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sábado, 26 de fevereiro de 2011

PREPARANDO O CICLO PASCAL – TRÍDUO

PREPARANDO O CICLO PASCAL – TRÍDUO


Na edição anterior reunimos uma série de lembretes a respeito da quaresma. Nossa Referencia principal foi a carta circular, “Preparação e celebração das festas pascais” (PCFP)1, que propõe com novo vigor as normas sobre o ciclo pascal. Também nos serviu de orientação o “Diretório sobre piedade popular e liturgia” (DPPL)2. Desta vez, vamos voltar a nossa atenção para o Tríduo Pascal, “fonte de luz” de todo o ano litúrgico.Sentido do tríduo pascal

O tríduo pascal, memória dos ‘últimos passos de Jesus, “começa com a missa vespertina na Ceia do Senhor, possui o seu centro na vigília pascal e encerra-se com as vésperas do domingo da ressurreição” (NUAL, 19)3. É a páscoa do Senhor, celebrada sacramentalmente em três dias: Sexta-feira da paixão, sábado da sepultura e domingo da ressurreição. É chamado “tríduo pascal, porque com a sua celebração se torna presente e se cumpre o mistério da páscoa, isto é, a passagem do Senhor deste mundo ao Pai” (cf. PCFP, 38).

“Partindo do tríduo pascal, como da sua fonte de luz, o tempo novo da Ressurreição enche todo o ano litúrgico com sua claridade” (CIC, 1168)4. “Por isso, a páscoa não é simplesmente uma festa entre outras; é ‘a festa das festas’ (...). O mistério da ressurreição, (...) penetra o nosso velho tempo com a sua poderosa energia, até que tudo lhe seja submetido” (CIC, 1169).

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A data da páscoa
“No Concílio de Nicéia (325) todas as Igrejas chegaram a um acordo que a páscoa cristã fosse celebrada no domingo que segue a lua-cheia (14 de Nisan) depois do equinócio de primavera. A reforma do calendário no Ocidente (chamada ‘gregoriana’, do nome do papa Gregório XIII, em 1582) introduziu uma defasagem de vários dias em relação ao calendário oriental. Hoje as Igrejas ocidentais e orientais buscam um acordo, a fim de se chegar novamente a celebrar em uma data comum o dia da Ressurreição do Senhor” (CIC, 1170)



Onde celebrar

Certamente o documento não tem como referência as paróquias (urbanas ou rurais) formadas por várias comunidades, como temos no Brasil; nem comunidades com assembleias litúrgicas com bom número de membros e ministérios, embora refira-se a paróquias pequenas confiadas a um só padre. Fala da possibilidade dos fiéis se reunirem na igreja principal para celebrarem o tríduo e de mais de uma celebração presidida pelo mesmo padre em igrejas diferentes (cf. PCFP, n. 43). Não considera o tríduo pascal celebrado “na ausência do presbítero”, como acontece em algumas de nossas paróquias e comunidades, com muitos e bons frutos.

Preparação remota dos ministérios

Para o desenvolvimento conveniente das celebrações do tríduo pascal, requer-se um suficiente número de ministros e de ajudantes (acolitas e acólitos), “que devem ser diligentemente instruídos sobre o que devem fazer”. Mais do que isto: o mistério celebrado e seus ritos devem ser relembrados aos ministros e ajudantes. E mais: estes não são improvisados, mas frutos de uma pastoral litúrgica e de uma prática celebrativa séria; colhemos o que foi plantado.

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Preparar ao longo da quaresma
Esta é uma experiência muito interessante: preparar o tríuduo pascal a partir da primeira semana da quaresma. Mais de uma reunião é reservada para cada celebração. O primeiro contato é com a seqüência ritual de cada celebração: preparada por alguém, com cópia para todos. Em cada rito dá-se o tempo necessário para os participantes lerem os textos, comentarem, tirar dúvidas, explicitar o sentido... Depois disto, passa-se para o método consagrado dos quatro passos: o mistério da celebração, a Palavra de Deus, sugestões para a realização dos ritos (cantos, etc) e, finalmente, distribuição dos ministérios e serviços. Com certeza será preciso marcar uma reunião para vivenciar alguns ritos.



Preparação do canto

Particular importância é dada ao canto do povo, dos ministros e de quem preside a celebração do tríduo pascal, atribuindo às conferências episcopais o dever de propor melodias para os textos e as aclamações. O documento fala de “um repertório próprio para estas celebrações” e a elas reservado (reserva simbólica), tendo em conta a devida participação do povo. Chega mesmo a apontar o que deve ser cantado, por exemplo: o relato da paixão e a oração universal, a proclamação da páscoa, a ladainha dos santos e a bênção da água batismal... (cf. PCFP, 42). No Brasil dispomos já um rico repertório apropriado e reservado para a celebração do tríduo pascal5.

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Salmos cantados com melodia única
Em geral em nossas comunidades não dispomos de muita gente habilitada para o canto e a música. A grande quantidade e variedade de cantos fazem com que as pessoas envolvidas no ministério da música tenham sua participação limitada pela preocupação com as diferentes melodias. Uma boa solução foi dada pela 7ª edição do 2º fascículo do Hinário da CNBB: as versões dos salmos responsoriais da vigília aí apresentadas, tendo a mesma métrica, podem ser cantados com a mesma melodia, o que facilita, e muito, a atuação dos/as salmistas e sua participação no conjunto da celebração.

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Lava-pés alternativos
Em algumas comunidades procurase preparar o lava-pés em sintonia com o apelo da Campanha da Fraternidade do ano. Muitas vezes também mulheres e crianças têm os seus pés lavados. Aquele que preside às vezes é sucedido por irmãos e irmãs da comunidade. Há, inclusive, pequenas comunidades onde os membros podem lavar os pés uns dos outros. O mandato de Jesus de lavar os pés mutuamente é compreendido como destinado aos ministros ordenados e a todos os membros da Igreja: algo extremamente significativo em um mundo marcado pela exclusão e pela competição.



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Pão e oração em família
Uma prática possível e bem aceita. Pode incluir os vizinhos, mas prioriza unir os membros da mesma casa, onde nem todos participam do tríduo pascal. A partir do domingo de ramos, ou mesmo da quarta-feira de cinzas, pode ser preparada uma mesa com toalha e uma Bíblia e, se for conveniente, velas. Nesta noite, ao voltar para casa, um membro da família receberá pão e uma breve proposta de oração. Ao redor da mesa preparada em sua casa, irá rezar e partilhar o pão, lembrando a ceia do Senhor com seus discípulos.


SEXTA-FEIRA SANTA
Sentido

A Sexta-feira Santa não é dia de enfatizar o sofrimento de Cristo, mas de contemplar com atenção amorosa a sua morte vitoriosa, a sua bem-aventurada e gloriosa paixão. “Neste dia, em que ‘Cristo, nosso cordeiro pascal, foi imolado’ a Igreja, com a meditação da paixão do seu Senhor e Esposo e adorando a cruz, comemora o seu próprio nascimento do lado de Cristo que repousa na cruz, e intercede pela salvação do mundo todo” (PCFP, 58).
Jejum e abstinência

“É sagrado o jejum pascal destes dois primeiros dias do tríduo, em que, segundo a tradição primitiva, a Igreja jejua “porque o Esposo lhe é tirado. Na Sexta-feira da Paixão do Senhor, em toda a parte o jejum deve ser observado juntamente com a abstinência, e aconselha-se prolongá-lo também no Sábado Santo, de modo que a Igreja, com o espírito aberto e elevado, possa chegar à alegria do Domingo da Ressurreição” (PCFP, 39 e 60).
Manhã de sexta-feira
Ofícios

É recomendada a celebração comunitária, nas Igrejas, do ofício da leitura e das laudes matutinas na Sexta-feira Santa da paixão e também no Sábado Santo, com a participação do povo para contemplar em piedosa meditação a paixão, morte e sepultura do Senhor, à espera do anúncio da sua ressurreição (cf. PCFP, 40 e 62).

Nas matrizes – sem dúvida – e em todas as comunidades onde for possível deveriam ser organizados os ofícios e o ofício das leituras na manhã da sexta-feira santa. Desta forma estaríamos oferecendo algo consistente à assembléia litúrgica e aos “peregrinos” que visitam as igrejas neste horário. Ofício divino das comunidades e Liturgia das horas completam-se na preparação desses momentos comunitários de oração, ao redor do altar desnudado.
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Meio-dia e oração em família
Há famílias onde se faz jejum ao longo de todo o dia; não se houve música; a alimentação é mínima e muito simples. Comidas típicas são feitas para a noitinha. Há, no entanto, uma tradição de se fazer jejum até a metade do dia e depois partilhar um almoço à base de peixe e tendo o vinho (não a cerveja) como bebida. Para muitos escravos era o único dia do ano realmente “santo”, sem trabalho, onde os “senhores” lhes davam o “quebrajejum”. Tal confraternização de familiares (e amigos) – como de costume – prolonga-se pela tarde (impedindo o povo de estar na igreja às quinze horas). Em ambos os casos cabe muito bem uma oração comum, sugerida pela comunidade eclesial.


Celebração da paixão do Senhor
Sentido

Pela ação litúrgica da tarde a Igreja "medita a paixão do seu Senhor, intercede pela salvação do mundo, adora a cruz e comemora a própria origem do lado aberto do Salvador" (DPPL, 142).
A cruz da adoração

“A cruz a ser apresentada ao povo seja suficientemente grande e artística. Das duas formas indicadas no missal para este rito, escolha-se a mais adequada. Este rito deve ser feito com um esplendor digno da glória do mistério da nossa salvação ...” (PCFP, n. 68). Adquirir essa cruz deve entrar na lista de prioridades da comunidade.

E não se pode esquecer: “Use-se uma única cruz para a adoração, tal como o requer a verdade do sinal” (PCFP, n. 69). Há antífonas, ‘lamentos’ e hinos apropriados para a adoração, “que recordam com lirismo a história da salvação”. Estão no hinário da CNBB. Outro desafio para os animadores do canto da comunidade: aprender o apropriado e deixar de lado o improviso.
O lugar da cruz depois da comunhão

Duas orientações muito válidas: “Depois da comunhão proceda-se à desnudação do altar, deixando a cruz no centro, com quatro castiçais. (Depois) Disponha-se na igreja um lugar adequado (por exemplo, a capela da reposição da eucaristia na quinta-feira santa), para colocar ali a cruz, a fim de que os fiéis possam adorá-la, beijá-la e permanecer em oração e meditação” (PCFP, n. 71).
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Horário mais tarde: por quê?
A celebração litúrgica deve estar acima das “práticas piedosas”, mesmo na escolha do horário (PCFP, 72). Em muitos lugares o final da tarde e a noite são preferíveis por motivos vários: existe o costume do povo vir à igreja nesse horário, como ponto alto do dia; o calor do dia de verão é mais suave; a confraternização do almoço em família já terminou. Há o simbolismo das três horas da tarde, mas a celebração pode ser realizada “desde o meio-dia até ao entardecer, mas nunca depois das vinte e uma horas” (PCFP, n. 63). O motivo é facilitar a reunião dos fiéis. As práticas piedosas (se realmente necessárias) são realizadas após a celebração litúrgica.

Práticas piedosas

São também chamadas de “pios exercícios” a via-sacra, o grande sermão (das “sete últimas palavras de Jesus”), a descida da cruz, a procissão do Senhor morto, etc. As práticas piedosas para alguns são um complemento da celebração litúrgica; para outros são a expressão mais forte – às vezes única – da sexta-feira da paixão do Senhor. Uma advertência que merecia ser aprofundada: evitar o “hibridismo celebrativo distorcido” entre ação litúrgica e práticas piedosas (cf. DPPL, n. 143). Uma orientação valiosa: “Os textos e os cânticos destes pios exercícios correspondam ao espírito litúrgico deste dia” (PCFP, n. 72).
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Vinho e oração em família
No final deste dia poderia novamente a família se reunir. Agora, o membro que participou da celebração da paixão trará da comunidade um copo de vinho engarrafado e uma nova proposta de oração: nova oração e partilha em lembrança da entrega do Senhor.


SÁBADO SANTO
Sentido

“Durante o Sábado Santo a Igreja permanece junto do sepulcro do Senhor, meditando a sua paixão e morte, a sua descida aos infernos, e esperando na oração e no jejum a sua ressurreição” (PCFP, 73). É momento de meditar sobre a sepultura do Senhor, certificação de sua morte, pertencente à forma mais antiga da fé: ‘Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras (1Cor 15,3-4).
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Sábado santo hoje
O sábado santo, em nossos tempos, é um dia de compras e limpeza da casa. Até mesmo a sexta-feira santa em muitas cidades perdeu quase toda a reverência da população. Na Baixada Fluminense, para muitos é dia de descontração com churrasco e cerveja. O crescimento dos evangélicos parece ter ajudado a desvanecer o caráter religioso desses dias. Também é assim na maioria das cidades brasileiras?

Jejum pascal e algo mais

Algo não integrado em nossa prática: aconselha-se prolongar o jejum também no Sábado Santo, “de modo que a Igreja, com o espírito aberto e elevado, possa chegar à alegria do Domingo da Ressurreição” (PCFP, 39).

Em algumas comunidades é feita uma limpeza especial do templo, em forma de mutirão. Ainda há tempo disponível para a confissão sacramental. O retiro de sábado santo começa a ser promovido, como veremos. “Recolhimento” dos membros da comunidade e seus catecúmenos é a proposta do Ritual da iniciação cristã dos adultos.
Ofícios pela manhã e à tarde

Diferentemente da Igreja antiga que, no Sábado Santo, não se reunia nem mesmo para as orações, hoje recomenda-se com insistência a celebração comunitária do oficio das leituras e das laudes com a participação do povo (cf. PCFP, 73 e 40). A comunidade reunida na igreja (não na capela da reposição), encontrará nos salmos, nos próprios relatos evangélicos referente ao sepultamento de Jesus e no texto patrístico do sábado santo, rica expressão do mistério deste dia. O Ofício Divino das Comunidades e a Liturgia das Horas oferecem indicações preciosas para o ofício da manhã, do meio dia e da tarde (vésperas).
Ritos com os catecúmenos

No sábado santo a Igreja recomenda que os catecúmenos façam jejum e reservem tempo para a oração, participando do “recolhimeno” de toda a comunidade. Há ritos previstos para esse dia como o “éfeta”, a recitação do creio, o sentido do nome... A Igreja sabe, no entanto, que o trabalho profissional nem sempre permite um encontro para a celebração dos ritos.
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Retiro na tarde de sábado?
Pode ser feito com os catecúmenos, ao redor dos ritos e leituras bíblicas previstas. Além dos padrinhos e introdutores, podem participar membros da comunidade. Igualmente pode ser preparado um retiro para os membros da comunidade, mesmo que não haja batismo na vigília pascal. Os ofícios desse dia (seja no Ofício Divino das Comunidades, seja na Liturgia das horas) darão a orientação na escolha dos textos e dos cantos. Há comunidade que une o retiro ao começo da vigília pascal.

VIGÍLIA E DOMINGO DE PÁSCOA
Sentido do domingo e da vigília

“O domingo de páscoa é a máxima solenidade do ano litúrgico” (DPPL, 148). Segundo uma antiga tradição, esta noite é consagrada ‘em honra do Senhor’ “e a vigília que nela se celebra, comemorando a noite santa em que o Senhor ressuscitou, deve ser considerada a ‘mãe de todas as santas vigílias’. Nesta vigília, a Igreja permanece à espera da ressurreição do Senhor e a celebra com os sacramentos da iniciação cristã” (PCFP 77) (...) “Com efeito, a ressurreição de Cristo é o fundamento da nossa fé e da nossa esperança, e por meio do Batismo e da Confirmação fomos inseridos no mistério pascal de Cristo: mortos, sepultados e ressuscitados com Ele, com Ele também havemos de reinar” (PCFP 80)
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Prática alternativa de começar de madrugada

A vigília pascal deve terminar antes do amanhecer. Embora não seja comum, é possível começar a vigília de madrugada, ao redor das quatro horas. Nem todas as cidades e bairros permitem o livre trânsito das pessoas, mas há muitas vantagens nesta opção. Na escuridão e no silêncio, desenvolve-se a mãe de todas as vigília cristãs. Um café da manhã comunitário também faz sentido.

Estrutura da vigília

“A vigília tem a seguinte estrutura: depois do lucernário e da proclamação da Páscoa (primeira parte da vigília), a santa Igreja contempla as maravilhas que Deus operou em favor do seu povo desde o início (segunda parte ou liturgia da Palavra), até ao momento em que, com os seus membros regenerados pelo Batismo (terceira parte), é convidada à mesa, preparada pelo Senhor para o seu povo, memorial da sua morte e ressurreição, à espera da sua nova vinda (quarta parte). Esta estrutura dos ritos por ninguém pode ser mudada arbitrariamente” (PCFP, 81).
Possibilidades do círio

Costumamos dar preferência aos círios pascais pintados (e escavados) com a cruz, o “a” (alfa) e o “z” (ômega), assim como a indicação do ano em curso. Mas essa não é a primeira opção do missal. A primeira é o círio despojado de qualquer inscrição. Ele é símbolo por ser uma grande vela e pelo material com que é feito, embora a maioria das comunidades não tenha condições de ter um círio de “cera virgem”. A segunda opção é fazer as inscrições na própria celebração, com um estilete. A terceira possibidade é a nossa costumeira.


Participação dos neófitos

Recém-nascidos é a tradução literal de neófitos; aqueles que foram iniciados no mistério de Cristo pelo batismo e pela confirmação na vigília pascal. Pela primeira vez, agora como membros do povo sacerdotal, participam das preces e levam os dons do pão e do vinho até o altar. Pela primeira vez participam da oração eucarística e da recitação da oração do Senhor e, como ápice da iniciação, se aproximam da mesa para a comunhão eucarística. É conveniente que participem de todo o tríduo pascal, embora sem comungar.
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Ovos de galinha, água e oração em família

No final da vigília, os participantes podem receber ovos de galinha cozidos e, eventualmente, coloridos. (As crianças da comunidade poderão pinta-los na semana santa.) Um ovo para cada membro da família, a ser partilhado no café da manhã ou no almoço. A ressurreição do Senhor é lembrada com esse sinal de fecundidade e com uma oração proposta pela comunidade. O almoço de páscoa também costuma ser festivo e reunir parentes e amigos e pede uma bênção à mesa. Outro sinal que poderá ser levado para cada é a água benta, tão apreciada.

Mistagogia e “verdade dos sinais”

A primeira parte da vigília pascal “compreende ações simbólicas e gestos, que devem ser realizados com tal dignidade e expressividade, de maneira que os fiéis possam verdadeiramente compreender o significado, sugerido pelas advertências e orações litúrgicas. Na medida em que for possível, prepare-se fora da igreja, em lugar conveniente, o braseiro para a bênção do fogo novo, cuja chama deve ser tal que dissipe as trevas e ilumine a noite. Prepare-se o círio pascal que, no respeito da veracidade do sinal, deve ser de cera, novo cada ano, único, relativamente grande, nunca artificial, para poder recordar que Cristo é a luz do mundo. A bênção do círio seja feita com os sinais e palavras indicados no Missal ou por outros aprovados pela Conferência Episcopal” (PCFP 82).

“A liturgia da vigília pascal seja realizada de modo a poder oferecer ao povo cristão a riqueza dos ritos e das orações; é importante que seja respeitada a verdade dos sinais, se favoreça a participação dos fiéis e seja assegurada a presença de ministros, leitores e cantores” (PCFP 93).

“Ao anunciar a vigília pascal, evite-se apresentá-la como o último ato do Sábado Santo. Diga-se antes que a vigília pascal se celebra ‘na noite da Páscoa’ e como um único ato de culto. Recomenda-se encarecidamente aos pastores insistir na formação dos fiéis sobre a importância de se participar em toda a vigília pascal” (PCFP 95).

“Para poder celebrar a vigília pascal com o máximo proveito, convém que os próprios pastores adquiram um conhecimento melhor tanto dos textos como dos ritos, a fim de poderem dar uma mistagogia que seja autêntica” (PCFP 96).
Aspersão com água

“A missa do dia da Páscoa deve ser celebrada com grande solenidade”. O que é sugerido para todos os domingos do ano, aqui se recomenda de maneira especial: em lugar do ato penitencial, o rito da aspersão "com a água benzida durante a celebração da vigília”. Temos uma boa versão para o canto da antífona (Vidi aquam) sugerida para acompanhar o gesto da aspersão: ‘eu vi, eu vi, vi foi água a manar’ ou ‘Banhados em Cristo’. Com essa mesma água convém encher os recipientes (vasos, pias) que se encontram à entrada da igreja (cf. PCFP, 97)
“Vésperas batismais”

“Conserve-se, onde ainda está em vigor, ou, segundo a oportunidade, instaure-se a tradição de celebrar as vésperas batismais do dia da Páscoa, durante as quais ao canto dos salmos se faz a procissão à fonte” (PCFP, 98).
1 CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO. Paschalis Sollenitatis: A Preparação e Celebração das Festas Pascais (carta circular), 1988. Foi publicada no Brasil com o Título: Preparação e Celebração das Festas Pascais, na coleção, Documentos Pontífícios, n. 224, p. 25.

2 CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS. Diretório sobre piedade popular e liturgia; princípios e orientações. São Paulo: Paulinas, 2003. Cf. especialmente pp.112-156 sobre o ciclo pascal.

3 Normas Universais do Ano Litúrgico

4 Catecismo da Igreja Católica.

5 Cf. CNBB. Hinário Litúrgico da 2º fascículo. Quaresma, Semana santa, Páscoa, Pentecostes. São Paulo: Paulus, 2006. 7ª Edição, revisada e ampliada. Cf. também Cds: Tríduo pascal I e II. São Paulo: Paulus.

6 BERGAMINI, Augusto. Cristo, festa da Igreja; o ano litúrgico. São Paulo: Paulinas, 1994, p. 316.

7 Instrução Geral sobre o Missal Romano

8 Este ofício ampliado, encontra-se na página eletrônica da revista de Liturgia e da Rede celebra, com o nome: “Vigília com Jesus no Horto”.
“Dons para os pobres”

A celebração da Ceia, é o lugar e o critério para verificar a coerência entre a eucaristia e a comunhão fraterna, como acena o relato do lava-pés proclamado neste dia. Por isso, está previsto para a procissão das ofertas que se apresentem “os dons para os pobres, especialmente os que foram recolhidos no tempo quaresmal como frutos de penitência” (PCFP, 52), ou como resultado da Campanha da Fraternidade.
Doentes

“Para os doentes que recebem a Comunhão em casa, é mais oportuno que a Eucaristia, tomada da mesa do altar no momento da Comunhão, seja a eles levada pelos diáconos ou acólitos ou ministros extraordinários, para que possam assim unir-se de maneira mais intensa à Igreja que celebra” (PCFP, 53).
Reposição do pão eucarístico

Devemos ter cuidado com a condução deste rito. O essencial da celebração já se realizou: Palavra, lava-pés, eucaristia. A reposição do Santíssimo Sacramento não é o ápice dessa noite. Apesar da cruz, círios acesos e incenso, deve predominar a sobriedade na procissão e na reposição, para não se perder a densidade da celebração e sua continuidade com a paixão.
Adoração ao SS.

“A piedade popular é particularmente sensível à adoração do Santíssimo Sacramento... É preciso que os fiéis sejam esclarecidos sobre o sentido da reposição; realizada com austera solenidade...” (DPPL, 141). Os fiéis são convidados, à adoração silenciosa e prolongada, até a meia noite, quando começa o dia da Paixão do Senhor. É importante evitar, que depois da meia noite, continuem os turnos organizados de adoração para que esta continue, de fato, “sem solenidade” (cf. DPPL, 141 e PCFP, 56). Mais do que das explicações catequéticas, a clareza virá da maneira de proceder. A experiência tem mostrado a importância de valorizar o canto dos salmos nesta adoração e o documento sugere que “Durante a adoração eucarística prolongada pode ser lida uma parte do Evangelho de João (13-17)” (PCFP, 56), apontando a adoração como mistagogia da celebração.
Desnudamento do altar

Concluída a celebração, a mesa do altar é desnudada. “Convém cobrir as cruzes da igreja com um véu de cor vermelha ou roxa, a não ser que já tenham sido veladas no sábado antes do V domingo da Quaresma. Não se podem acender velas ou lâmpadas diante das imagens dos santos” (PCFP, n. 57).
Ofício

Na liturgia das horas não há um ofício próprio para oração da comunidade depois da reposição do Santíssmo. O Ofício Divino das Comunidades, contudo, apresenta o “ofício da agonia”, (ODC, p. 55)8. Não sendo a adoração uma ação litúrgica, o estilo proposto é o da leitura orante, intercalando a recitação comunitária de salmos e leituras com os momentos de silêncio e oração pessoal. Uma boa alternativa para este tempo prolongado de adoração!








A CELEBRAÇÃO NA CEIA DO SENHOR
Sentido

A celebração da Ceia do Senhor, “Recorda aquela última ceia em que o Senhor Jesus, na noite em que ia ser traído, tendo amado até ao extremo os seus que estavam no mundo ofereceu a Deus Pai o seu Corpo e Sangue sob as espécies do pão e do vinho e deu-os aos apóstolos como alimento” (PCFP, 44). Celebrada nas horas vespertinas da Quinta-feira Santa, tem caráter mais propriamente de ‘primeiras vésperas’ da ‘bem-aventurada paixão’, acenado já na antífona de abertura: devemos gloriar-nos na cruz... “Enquanto o Tríduo nos apresenta a realidade do mistério pascal único e unitário na sua dimensão histórica, a quinta-feira o transmite em sua dimensão ritual” (Bergamini, 316)6. É o momento sacramental da páscoa do Senhor, resumindo no Lava-Pés e no Sacramento do Pão e do Vinho, antecipadamente, todo o Mistério que vai se desdobrar no sacratíssimo Tríduo do Salvador, crucificado, sepultado e ressuscitado... O que deve ser sublinhado é a dimensão ritual, ou seja, o rito memorial, que torna presente o mistério pascal de Cristo (sem esquecer que a verdadeira eucaristia da páscoa, a missa da comunhão pascal é a da vigília, ápice da iniciação cristã).
Tabernáculo vazio

Para que apareça a ligação entre os gestos de Jesus que deram origem à liturgia eucarística (Jesus tomou o pão, deu graças, partiu e repartiu) “as hóstias para a comunhão dos fiéis devem ser consagradas na mesma celebração da missa”, por isso, “antes da celebração, o tabernáculo deve estar vazio”. O que está em jogo é a verdade dos sinais “para que a comunhão se manifeste mais claramente como participação do sacrifício celebrado” (IGMR, 56, h)7. “Consagrem- se nesta missa hóstias em quantidade suficiente para este dia e para o dia seguinte” (PCFP 48).
Capela da reposição

Nesta noite, consagrada à lembrança da eucaristia, com o sinal da adoração, a Igreja quer sublinhar a presença permanente de Cristo sob as espécies eucarísticas, como aspecto decorrente da celebração. Deste modo, o mistério eucarístico é considerado tanto na celebração da missa como no culto das santas espécies, que são conservadas depois da missa. Contudo a reserva do sacramento do Corpo do Senhor é destinada em primeiro lugar para a comunhão dos fiéis na ação litúrgica da Sexta-feira Santa e para o Viático dos enfermos (Cf. DPPL, 141 e PCFP, 55). As orientações parecem supor que havendo capela do Santíssimo, é para lá que devem ser conduzido procissionalmente o sacramento do corpo do Senhor, desde que haja espaço para abrigar certo número de fiéis. Caso contrário, “reserve-se uma capela para a conservação do Santíssimo Sacramento”. Algumas recomendações a propósito deste lugar da reposição: que seja ornado de modo conveniente, para que possa facilitar a oração e a meditação; que seja sóbrio, como convém à liturgia destes dias; o sacramento seja conservado num tabernáculo ou cibório fechados, nunca exposto em ostensório (cf. PCFP, 55).
Lava-pés

“O lava-pés que, por tradição, é feito neste dia a alguns homens escolhidos, significa o serviço e a caridade de Cristo, que veio ‘não para ser servido, mas para servir’ (Mt 20,8). Convém que esta tradição seja conservada e explicada no seu significado próprio” (PCFP, n. 51). Quanto ao beijo dos pés após a lavagem, como acontece no Vaticano e comumente entre nós, não é citado. O rito, como foi dito, expressa o serviço e a caridade do Cristo à humanidade.

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