o reino de Deus são as 4 chagas das mãos e dos pés (Gn 2,10).
São Gaspar foi profundamente marcado pelo sofrimento, começando com uma perigosa febre miliar aos 35 anos. Nos 2 anos seguintes suportou grave recaída, salvo, além dos cuidados médicos, pelas orações da cidade toda. Aos 45 anos um tumor na perna, do qual nunca mais sarou, o fez passar por mais de 300 cortes a bisturi sem anestésicos. Dos 65 ao fim (76) viveu num verdadeiro calvário. Podia dizer com São Paulo: “Trago no meu corpo as marcas do Senhor” (Gl 6,17). Mesmo na cadeira de rodas, dirigia toda sexta-feira a Via Sacra para os fiéis e sua comunidade.

Se parássemos aqui, daríamos prova de uma devoção inacabada e desencarnada. Porque, venerar as chagas de Jesus é comprometer-se com as chagas que sangram hoje a vida de tanta gente sofredora da violência, miséria, tortura, vícios, trabalho escravo, filhos sem família estruturada, moradores de rua, prostituição de meninas, os sem teto, sem terra, doenças orgânicas ou psíquicas, corações dilacerados pela traição do amor. É outro livro moderno escrito por dentro e por fora, a exigir nossa leitura atenta e compromissada. É um mundo coberto de chagas, esperando que nossa devoção, partindo das 5 chagas de Jesus, nos faça pensar as feridas de quem sofre em volta de nós. Foi por isso que, ainda estudante, Gaspar se alistou entre os voluntários paradedicar-se aos feridos de guerra que enchiam os hospitais; e, apenas ordenado,lançou-se de corpo e alma à promoção dos meninos soltos na rua. Mais tarde
deu-se à recuperação dos sacerdotes necessitados de uma renovação
espiritual. Os estigmas da sociedade nos questionam como as 5 Chagas de Jesus.
Pe. Mário Zuchetto, CSS


Nenhum comentário:

Postar um comentário

“Todo o conteúdo destes Blog é livre para uso, até porque o Espírito Santo não cobra 'Direitos Autorais' ”