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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A TEORIA MATERIALISTA DA HISTÓRIA

A teoria materialista da história – que afirma que toda a política e a ética são expressões da economia – é uma falácia, de fato, muito simples. Ela consiste, simplesmente, em confundir as necessárias condições de vida com as normais preocupações da vida, que são coisas muito diferentes. É como dizer que porque o homem pode andar somente sobre duas pernas, então, ele só pode caminhar se for para comprar meias e sapatos. O homem não pode viver sem os amparos da comida e da bebida, que os suporta sobre duas pernas; mas, sugerir que esses têm sido os motivos para todos os seus movimentos na história é como dizer que o objetivo de todas as suas marchas militares ou peregrinações religiosas deve ter sido a Perna Dourada da Senhora Kilmansegg ou a perfeita e ideal perna do Senhor Willoughby Patterne. Mas, são esses movimentos que constituem a história da espécie humana e sem eles não haveria praticamente história. Vacas podem ser puramente econômicas, no sentido de que não podemos ver que elas façam muito mais do que pastar e procurar o melhor lugar para isso; e essa é a razão pela qual a história das vacas em doze volumes não seria uma leitura estimulante. Ovelhas e cabras podem ser economistas em suas ações externas, pelo menos; mas, essa é a razão das ovelhas dificilmente serem heróis de guerras épicas e impérios, importantes suficientes para merecerem uma narração detalhada; e mesmo o mais ativo quadrúpede não inspirou um livro para crianças intitulado Os Feitos Maravilhosos das Cabras Galantes.
Mas, com relação a serem econômicos os movimentos que fazem a historia do homem, podemos dizer que a história somente começa quando os motivos das ovelhas e das cabras deixam a cena. Será difícil afirmar que os Cruzados saíram de suas casas em direção a uma horrível selvageria da mesma forma que as vacas tendem a ir das selvas para pastagens mais confortáveis. É difícil afirmar que os exploradores do Ártico foram em direção ao norte imbuídos dos mesmos motivos materiais que fizeram as andorinhas ir para o sul. E se deixarmos, de fora da história humana, coisas tais como todas as guerras religiosas e todas a aventuras exploratórias audaciosas, ela não só deixará de ser humana, mas deixará de ser história. O esboço da história é feito dessas curvas e ângulos decisivos, determinados pela vontade do homem. A história econômica não seria sequer história
Mas há uma falácia mais profunda além deste fato óbvio; os homens não precisam viver por comida meramente porque eles não podem viver sem comida. A verdade é que a coisa mais presente na mente do homem não é a engrenagem econômica necessária a sua existência, mas a própria existência; o mundo que ele vê quando acorda toda manhã e a natureza de sua posição geral nesse mundo. Há algo que está mais próximo dele que a sobrevivência e esse algo é a vida. Pois, tão logo ele se lembre qual trabalho produz exatamente seu salário e qual salário produz exatamente sua refeição, ele reflete dez vezes que hoje é um dia lindo, ou que este é um mundo estranho, ou se pergunta se a vida vale a pena ser vivida, ou se seu casamento é um fracasso, ou se ele está satisfeito ou confuso com seus filhos, ou se lembra de sua própria juventude, ou ele, de alguma forma, vagamente revê o destino misterioso do homem.
Isso é verdade para a maioria dos homens, mesmo para os escravos assalariados de nosso mórbido industrialismo moderno, que pelo seu caráter hediondo e sua desumanidade tem, realmente, posto a questão econômica em primeiro plano. É muito mais verdade para os numerosos camponeses, caçadores e pescadores que constituem a massa real da humanidade. Mesmo aqueles áridos pedantes, que pensam que a ética depende da economia, devem admitir que a economia depende da existência. E nossos devaneios e dúvidas cotidianos são sobre a existência; não sobre como podemos viver, mas sobre porque vivemos. E a prova disso é simples; tão simples quanto o suicídio. Vire o universo de cabeça para baixo em sua mente e você virará todos os economistas de cabeça para baixo. Suponha que um homem deseje morrer e que o professor de economia se torne um tédio com sua elaborada explicação de como ele deve viver. E todas as iniciativas e decisões que fazem do nosso passado humano uma história têm esse caráter de desviar o curso direto da pura economia. Tal como o economista deve ser desculpado por calcular o salário de um suicida, ele deve também ser desculpado por prover uma pensão de aposentadoria para um mártir. Tal como ele não precisa se preocupar com a pensão de um mártir, ele não deve se preocupar com a família de um monge. O plano do economista é modificado por insignificantes e variados detalhes como no caso de um homem ser um soldado e morrer pelo seu próprio país, de um homem ser um camponês e amar especialmente sua terra, de um homem ser mais ou menos influenciado por qualquer religião que proíba ou permita isso ou aquilo. Mas tudo isso se resume não a um cálculo econômico sobre despesas, mas a uma elementar consideração sobre a vida. Tudo isso se resume ao que o homem fundamentalmente sente, quando ele contempla, dessas janelas estranhas que ele chama os olhos, essa estranha visão que ele chama o mundo.
G. K. CHESTERTON, O Homem Eterno.
 


"Onde há vontade, há um Caminho"

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Quando rezares




Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 

«Fecha a porta e ora a teu Pai em segredo»
Sê assíduo à oração e à meditação. Disseste-me que já tinhas começado. Isso é um enorme consolo para um Pai que te ama como Ele te ama! Continua, pois, a progredir nesse exercício de amor a Deus. Dá todos os dias um passo: de noite, à luz suave da lamparina, entre as fraquezas e na secura de espírito; ou de dia, na alegria e na luminosidade que deslumbra a alma […].

Se conseguires, falar ao Senhor na oração, louva-O. Se não conseguires, por não teres ainda progredido o suficiente na vida espiritual, não te preocupes: fecha-te no teu quarto e põe-te na presença de Deus. Ele ver-te-á e apreciará a tua presença e o teu silêncio. Depois, pegar-te-á na mão, falará contigo, dará contigo cem passos pelas veredas do jardim que é a oração, onde encontrarás consolo. Permanecer na presença de Deus com o simples fito de manifestar a nossa vontade de nos reconhecermos como seus servidores é um excelente exercício espiritual, que nos faz progredir no caminho da perfeição.

Quando estiveres unido a Deus pela oração, examina quem és verdadeiramente; fala com Ele, se conseguires; se te for impossível, detém-te, permanece diante dele. Em nada mais te empenhes como nisso.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

«Eu sou a voz que clama no deserto»


Evangelho segundo S. João 1,19-28.

Foi este o testemunho de João Baptista, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: "Quem és tu?"
Ele confessou e não negou: "Eu não sou o Messias".
Eles perguntaram-lhe: "Então, quem és tu? És Elias?" "Não sou", respondeu ele. "És o Profeta?" Ele respondeu: "Não".
Disseram-lhe então: "Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?"
Ele declarou: "Eu sou a voz que clama no deserto: 'Endireitai o caminho do Senhor', como disse o profeta Isaías".
Entre os enviados havia fariseus
que lhe perguntaram: "Então porque batizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?"
João respondeu-lhes: "Eu batizo na água; mas no meio de vós está Alguém que não conheceis:
Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias".
Tudo isto se passou em Betânia, além do Jordão, onde João estava a batizar.


Tradução litúrgica da Bíblia


Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 293, para a Natividade de João Batista

«Eu sou a voz que clama no deserto»

João era a voz, mas «no princípio era o Verbo» (Jo 1,1). João era uma voz para um tempo; Cristo é a Palavra desde o princípio, a Palavra eterna. Sem a Palavra, o que é a voz? Onde não há nada para compreender, há um ruído vazio. A voz sem a palavra entra no ouvido, mas não chega ao coração. Descubramos, pois, como as coisas se encadeiam no nosso coração, que tem de ser edificado. Se eu penso naquilo que devo dizer, a palavra está já no meu coração; mas, quando quero falar-te, procuro a maneira de passar para o teu coração o que já existe no meu. Se procuro como pode a palavra que já existe no meu coração encontrar-te e ficar no teu coração, sirvo-me da voz, e é com esta voz que te falo: o som da voz conduz até ti a ideia contida na palavra. Então, é verdade que o som se esvai; mas a palavra que o som conduziu até ti está doravante no teu coração, sem ter abandonado o meu.
Logo que a palavra passa para ti, não é verdade que o som parece dizer, como João Batista, «Ele deve crescer e eu diminuir» (Jo 3,30)? O som da voz ressoou para realizar a sua função, e desaparece como se dissesse: «Essa é a minha alegria, que agora é completa» (29). Guardemos pois a Palavra; não deixemos partir a Palavra, concebida no mais fundo do nosso coração.









 

 


"Onde há vontade, há um Caminho"

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O ESPÍRITO DA TRISTEZA – JOÃO CASSIANO






Livro Nono
O Espírito da tristeza
João Cassiano
[Tradução: Gederson Falcometa]
1. OS DANOS DA TRISTEZA
No quinto combate devemos reprimir as tendências da tristeza: é um vício que morde e devora. Se esta paixão, em momentos alternados e com os seus ataques de cada dia, variadamente distribuídos segundo circunstâncias imprevistas e diversas, chegar a tomar o domínio da nossa alma, nos separará um pouco às vezes da visão da contemplação divina até deprimir inteiramente a própria alma depois de tê-la afastado de toda sua condição de pureza: não permitirá mais dedicar-se as orações com a habitual espontaneidade de coração e nem mesmo de aplicar-se, como remédio, a leitura das Sagradas Escrituras. Este vício impede nos de sermos tranquilos e gentis com os próprios irmãos e torna impaciente e áspero diante de tudo os ofícios devidos aos vários trabalhos e a religião. Perdida assim toda faculdade de boas decisões e comprometida a estabilidade da alma, aquela paixão torna o monge como desorientado e ébrio, o enfraquece e o afunda em uma penosa desesperação.
2.É PRECISO CURAR O ÂNIMO DA TRISTEZA
Se então nós aspiramos afrontar decisivamente e segundo as regras a luta espiritual com empenho não menor das batalhas precedentes, é necessário, da nossa parte, ter cuidado também contra este mal. De fato, «como a mariposa danifica os vestidos e como o verme danifica a madeira, assim a tristeza do homem prejudica o coração» (Pr 25, 20). O Espírito divino tem então expresso com suficiente evidência a virulência deste vício danoso e pernicioso.
3. OS ENSINAMENTOS DAS ESCRITURAS
1. E de fato um vestido roído pela mariposa não terá mais algum preço e não poderá servir a algum uso; assim também uma madeira, corrompida pelos vermes, não poderá ser destinada a ornar uma casa mesmo modesta, mas apenas para ser queimado. Tal se torna também a alma corrompida pelas mordidas da tristeza: ela não é mais apta a endossar a veste pontifical, que segundo o vaticínio do santo profeta Davi receber habitualmente o unguento do Espírito Santo que desce do céu, primeiro sobre a barba de Arão e depois sobre as franjas da sua vestimenta, como de fato está escrito:«É como um óleo suave derramado sobre a fronte, e que desce para a barba, a barba de Aarão, para correr em seguida até a orla de seu manto» (Sal 132 [133], 2).
2. Mas esta alma não poderá nem sequer tomar parte da edificação e do ornamento daquele templo espiritual, do qual Paulo, sapiente arquiteto, pôs os fundamentos, dizendo: “Vós sois o templo de Deus, e o Espírito de Deus habita em vós” (1Cor 3,16). E no Cântico dos Cânticos a esposa indica de qual madeira aquele templo deve ser construído: «As traves são de cipreste, e as paredes das nossas casas são os cedros» (Ct 1, 16; LXX). Por isto veem escolhidos, para a edificação do templo de Deus, aquelas espécies de troncos de árvores que exalam bons odores e não são sujeitos a putrefação, e não sofre nem a corrosão do tempo nem a obra roedora dos vermes.
4. AS CAUSAS DA TRISTEZA
Algumas vezes a tristeza é habitualmente gerada por culpa da cólera já gerada anteriormente, ou por causa de qualquer vontade não satisfeita ou qualquer ganho não atingido, quando em suma qualquer um vem a ver faltar um ou outro destes bens já antes assaz desejado. Às vezes, no entanto, embora não intervindo nenhuma das causas fáceis a fazer nos cair neste estado danoso, nos sentimos improvisadamente surpreendidos com tanta aflição, por instigação do nosso malicioso inimigo ao não poder acolher com a usual afabilidade a chegada de pessoas a nós muito caras e necessárias: é próprio então, que nós retenhamos inoportuno e inútil quanto dessas nos vem referido mesmo em uma apropriada conversação, e é nestas ocasiões que por nós são dadas respostas nada agradável, porque cada refúgio do nosso ânimo é invadido pelo fez da amargura.
5. AS CAUSAS DA TRISTEZA DERIVAM APENAS DE NÓS
E assim se demonstra com extrema evidência que nem sempre os estímulos das nossas reações são provocados por culpa dos outros, mas por culpa nossa. Somos nós mesmo a carregar dentro de nós os motivos dos nossos desgostos e as raízes dos nossos vícios, e estes, não apenas são a chuva das tentações que cai em nossa alma, eles germinam e produzem os seus frutos.
6. AS QUEDAS SÃO A CONSEQUÊNCIA DE LONGA NEGLIGÊNCIA
Ninguém, de fato, pode ser induzido a cometer uma culpa apenas porque foi movido por um vício de outro, a menos que ele não considere a resposta já no seu coração sobre a matéria da queda. Assim, também não é preciso acreditar que um se tenha deixado seduzir improvisadamente apenas porque, vislumbrada a beleza de uma mulher, se deixa arrastar a fundo por uma vituperável concupiscência; é verdade, ao invés, que aqueles impulsos morbosos, ocultos antes e profundamente radicados, são aflorados a superfície propriamente na ocasião daquela visão.
7. A CONVIVÊNCIA COM OS OUTROS NOS TORNA MAIS PACIENTES
Por isso, Deus criador do universo, bem sabendo mais do que qualquer outro o segredo para curar suas criaturas e conhecendo que não nos outros, mas em nós mesmos se fundam as raízes e as causas das nossas culpas, não nos demanda abandonar a convivência com os outros irmãos e de evitar aqueles que retemos ofendidos por nós ou tenhamos esses mesmos desgostosos para conosco; ao contrário, Ele quer que busquemos nos cativarmos, bem sabendo que a perfeição da alma não se adquire tanto com nos separarmos dos homens, quanto mais com o exercício da paciência. E é verdadeiro que a paciência firmemente possuída, como pode, de uma parte, manter nos serenos até com aqueles que recusam a paz (cf. Sal 119 [120], 7), assim também, se essa não foi assegurada, poderá, ao contrário, provocar continuamente a discórdia também com aqueles que já são perfeitos e melhores do que nós. Na realidade não poderão faltar na vida comum ocasiões de pertubação, ao ponto de nos fazer até mesmo propor de abandonar aqueles, com os quais temos que conviver, mas com isto não evitaremos as verdadeiras causas da tristeza que nos terão induzido a separar nos dos primeiros companheiros; simplesmente, lhes mudaremos!
8. A PACIÊNCIA TORNA MAIS FÁCIL A VIDA EM COMUM
Portanto, devemos procurar emendar solicitamente os nossos defeitos e corrigir os nossos hábitos. E então, se os nossos vícios forem corrigidos, a nossa vida se acordará de maneira muito fácil não apenas com os homens, mas também com os animais e com as bestas selvagens, segundo aquilo que afirma o livro de Jó: «As bestas selvagens ficarão em paz com você» (Gb 5, 23; LXX). Não teremos mais que temer motivos de ofensa provenientes de fora, e não poderão nos surpreender provocações do ambiente externo, se em nós mesmos não forem acolhidas e enxertadas as suas raízes. De fato existe «existe uma grande paz para aqueles que amam o teu nome; não existe para eles ocasião de tropeço» (Sal 118 [119], 165).
9. A TRISTEZA DE CAIM E DE JUDAS
Existe também um outro gêneros de tristeza muito mais detestável. Esse não conduz o culpado a corrigir a própria vida e a emendar os próprios defeitos, mas tende para uma desesperação ruinosa da própria alma. Essa não permitiu a Caim se arrepender depois que ele assassinou seu irmão (cf. Gen 4, 9-16), e a Judas de buscar, depois da sua traição, o remédio para a reparação: ele ao invés disso, se deixou levar pela sua desesperação até a suspender-se em uma corda (cf. Mt 27, 5).
10. UMA SÓ É A TRISTEZA ÚTIL
Portanto, existe apenas um caso em que devemos considerar útil para nós a tristeza, quando a queremos acolher para que acenda o arrependimento pelos nossos pecados, pelo desejo de perfeição e pela previsão da bem aventurança futura. É desta tristeza que fala o Apóstolo: «A tristeza conforme as vontades de Deus produz um arrependimento que leva a salvação segura; ao invés, a tristeza do mundo produz a morte» (2 Cor 7, 10).
11. COMO DISTINGUIR A TRISTEZA ÚTIL DAQUELA DANOSA
A tristeza que «gera o arrependimento que leva a salvação segura» (2 Cor 7, 10) é obediente, afável, humilde, dócil, suave e paciente, porque deriva do amor de Deus; pelo desejo de perfeição ela se sobrepõem sem trégua a tolerância de toda dor do corpo e a contrição do espírito e, em certo modo, essa, de tudo serena e animada pela confiança do próprio proveito, conserva toda a docilidade da afabilidade e da generosidade, mantendo em si mesma todos os frutos do Espírito Santo, assim enumerados pelos Apóstolos: «Os frutos do Espírito são a caridade, a alegria, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a calma, a temperança» (Gal 5, 22-23). Ao contrário, a tristeza do mundo é muito áspera, dura, plena de rancor, de estéreis afãs e de grave desesperação. Aquele que permanece vítima se verá distraído e desviado de toda a atividade e mortificada não apenas da eficácia da oração, mas tornando também vãos os frutos do Espírito Santo, por nós precedentemente recordados, aqueles que a tristeza útil pode produzir.
12. TODA TRISTEZA É NOCIVA, SE NÃO PROVÉM DE DEUS
Por estas razões, toda tristeza, que se excetua daquela que vem acolhida por uma salutar penitência, para o empenho da perfeição ou pelo desejo dos bens futuros deve ser repreendida, porque é toda tristeza própria do mundo e porque provoca a morte. Por isso é necessário extirpá-la radicalmente do nosso coração do mesmo modo que a fornicação, a avareza e a cólera.
13. OS REMÉDIOS PARA VENCER A TRISTEZA
Nós portanto, chegaremos a expelir de nós está paixão, assim danosa, apenas se estivermos em grau de levantar o nosso espírito e mantê-lo continuamente ocupado na meditação espiritual em previsão da esperança futura e da promessa da beatitude. Deste modo seremos, de fato, em grau de superar todo gênero de tristeza, aquela que deriva em nós por um precedente ato de cólera, pela perda de um ganho, ou por um dano a nós infligido; e assim também a tristeza gerada em nós por uma injúria sofrida, ou nascida dentro de nós por qualquer pertubação da mente surgido sem motivo fundamentado, ou ainda criado em nós pelo efeito de uma mortífera desesperação. Assim, perseverando serenos e seguros das previsões dos bens futuros, sem deixar-nos vencer pelas vicissitudes do mundo presente quando essas nos são adversas, e sem nos deixar lisonjear quando essas retornam a nosso favor, poderemos considerar umas e outras como passageiras e destinadas a cair bem rápido.

 


"Onde há vontade, há um Caminho"