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quinta-feira, 3 de março de 2011

Atraídos pelo crucificado - Quaresma, Semana Santa e Páscoa

crucifix
 
Atraídos pelo crucificado
Publicado por editor em 27 de março de 2009 em Reflexões
Eclesalia
Por José Antonio Pagola
Um grupo de “gregos”, provavelmente pagãos, aproximou-se dos discípulos com uma petição admirável: “Queremos ver Jesus”. Quando lhe comunicam, Jesus responde com um discurso vibrante em que resume o sentido profundo da Sua vida. Chegou a hora. Todos, judeus e gregos, poderão captar em breve o mistério que se encerra na Sua vida e na Sua morte: “Quando for elevado sobre a terra, atrairei todos para mim”.
Quando Jesus for erguido numa cruz e apareça crucificado sobre o Gólgota, todos poderão conhecer o amor insondável de Deus, darão conta de que Deus é amor e só amor para todo o ser humano. Sentir-se-ão atraídos pelo Crucificado. Nele descobrirão a manifestação suprema do Mistério de Deus.
Para isso necessita-se, desde logo, algo mais que ter ouvido falar da doutrina da redenção. Algo mais que assistir a algum ato religioso da semana santa. Temos de centrar o nosso olhar interior em Jesus e deixar-nos comover, ao descobrir nessa crucificação o gesto final de uma vida entregue dia a dia por um mundo mais humano para todos. Um mundo que encontra a sua salvação em Deus.
Mas, provavelmente a Jesus, começamos a conhecê-lo verdadeiramente quando, atraídos pela Sua entrega total ao Pai e à Sua paixão por uma vida mais feliz para todos os Seus filhos, escutamos mesmo que debilmente a Sua chamada: “O que queira servir-me que me siga, e onde esteja Eu, ali estará também o Meu servidor”.
Tudo se inicia num desejo de “servir” Jesus, de colaborar na Sua tarefa, de viver só para o Seu projeto, de seguir os Seus passos para manifestar, de múltiplas formas e com gestos quase sempre pobres, como nos ama Deus a todos. Então começamos a converter-nos em Seus seguidores.
Isto significa partilhar a Sua vida e o Seu destino: “onde esteja Eu, ali estará o Meu servidor”. Isto é ser cristão: estar onde estava Jesus, ocupar-nos do que se ocupava Ele, ter as metas que Ele tinha, estar na cruz como esteve Ele, estar um dia à direita do Pai onde está Ele.
Como seria uma Igreja “atraída” pelo Crucificado, impulsionada pelo desejo de “servi-lo” só a Ele e ocupada com as coisas em que se ocupava Ele? Como seria uma Igreja que atraísse as pessoas para Jesus?
(Publicado em Eclesalia. Tradução: Antonio Manuel Álvarez Pérez)

São os quarenta dias que precedem a festa maior dos cristãos, a Páscoa de Jesus Cristo. Até o século VII, a Quaresma começava no Domingo da Quadragésima (o 40° dia, que na realidade era o 42° dia antes da Páscoa). Tendo em conta os domingos, durante os quais o jejum era interrompido, o número de dias até a Páscoa efetivamente era inferior a quarenta, e para continuar fiel ao simbolismo do número 40 (quarenta anos do deserto, quarenta dias de Jejum de Cristo) antecipou-se o começo da Quaresma para a Quarta-feira precedente ao Domingo da Quadragésima: Dia das Cinzas.

Na Igreja primitiva, esse era o tempo da última etapa de preparação do batismo para os adultos, chamados de catecúmenos, e que o receberiam na noite da Páscoa. Nos quarenta dias, a Igreja incentiva a prática do jejum, da solidariedade com os pobres (esmola) e a prática intensa da oração. É semelhante a um tempo especial de retiro espiritual. É o período de voltar para Deus, de reaquecer a fé e de mudança de vida e de superação de atitudes doentes e mesquinhas. Muitos ainda hoje se abstêm das carnes vermelhas, mas se esquecem dos pobres, agindo de forma hipócrita. Lembrava São Leão Magno: “É inútil tirar ao corpo a comida, se não tira da alma o pecado”. A intuição central da Quaresma é mudança de atitudes e práticas, favorecendo a solidariedade e a fraternidade.
Jesus Vive! Feliz e abençoada Páscoa!
Oração a Jesus Crucificado
Eis-me aqui, ó bom e dulcíssimo Jesus.
De joelhos me prostro em Vossa presença.
E Vos suplico, com todo fervor de minh’alma,
que Vos digneis gravar no meu coração
os mais vivos sentimentos de fé, esperança e caridade,
verdadeiro arrependimento de meus pecados
e firme propósito de emenda
enquanto vou considerando com vivo afeto e dor as Vossas cinco chagas
tendo diante dos olhos, aquilo o que o Profeta David já Vos fazia dizer, ó bom Jesus
transpassaram minhas mãos e meus pés
e contaram todos os meus ossos.

O QUE CELEBRAMOS NA PÁSCOA CRISTÃ?

Semana Santa
A semana que precede a Páscoa cristã é a Semana Santa, por apresentar a preparação mais próxima do evento maior do cristianismo durante o ano religioso. Começa com o Domingo de Ramos, quando se benzem ramos de oliveira ou de palmeiras e se lê o texto evangélico da entrada solene de Jesus em Jerusalém. O ramo, bento colocado em uma cruz, em cada lar ou sobre algum túmulo no cemitério, simboliza a força da vida e a esperança da ressurreição. A Igreja convida os fiéis a contemplarem os padecimentos do Cristo no caminho para o calvário.
Na Quinta-feira Santa, celebra-se o Ceia do Senhor, ou seja, a instituição da missa com a tradicional cerimônia do Lava-pés. Ao fim da missa, tem início a cerimônia da adoração do Santíssimo Sacramento, com o tradicional canto em latim Tantum Ergo Sacramentum (tão grande sacramento), ou Pange Língua Gloriosi (Canta, minha língua)
Na Sexta-feira Santa (ou de acordo com a tradição popular, Sexta-feira Maior), não se celebra missa ou qualquer sacramento. É dia de silêncio, recolhimento e de comungar as hóstias consagradas na véspera. Após a leitura do relato da Paixão, realizam-se as procissões da Via-Sacra ou Caminho da Cruz, com suas quinze estações. Também são feitas as grandes preces da Igreja pelo mundo e a adoração da cruz, que nasceu em Jerusalém e foi absorvida em Roma no século VII. Ao final da cerimônia, oferece-se a comunhão eucarística.
A última noite da semana é a chamada Vigília Pascal, ou Sábado Santo, normalmente celebrada na noite de sábado ou na madrugada do Domingo de Páscoa. Essa festa é móvel, sendo celebrada no primeiro domingo depois da lua cheia do outono. Ao meio-dia do sábado, costuma-se “malhar o Judas”, ou seja, bater ou queimar um boneco de pano. Tal atitude representa o repúdio dos cristãos à traição de Judas Iscariotes, que vendeu seu mestre aos algozes.
Páscoa, do latim Paschalis, deriva-se da palavra hebraica Pessah, que quer dizer passagem.
Com este nome, designa-se a festa judaica da saída do povo, do Egito, conduzido por Moisés. Celebrada anualmente na primeira lua cheia depois do outono, no Hemisfério Sul, com a Ceia pascal e o cordeiro imolado, ervas e pão ázimo.
Para os cristãos, simboliza a festa central da Ressurreição de Jesus de Nazaré, no ano 30 da Era Cristã, que é celebrada durante o tríduo pascal, da ceia da quinta à madrugada do domingo pascal, após a lua cheia seguinte ao início do outono no Hemisfério Sul (primavera no norte). Na ocasião, ocorre a Vigília Pascal, com as leituras bíblicas, a celebração do fogo novo, o acender das velas e do Círio Pascal, a bênção da água, o batismo de adultos e a solene consagração eucarística do pão que é Jesus, vivo e verdadeiro no meio do povo, entoando o hino latino Exultet. Toda a missa se revela um presente de Deus, o mistério da fé.
Os símbolos populares
Tradicionalmente, alguns ovos coloridos são oferecidos como alimento no dia de Páscoa. Alguns deles são artisticamente trabalhados e pintados. De maneira particular, lembramos a beleza dos ovos de Páscoa dos ucranianos e poloneses. Os ovos são símbolos da vida em germe, que está a ponto de eclodir. Antigamente, eram consumidos aqueles que foram postos durante a Semana Santa, especialmente na Sexta-feira Santa por serem considerados detentores de virtudes especiais na prevenção de febres malignas ou de pestes mortíferas. A tradição medieval na Quaresma proibia o povo de comer "carne vermelha, doces e ovos". Portanto, os ovos de Páscoa representam um símbolo festivo do final da quarentena na qual ficamos de regime. Remetem, simbolicamente, ao ovo primitivo, do qual nasceu e surgiu o universo vivo. É sinônimo do Cristo que ressurge das trevas da morte como o grande vencedor do mal e da finitude mortal dos humanos.
E o chocolate?Denominado cientificamente de Theobroma cacau (que quer dizer "o néctar dos deuses"), o cacau era considerado um alimento divino dos maias e astecas. Seu sabor e sua força energética sempre foram reconhecidos em toda a Europa. Ao ser mesclado com leite e assumir o formato oval, representou a força rejuvenescedora da vida que está latente no ovo mesclado à energia saborosa do chocolate. O ovo de chocolate é, portanto, o símbolo da vida que se multiplica e alimenta nossa fragilidade. Não substitui a vida real e o encontro com Deus em Jesus. Só deveria ser uma boa lembrança desta vida que nasce e renasce. Que morre e ressuscita. O fundamental não é o chocolate, mas sim estar em Jesus Cristo e viver de tal modo a vida que ela seja sinal do amor e prática da justiça entre os irmãos. Esse é o verdadeiro sentido e o valor central da Páscoa. Aprender a viver em Deus.
“Este é o dia que o Senhor fez para nós alegramo-nos e nele exultemos!” (Salmo 117/118)

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