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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Metanóia – Conversão da Alma

Metanóia é uma palavra grega que significa “arrependimento”. Arrependimento e conversão que nos abrem as portas da Graça de Deus, a Graça que nos dá acesso ao caminho da santidade.

No Antigo Testamento e no Novo Testamento, duas palavras são usadas para expressar arrependimento. No Antigo testamento, as palavras são nicham e Shubh. Nicham tem como significado estar sentido, estar sentindo ser movido à piedade, ou arrepender-se dos erros; é frequentemente usada quando trata de uma mudança ou possível ou possível mudança nos planos de Deus (Gn 6; 6,7; Ex 32; 12-14; Dt 32;36). Essa palavra também é usada para descrever a tristeza pelo pecado (Jz 21:6,15; Jó 42;6; Jer 8;18). Porém, a forma mais encontrada da palavra é a palavra Shubh, que significa voltar atrás, ir na direção oposta. Isso realça o fato que o arrependimento significa uma mudança de direção, do caminho errado para o caminho certo; significa abandonar o pecado (I Rs 8;35), a iniquidade (Jó 36:10), a maldade dos caminhos (Ne 9:35).

No Novo Testamento, as palavras empregadas são metonóia e epistrepho . Ambas as palavras são usadas na Septuaginta para traduzir nicham e Shubh. Respectivamente. Hoekma afirma que não é possível traçar uma linha divisória entre ambas. Geralmente, metanonia parace enfatizar a mudança interior envolvida no arrependimento, enquanto epistrepho realça a mudança na vida exterior que implemente a expressa a vida interior.

A Metanónia ajudar-nos a receber o dom das lágrimas, de que fala São Simeão: “É impossível limpar uma veste suja na ausência de água e, sem lagrimas, é ainda mais impossível limpar e purificar a alma das suas manchas e impurezas”. “O arrependimento faz jorrar lágrimas das profundezas da alma: as lágrimas purificam o coração e fazem desaparecer os grandes pecados”.

Metanónia é, também, o nome dado a dois gestos rituais transmitidos pela Santa Tradição: “ a pequena metanónia”, que o gesto que fazemos diante de um ícone, antes de o beijarmos, ou de um Bispo antes de lhe pedirmos a benção; “a grande metenónia, que é a prostração que fazemos no grande perdão”, na confissão, nas nossas orações privadas ou durante o Oficio da Santa Eucaristia.

Com o nome de metanónia o Evangelho designa uma total mudança interior, uma conversão radical, uma transformação profunda da mente e do coração.

A santidade e consequência e fruto da metanónia. Jesus inicia seu ministério publico convidando justamente à metanónia. “Convertei-vos *(metanoiete) e crede na boa nova”.
Como vemos, esta expressão designa muito mais que uma mera “mudança de mentalidade”, desigrna uma conversão total da pessoa, uma profunda transformação interior. Quer dizer, não se trata apenas de um distinto modo de pensar intelectual, mas uma revisão à luz dos evangelhos das próprias convicções vitais. A Metanónia e uma mudança da mente e do coração, é a transformação radical que alcança o ser humano em sua realidade mais profunda, permitindo-lhe viver uma coerência cada vez maior entre as Leis do Criador e a vida diária. A Metanónia leva a viver a vida ativa segundo o desígnio divino.

Esta progressiva transformação interior cujo o horizonte é a plena comunhão com Cristo não é somente uma obra humana: É sobretudo uma obra do Espirito Santo em nós. A Alma do homem lhe leva a uma mudar o interior, transformando o coração de pedra em um coração de carne.

Portanto, a perseverança na oração é fundamental: quem não, ora mal ou ora pouco dificilmente se converte. Cristo não adverte que se deve vigiar e orar para não cair em tentação? (Mat 26;41). A oração perseverante é um meio fundamental para permanecer em comunhão com Cristo, a partir dessa permanência, poder desdobrar-se dando fruto abundante de conversão e santidade.

Este e outros momentos fortes de oração são indispensáveis, pois são momentos privilegiados de encontro com Cristo nos quias se reflete e interioriza a palavra de Deus e os ensinamentos contidos nos evangelhos.

É importante também perseverar no exercício diário de consciência. Também este é um importantíssimo instrumento de transformação. É muito bom aplicar o exame de consciência particular no empenho de despojar-se de algum vicio específico e revestir-se da virtude contrária.

A Metanóia exige um esforço perseverante. É necessário um verdadeiro combate espiritual para alcançá-la. Percebo que a metanóia implica sério e constante de minha parte? Sou consciente que tenho que rechaçar radicalmente o pecado despojando-me de tudo de tudo o que é obstaculo para minha conversão? O que vou fazer? Que meios concretos porei em meu combate espiritual?

A meta da conversão é a santidade, que não é outra coisa que ser “outros Cristos”, configurar-se com Ele. Deve-se chegar a repetir com o Apóstolo Paulo: “ Já não sou eu quem vivo, mas é \Cristo que vive em mim”.(Gl 2,20).

Sabe-se que o esforço pessoal é necessário, mas não suficiente para alcançar a conversão. Por isso, o próprio Cristo oferece que se necessita de maneira especial; nos sacramentos. Deve-se procurar continuamente a graça do Senhor nos sacramentos e nutrir-se e fortalecer-se ainda mais da graça sacramental.

O encontro com Cristo muda a existência de uma pessoa, como ensina a vicissitude de Zaqueu. (Luc 19,1-10). Assim também aconteceu com os pecadores que cruzaram com Jesus nos seus caminhos. Na Cruz a um extremo ato de perdão e de esperança dado ao malfeitor que faz sua metanónia quando chega à fronteira ultima entre a vida e a morte, e diz ao companheiro:” Quanto a nós é justo porque recebemos o que merecemos”(Luc 23,41). A Ele que implora:”Lembra-te de mim, quando chegares no Teu Reino”, Jesus responde: “Eu te garanto, hoje mesmo estarás no Paraíso”. (Ibid.. vv 42,43) Deste modo, a missão terrena de Cristo iniciada com apelo a conversão, para entrar no Reino de Deus, conclui-se com uma conversão e um ingresso no Seu Reino.

Também a missão dos Apóstolos começou com um premente apelo a conversão. Aos ouvintes do seu primeiro discurso, que sentiam o coração transpassado e pediam com anseio: “ Que devemos fazer?”, Pedro respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos pecados; depois recebereis do Pai o Dom do Espirito Santo(At 2, 37-38). Esta resposta de Pedro foi a acolhida prontamente:”cerca de três mil pessoas” converteram-se neste dia(cf. Ibid., v. 41), Depois da cura milagrosa de um homem, coxo de nascença Pedro renovou sua exortação. Recondando aos habitantes aos habitantes de Jerusalém o horrendo pecado que tinham cometido:”Vós porém, renegaste o Santo e o Justo...mataste o Autor da vida”(At 3,14-15);
entretanto atenuou-lhes a culpabilidade, dizendo:”Apesar disso, meus irmãos, sei que agistes por ignorância(Ibid,. v.17). Chamou-os depois à conversão:”(cf 3,19) e deu-lhes uma imensa esperança:”Deus enviou-o em primeiro lugar a vós, para vos abençoar e para que cada um de vos se converta das maldades(3,19).

De igual modo, o Apóstolo Paulo, pregava a conversão, Di-lo no seu discurso ao rei Agripa, descrevendo assim o próprio apostolado: a todos ,“vivendo da maneira que corresponde a essa conversão, anunciei o arrependimento e a conversão...também aos pagãos(At 26,20; cf I Ts 1,9-10). Paulo ensinava que a ”bondade de Deus (nos) convida à conversão”(Rm 2,4). No Apocalipse é Cristo que exorta varias vezes à conversão. Inspirada pelo amor(cf Ap 2,5.16.21-22; 3, 3-19), mas é acompanhada de promessas maravilhosas de intimidade com o Salvador(Cf 3,20-21).
A todos pecadores, portanto, está sempre aberta uma porta de esperança. “O homem não é deixado sozinho a tentar, de mil maneiras e muitas vezes frustradas, uma subida impossível ao céu: existe um tabernáculo de glória que é a pessoa de Jesus, o Senhor onde o divino e o humano num abraço que nunca poderá ser desfeito: O Verbo fez-se carne, em tudo semelhante a nós, exceto no pecado. Ele derrama a divindade no coração doente da humanidade e, infundindo-lhe o Espirito do Pai, tornas-se capaz de tornar-se Deus pela graça”(Orientale lumem, 15)
                       
                                                                

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