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quinta-feira, 19 de julho de 2018

Sobre o pensamento Humano: Aptogtemata Patrum Evagrius




O pensamento humano não pode por si só ser inerentemente mau porque quando Deus declarou a humanidade criada à sua imagem e “boa” em Gênesis, ele reconheceu que a vida mental do homem não era inerentemente depravada.

Ele mostra isso considerando novamente a imagem e a substância do ouro: “… em qual desses consiste o pecado? É o intelecto? Mas como então o intelecto pode ser a imagem de Deus? É a intelecção do ouro? Mas que pessoa sensata diria isso? Então o ouro é o pecado? Nesse caso, por que foi criado? ” Como pode o intelecto (a parte profunda do homem) ser pecado se for criado à imagem de Deus. O pecado é encontrado em considerar o ouro? Improvável como o ouro pode ser considerado sem ganância. O ouro é pecaminoso? Obviamente não. Então, segue-se que alguma outra coisa está em ação para transformar a parte profunda do homem em si mesma. Esta seria a terceira fonte de pensamentos.

“O pensamento demoníaco, por outro lado, não sabe nem pode saber tais coisas. Só pode descaradamente sugerir a aquisição do ouro físico, aguardando a riqueza e a glória que virá disso. ” A causa do pecado na vida mental do coração é sugerida pelas trevas (que Jesus alega que o homem se apaixonou João 3), e incitado pelo prazer.  Segue-se, então, que a causa do pecado é o quarto elemento, que não é nem uma realidade objetiva, nem a intelecção de algo real, mas é um certo prazer nocivo que, uma vez escolhido livremente, obriga o intelecto ao uso indevido. o que Deus criou. ”A causa dos pensamentos pecaminosos é o “prazer nocivo” que compele a humanidade a usar mal o que Deus criou para o bem, neste caso o ouro para ser usado como uma exibição para a glória de Deus no tabernáculo.

Por que isso é importante para Evágrio? Sua resposta é encontrada na compreensão do que é que precisa ser cortado da vida interior: “ Assim como é possível pensar na água tanto enquanto está com sede quanto não está com sede, então é possível pensar em ouro com ganância e sem ganância. O mesmo se aplica a outras coisas. Assim, se pudermos discriminar dessa maneira entre um tipo de fantasia e outro, poderemos então reconhecer a astúcia dos demônios ”. Não é o pensamento de uma coisa que é mal, é o desejo distorcido e a paixão que ela inspira. E aí estão os pensamentos que devem ser resistidos. Esses pensamentos transformam o coração em si e provocam todo tipo de conflito(...)


"Onde há vontade, há um Caminho"

Paciência




Em Tiago 1:2-4, nós lemos:
Tiago 1:2-4
“Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações; sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência. Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma”.

Para ser perfeitos e completos, nós precisamos do trabalho perfeito da paciência. Eu gostaria portanto, hoje, de dar uma olhada mais próxima para a paciência e sua importância.

1. Paciência: Por que nós precisamos dela?
Para começar nós iremos até Hebreus 12:1-2. Lá nós lemos:

Hebreus 12:1-2
“Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.”

Há uma corrida que nós devemos correr, e devemos corrê-la com paciência, olhando para Jesus, que também pacientemente sofreu a cruz pelo gozo que viria depois dela. Na verdade, pense sobre a paciência de Cristo. Ele nunca fez mal para ninguém. Ao contrário, ele curou o fraco, ressuscitou o morto, e ele sempre fez o desejo de Deus. Ainda assim, ele foi perseguido e torturado mais do que qualquer outra pessoa, até o ponto de ser crucificado. Cristo teve razões para ficar nervoso e querer parar, por causa das pessoas a quem ele serviu terem se comportado tão terrivelmente com ele? Bem, sim, se ele o tivesse feito, mas ele nunca o fez. Em vez disso, ELE SUPORTOU. Você suporta quando você considera o objetivo que você quer executar com muito mais valor do que a dor que você está sentindo agora. Isto é o que Jesus fez. Ele suportou a dor e a humilhação, olhando para o que ele seguiria, para a nossa salvação, que esta dor se tornaria possível. Ele é nosso brilhante exemplo de paciência e ele é aquele que nós devemos considerar, correndo a nossa carreira tendo sua paciência como um exemplo. Conforme disse Paulo em 1 Coríntios 9:24-25:

1 Coríntios 9:24-25
“Vós sabeis que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível.”

A recompensa de nossa corrida não é uma coroa corruptível, ou um corpo corruptível, dado por uma mão corruptível. Em contraste, é uma coroa INCORRUPTÍVEL em um corpo espiritual e INCORRUPTÍVEL, dado POR UMA MÃO INCORRUPTÍVEL: a mão de JESUS CRISTO. E Hebreus 12 continua:

Hebreus 12:3
“Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos.”

E Hebreus 10:35-39
“Não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão. Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa: Porque ainda um pouquinho de tempo, e O que há de vir virá, e não tardará. Mas o justo viverá da fé; e, se ele recusar, a minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma.”

Nossa paciência e confiança têm grande galardão. Jesus Cristo está voltando com as coroas, com as recompensas para aqueles de nós que persistem e não se retiram. De vez em quando, nós pensamos que aqui é o nosso lar permanente, e que nós ficaremos aqui para sempre. Contudo, nossa verdadeira cidadania é nos céus (Filipenses 3:20). Nós somos homens chamados por Deus para conhecê-lo e a Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo, porque o conhecimento de tudo mais é escória (Filipenses 3:8). Ele é o autor e o consumador de nossa salvação (Hebreus 12:2). Ele é o nosso lar nos céus, nosso lar verdadeiro e permanente (2 Coríntios 5:1). Esta é a realidade, uma vez que a realidade é também o prêmio que nós não vemos agora, embora nós insistamos por ele, exatamente como o atleta que não vê seu próprio prêmio, mas persiste e se prepara para consegui-lo.

2. Paciência passiva e paciência lutadora
Já que nós falamos sobre paciência, eu gostaria de deixar claro porque nós falamos sobre este tipo de paciência. A razão é porque há dois tipos de paciência: a paciência passiva e a paciência lutadora. A paciência passiva somente consome o tempo, esperando passivamente pelo fim. Tal, por exemplo, é a paciência dos prisioneiros, os cativos e geralmente aqueles que estão cativos em uma situação que aceita passivamente.

O oposto da paciência passiva é a paciência lutadora, a paciência do lutador que, objetivando a vitória, persiste diante de todas as adversidades e ferimentos que uma luta possa implicar. Ele pode estar machucado, mas ele persiste em tudo por sua missão. Eu acredito que é sobre este tipo de paciência que Deus fala em Sua Palavra. Não é sem esperança, sem objetivo, a paciência que Deus nos pede que tenhamos. Conforme lemos em Hebreus 12:1-2: "CORRAMOS com paciência a carreira que nos está proposta, OLHANDO para Jesus, autor e consumador da fé”. Nós somos pacientes, CORRENDO (ação) uma corrida e OLHANDO(ação) somente para: o Senhor Jesus Cristo, o autor e consumador de nossa fé. Deus nem nos fez prisioneiros de guerra nem soldados que marcham de tempos em tempos e depois retornam a seus campos. Ele nos fez como forças armadas espirituais, em uma guerra toda externa “contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra os hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais" (Efésios 6:12 ). Nós não paramos em um território amigável, mas lutamos em uma guerra verdadeira no território do inimigo. Nós não estamos aqui somente para empunhar nossas armas, para dizer que nós as temos, mas para USÁ-LAS em todo o seu formidável poder. É claro, como em qualquer guerra, nós podemos sofrer adversidades e sofrimentos. Mas e então? Devemos temê-los? Devemos deixar que o mal nos mantenha na prisão sob a ameaça das consequências? Tanto quanto a Deus interesse:

2 Timóteo 2:3
“Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo.”

O bom soldado sofre as aflições. Pela glória de sua missão ele está pronto para sacrificar tudo. Ele obviamente tem a mente de seu Comandante:

Filipenses 2:5-11
“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.”

O bom soldado tem a mente de seu comandante. Ele é obediente, chegando até a morte se ela for necessária. Ele se tornou disponível para seu Senhor e embora ele possa passar por aflições, ele as suporta, em busca Dele.

Por outro lado, há o soldado que teme as aflições. Em sua prospectiva, ele se torna trêmulo e prefere retroceder para a prisão. O mantenedor da prisão que brame como um leão (1 Pedro 5:8) o aterroriza. Ele o engana para acreditar que ele tem algum poder sobre ele escondendo a verdade que “maior é o que está em vós do que o que está no mundo. (1 João 4:4). Que este soldado possa também entender a verdade. Possa ele quebrar suas amarras, as fortalezas e os pensamentos da mente (2 Coríntios 10:4 ), que o mantêm cativo na falsa segurança da prisão, e caminhar, na batalha, como um bom soldado que luta sem medo e pacientemente. Mas, não mais com uma paciência passiva, mas sim lutadora.

3. Outros exemplos de paciência
 

3.1 O exemplo do fazendeiro e a semente
Além do exemplo de Jesus, mais exemplos de paciência são dados em Tiago 5. Lá, começando a partir do versículo 7 nós lemos:

Tiago 5:7-8
“Sede pois, irmãos pacientes até à vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia. Sede vós também pacientes, fortalecei os vossos corações; porque já a vinda do Senhor está próxima.”

O fazendeiro vê o fruto pelo qual ele trabalha? Não. Contudo, ele o espera. Ele insiste em todo trabalho desagradável, de forma que no fim sua fazenda possa produzir tanto fruto quanto possível. Nós diríamos que o fruto de sua fazenda está em perfeita correspondência com sua persistência e cuidado. Na verdade, imagine um fazendeiro descuidado que negue fazer o que é necessário para sua fazenda. Compare-o agora com alguém que, a despeito do calor do verão e do frio do inverno, cuida de sua fazenda fazendo todo o trabalho desagradável que o primeiro evita. Por que ele faz isso? Porque ele tem objetivo em alguma coisa que ele não vê direito, mas pela qual ele insiste: o fruto. É esta fazenda que produzirá muito fruto, e é este fazendeiro bom e paciente o exemplo que nos é dado. Conforme o Senhor disse na parábola do semeador:

Lucas 8:11-15
“Esta é, pois, a parábola: a semente é a palavra de Deus. E os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem; depois vem o diabo, e tira-lhes do coração a palavra, para que não se salvem, crendo; E os que estão sobre pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas não têm raiz, apenas creem por algum tempo, e no tempo da tentação se desviam; E a que caiu entre espinhos, esses são os que ouviram e, indo por diante, são sufocados com os cuidados e riquezas e deleites da vida, e não dão fruto com perfeição. E a que caiu em boa terra, esses são os que, ouvindo a palavra, a conservam num coração honesto e bom, e dão fruto com perseverança”.

A Palavra de Deus foi semeada em nossos corações. Como o fazendeiro que não vê o fruto de sua fazenda e ainda assim persiste, da mesma forma nós, como bons fazendeiros, devemos manter a semente da Palavra em nosso coração com paciência. Na parábola, a semente sempre era a mesma. Contudo, somente um fazendeiro era paciente. Ele manteve a semente em sua fazenda (coração) e, em retorno, ele suportou muito, muito fruto, até mesmo um cêntuplo (Mateus 13:9 ). E, mais importante, ele manteve o fruto que dura para sempre!

3.2 O caso de Jó
Outro exemplo que é dado em Tiago 5 é o exemplo de Jó. Então, no versículo 11 nós lemos:

Tiago 5:11
“Eis que temos por bem aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso".

A história completa de Jó pode ser lida no livro respectivo. Ele foi tentado pelo diabo com severidade. De fato tudo que um homem considera como benção foi tirado dele. Suas crianças foram assassinadas. Sua propriedade foi perdida. Ele estava intensamente doente, e sua esposa o desprezou, dizendo-lhe para amaldiçoar Deus e morrer. E como isso não teria sido suficiente, ele tinha três amigos que pensou que eles vieram confortá-lo, mas eles estavam tentando enganá-lo que era culpa dele por todos estes acontecimentos que o acometiam. Ainda assim, a Bíblia nos conta que Jó foi paciente. Conforme pode ser visto no final de seu livro, a despeito de toda adversidade, Jó passou o teste de sua fé com sucesso.

Seguindo seu exemplo, nossa fé poderia não depender das coisas, do que nós temos ou do que nós gostaríamos de ter. Tal fé é condicional. Em contraste, nós devemos entregar ao Senhor toda parte de nossas vidas. Para Ele, nós estamos “perfeitos Nele” agora (Colossenses 2:10 )! Qual é o problema? É sua saúde, sua solidão, seu trabalho, tal e tal problema? Para Deus, você está “perfeito Nele (Cristo)” agora. Antes que ele dê a você qualquer outra benção, Ele pronunciou você PERFEITO, porque você acreditou em Seu Filho.

Para muitas igrejas as bênçãos que se tem são uma medida de sua fé. Assim, quando alguém perde sua saúde ou sua propriedade, nós achamos difícil ajudá-lo. Nós nos tornamos iguais aos amigos de Jó, que, em vez de confortá-lo, ofereceram-lhe condenação. É claro que é bom ser muito abençoado em tudo. Mas a nossa completude não depende de quantas bênçãos materiais nós tenhamos. “O Senhor... não retirará bem algum aos que andam na retidão.” (Salmos 84:11 ) diz a Palavra, e Ele nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade (2 Pedro 1:3 ). No final, Deus restaurou o que Jó perdeu (Jó 42:10 ). Na verdade imagine sua alegria quando ele foi curado, quando ele conseguiu de volta sua propriedade dobrada, suas crianças, etc. Imagine a alegria de Cristo quando Ele nos viu confessando-o como Senhor. Cristo sofreu na cruz, Jó perdeu tudo, mas nunca perderam sua paciência, que em resposta rendeu bom fruto.

3.3 O exemplo dos profetas
Outro exemplo na epistola de Tiago é o exemplo dos profetas. Então, no versículo 10 nós lemos:

Tiago 5:10
“Meus irmãos, tomai por exemplo de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor.”

De vez em quando nós pensamos nos profetas e geralmente nas pessoas de Deus sobre quem nós lemos na Bíblia, como super-homens. Nós pensamos que eles poderiam fazer tanto, mas nós ... Contudo, a verdade é diferente. Na verdade, quem dos profetas do Velho Testamento era filho de Deus como você é (Gálatas 4:1-7 )? Quem deles nasceu novamente da semente incorruptível de Deus (1 Pedro 1:23 )? Paulo e Pedro, ou outro homem do Novo Testamento tiveram mais do que você tem? O espírito santo que Deus deu a eles, Ele dá a você também. A promessa para trabalhos ainda maiores do que o de Cristo não foi feita para alguns super-homens daquela idade, mas para qualquer um que acredite em Jesus Cristo:

João 14:12
“Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai.”

Retornando ao nosso assunto, os profetas são na verdade um exemplo muito vivo de paciência e sofrimento. Na verdade, pense sobre Jeremias, Isaías, Elias e os outros que, em vez de “relaxarem”, escolheram sofrer, lutar, persistir, tornar-se um vaso nas mãos de seu Senhor. Mas também no Novo Testamento, pense sobre Paulo, por exemplo. Conforme ele diz para si mesmo:

2 Timóteo 3:10
“Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, amor, paciência, perseguições e aflições tais quais me aconteceram em Antioquia, em Icônio, e em Listra; quantas perseguições sofri, e o Senhor de todas me livrou.”

Também, 2 Coríntios 6:4
“Antes, como ministros de Deus, tornando-nos recomendáveis em tudo; na muita paciência....”

Há uma batalha espiritual que implica no sofrimento e aflições, e nós necessitamos de paciência para lutá-la. Na concepção de Paulo, ele disse no final de seu ministério:

II Timóteo 4:7-8
“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.”

Cristo também disse, falando a Deus:

João 17:4
“Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer”.

Cristo, Paulo, os profetas não eram masoquistas, não gostavam de sofrer. Eles eram guerreiros das forças armadas espirituais, que estavam prontos para sofrer e fazer o que fosse necessário para o cumprimento da missão, para o trabalho do Ministério. Naquele tempo foi Paulo e os outros, hoje somos nós que lutamos a mesma luta, sob o mesmo comandante: o Senhor Jesus Cristo. Possamos nós caminhar como eles. Possamos nós lutar o bom combate e terminar a carreira. Não é uma carreira fácil, mas certamente é a melhor carreira que podemos correr e com o melhor final: o Senhor Jesus Cristo esperando honrar a nossa paciência com a coroa da justiça, exatamente como Ele fará para muitos outros, que através dos séculos escolheram lutar a mesma luta, negando seu próprio eu e colocando-o sob o comando de seu Senhor.

4. Paciência: Como ela é produzida?
Tendo visto o quão importante é a paciência, nós terminaremos olhando como ela é produzida. Assim, em Romanos 5:3-5, nós lemos:

Romanos 5:3-4
“E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.

E Tiago 1:2-4
“Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações; sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência. Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma.”

Na verdade, quem esperaria que nós necessitássemos tanto para fazer o desejo de Deus, para sermos frutíferos e correr a carreira, i.e., a paciência ser o resultado das tribulações e tentativas? Provavelmente é por esta razão que ambas as passagens acima nos dizem para glorificarmos na tribulação e ter gozo nas tentações!! Porque se nós permanecermos fiéis, então isto produzirá a paciência, que, por sua vez, produzirá a prova, a esperança, o trabalho perfeito! Se portanto nós sofrermos "segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas, como ao fiel Criador” (1 Pedro 4:19 ). Vamos nos submeter a Ele – “o Deus de paciência e consolação” (Romanos 15:5 ) – e vamos permitir que Ele nos utilize segundo Ele queira. “Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra” (2 Timóteo 2:4 ) diz a Palavra, e nós somos soldados de Jesus Cristo. Vamos lançar portanto todas as nossas preocupações, todos “os negócios desta vida” a Deus. “Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé” (Hebreus 12:1-2 )
 
"Onde há vontade, há um Caminho"

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Nove maneiras de como se não deve falar de Deus - Por Raimon Panikkar



Os nove pontos seguintes são um contributo para resolver um conflito que faz de muitos dos nossos contemporâneos um grupo à parte. De facto, parece que muita gente não é capaz de resolver o seguinte dilema: ou acreditar na caricatura de Deus que não é mais do que a projecção dos seus desejos insatisfeitos, ou não acreditar em nada em absoluto e, consequentemente, nem em si mesmos.
Pelo menos desde Parmênides, a maior parte da cultura ocidental tem-se centrado à volta da experiência-limite do Ser e da Plenitude. Grande parte da cultura oriental, por sua vez, pelo menos a partir dos Upanixades, centra-se à volta da consciência-limite do Nada e do Vazio. A primeira é atraída pelo mundo das coisas enquanto nos revelam a transcendência da Realidade. A segunda é atraída pelo mundo do subjectivo o qual nos revela a impermanência dessa mesma verdadeira Realidade. Ambas se preocupam com o problema da "finalidade", o fim último a que muitas tradições chamaram Deus.
As nove breves reflexões que se seguem nada dizem acerca de Deus. Em vez disso, desejariam apenas indicar a que circunstâncias o discurso sobre Deus tem de ser adequado e mostrar-se eficaz, se se quiser manter útil para nos ajudar a viver nossas vidas de uma maneira mais plena e mais livre. Não procedemos desta maneira para evitarmos abordar "isso" que é Deus, mas talvez por termos uma profunda intuição: não podermos falar de Deus da mesma maneira como falamos de outras coisas.
É importante que se tenha em conta o facto de que a maioria das tradições humanas falam de Deus tão só no vocativo. Deus é uma invocação.
As nove facetas que esta reflexão apresenta é um esforço para formular nove pontos, os quais, quanto a mim, deveriam ser aceites como base para o diálogo que os homens não podem por muito mais tempo adiar sob pena de se reduzirem a nada mais do que robôs programados. Em cada ponto acrescentei apenas alguns comentários, concluindo com citações da tradição cristã as quais servem apenas de ilustração.
1. Não podemos falar de Deus sem primeiro ter alcançado um silêncio interior
Assim como é necessário fazer uso de um acelerador de partículas e de matrizes matemáticas para falar com conhecimento de causa de elétrons, necessitamos, para falar de Deus, de uma pureza de coração que nos permitirá ouvir a Realidade sem outra interferência que a auto-investigação. Sem este silêncio do processo mental, não podemos elaborar qualquer discurso sobre Deus que não se reduza a uma simples extrapolação mental. Sem esta condição nós estaremos apenas a projetar as nossas próprias preocupações, boas ou más. Se procurarmos Deus com o fito de fazer uso do divino para qualquer coisa, estamos a ultrapassar a ordem da Realidade. Diz o Evangelho: "Quando orares, procura a mais profunda e a mais silenciosa parte da tua casa."
2. Falar sobre Deus é um discurso suigêneris
É radicalmente diferente do discurso sobre outra coisa qualquer, porque Deus não é uma coisa. Fazer de Deus uma coisa seria fazer de Deus um ídolo, mesmo que se trate de um ídolo mental.
Se Deus fosse apenas uma coisa, escondida ou superior, uma projecção do nosso pensamento, não seria necessário dar a "isso" um nome. Poder-se-ia com vantagem falar de um super-homem, uma super causa, uma meta-energia, ou meta-pensamento ou não sei o quê de outra coisa qualquer. Não seria necessário, em ordem a imaginar um arquiteto inteligentíssimo que outro não pudesse igualar ou um arquiteto de engenho inultrapassável, usar o termo "Deus"; bastaria falar do super desconhecido por de trás de todas as coisas que não conhecemos. É este o Deus das "descontinuidades" , o Deus dos espaços entre as matérias, cuja retirada estratégica tem vindo a ser revelada mais ou menos nestes três últimos séculos. "Não dirás o nome de Deus em vão", diz a Bíblia.
3. O discurso acerca de Deus é um discurso sobre o nosso ser todo inteiro.
Não é matéria de pressentimento, "feeling", da razão, do corpo, de ciência, de filosofia acadêmica e/ou de teologia. A experiência humana, em todos os tempos sempre procurou exprimir um "algo" de outra ordem que é "um mais" tanto na base como no fim de tudo o que somos, sem excluir ninguém. Deus, se Deus "existe", não está à esquerda, nem à direita, nem acima nem abaixo seja qual for o sentido destas palavras. "Deus não faz distinção entre pessoas", diz São Pedro.
4. Não é um discurso acerca de qualquer igreja, religião ou ciência.
Deus não é monopólio de qualquer tradição humana mesmo daquelas que a si mesmas se intitulam de teístas ou das que se consideram religiões. Todo e qualquer discurso que tenta tornar Deus prisioneiro de uma ideologia seja ela qual for é um discurso sectário.
É inteiramente legítimo definir o campo semântico das palavras, mas quem limitar o campo de "Deus" à idéia que um dado grupo humano faz do divino acaba sempre por defender uma concepção sectária de Deus. Se existe "alguma coisa" que corresponde ao termo "Deus", não o podemos confinar a nenhum "apartheid".
Deus é o Todo (to pan); A Bíblia hebraica diz isso; também as Escrituras cristãs repetem o mesmo.
5. É um discurso que sempre corresponde à expressão de uma fé
É impossível falar sem a linguagem. Do mesmo modo, não há linguagem que se não adapte a esta ou àquela crença. Contudo, nunca se deve confundir o Deus do qual falamos com a linguagem ou a crença que dá expressão ao Deus em que acreditamos. Existe uma relação transcendental entre o Deus que a linguagem simboliza e aquilo que nós atualmente sabemos acerca de Deus. A tradição ocidental falou freqüentemente de misterium – palavra que não significa nem enigma nem desconhecido.
Toda a linguagem é condicionada pela cultura e a ela está ligada. Mais, a linguagem depende do contexto concreto o qual, por sua vez e ao mesmo tempo a alimenta de significações e lhe determina os limites do campo significativo. Precisamos de um dedo, olhos e de um telescópio a fim de localizar a lua, mas não a podemos identificar com o sentido que aqueles instrumentos indicam. É preciso ter em conta a intrínseca inadequação de todas as formas de expressão. Por exemplo, as provas da existência de Deus que foram desenvolvidas no período da escolástica cristã só podem demonstrar aos que crêem em Deus que a existência do divino não é uma irracionalidade. Se assim não fora, como poderiam ser capazes de saber que a prova demonstrava aquilo de que precisamente andavam à procura?
6. É um discurso acerca do símbolo e não do conceito
Não se pode fazer de Deus o objeto de qualquer conhecimento ou de qualquer crença. Deus é um símbolo simultaneamente revelado e escondido no símbolo de tudo aquilo que vamos exprimindo enquanto falamos. O símbolo é símbolo porque simboliza e não por causa de ser interpretado como tal. Não há hermenêutica possível para um símbolo porque é ele próprio a hermenêutica. Aquilo de que fazemos uso para interpretar é o próprio símbolo.
Se a linguagem fosse apenas um instrumento para designar objetos, nunca seria possível um discurso sobre Deus. Os humanos não falam apenas para transmitir informação, mas porque sentem uma necessidade intrínseca de falar – quer dizer, para viver em pleno, participando linguisticamente num dado universo.
"Nunca ninguém viu Deus", disse S. João.
7. Falar sobre Deus é, necessariamente, um discurso polissêmico.
Trata-se de um discurso que não pode ser limitado a uma sentença estritamente analógica. Não pode haver desse discurso um primum analogatum uma vez que não pode haver uma meta-cultura a partir da qual se possa continuar o discurso. Se uma houvesse seria uma cultura. Existem muitos conceitos sobre Deus, mas nenhum é "conceito de" Deus. Isto significa que procurar limitar, definir ou conceber Deus é um empreendimento contraditório: o produto de um tal procedimento seria apenas uma criação do espírito, uma criatura.
"Deus é maior que o nosso coração", diz São João numa das suas epístolas.
8. Deus não é o único símbolo para indicar o que o termo «Deus» deseja transmitir.
O pluralismo é inerente, em última análise, à condição humana. Não podemos "compreender" ou significar o que a palavra "Deus" representa na óptica de uma única perspectiva ou mesmo a partir de um único princípio de inteligibilidade. Na verdade nem a palavra "Deus" é necessária. Toda a tentativa para tornar absoluto o termo "Deus" destrói as ligações não só com mistério divino (que deixaria assim de ser absoluto – isto é sem dependência relacional de qualquer espécie), mas com os homens e com as mulheres daquelas culturas que não sentem a necessidade deste símbolo. O reconhecimento de Deus caminha sempre com a experiência da contingência humana e com a própria contingência do conhecimento de Deus, uma atrás da outra.
O catecismo cristão resume isto dizendo que Deus é infinito e imenso.
9. É um discurso que inevitavelmente se completa a si mesmo outra vez num novo silêncio.
Um Deus que fosse completamente transcendente – o que poderia significar querer falar sobre um tal Deus? – tornar-se-ia supérfluo, ou até mesmo uma hipótese perversa. Um Deus inteiramente transcendente levaria a negar a imanência divina e ao mesmo tempo destruiria a transcendência humana. O mistério divino é inefável e não há discurso que o possa descrever.
É característica humana reconhecer que a própria experiência é limitada não só no sentido linear em direção ao futuro, mas também intrinsecamente nos alicerces que a sustenta. Não há experiência, a não ser que sabedoria e amor, se unam, corporalmente e temporalmente. "Deus" é uma palavra que agrada a algumas pessoas e desagrada a outras. Esta palavra, ao irromper no silêncio da existência, permite-nos redescobrir uma vez mais esse silêncio. Nós somos, cada um de nós é, uma existência de uma "sistência" que permite polongarmo-nos pelo tempo fora, estendermo-nos pelo espaço, consubstancial com o resto do universo quando insistimos em viver, caminhando em frente à procura, resistindo à cobardia e à frivolidade, subsistindo precisamente neste mistério a que muitos chamam Deus e outros preferem não nomear.
"Recolhe-te no silêncio e sabe que eu sou Deus", declara um Salmo.
Haverá quem lamente que eu tenha uma idéia demasiado precisa de Deus, mesmo que suponha que eu haja aqui escrito alguma coisa de acertado. Desejaria responder que, pelo contrário, eu tenho uma idéia muito precisa do que Deus não é – e mesmo esta idéia não se subtrai ao ataque crítico destes nove pontos. Mas apesar disto, não se trata de um circulo vicioso, mas antes, um novo exemplo do ciclo vital da Realidade. Não se pode falar da realidade fora da realidade nem fora do pensamento, tal como é impossível amar sem amor. Talvez o mistério divino dê sentido a todas estas palavras. A experiência do divino mais simples e despretensiosa consiste na tomada de consciência de tudo aquilo que quebra o nosso isolamento (solipsismo) ao mesmo tempo que respeita a nossa solidão (identidade).
O texto em inglês disponível em http://www.aril.org/panikkar.htm


"Onde há vontade, há um Caminho"